Depois de um longo tempo em provas, retomo o artigo sobre sistemas operacionais, dessa vez, falando sobre o interessante BeOS, que tem uma das trajetórias mais turbulentas da história dos SOs.


BeOS é um sistema operacional multitarefa preemptivo e monousuário desenvolvido pela Be Incorporated, que foi uma empresa fundada em 1990 pelo francês Jean-Louis Gassée, um ex executivo que trabalhou na Apple de 1981 até 1990. Abandonando a empresa por insatisfação da equipe, que discordava das políticas de isolar mais ainda o MacOS adotadas por Gassée, este decide fundar a Be Inc. Com o ambicioso projeto de iniciar, completamente do zero, uma nova arquitetura de computadores com sistema operacional próprio. Algns desenvolvedores da Apple dcidiram seguir Gassée em sua cruzada e começaram o desenvolvimento do BeOS,
O ponto interessante sobre o BeOS é que este foi desenvolvido, desde o começo, com uma mentalidade voltada para o desempenho e uso das mais modernas tecnologias que um sistema operacional pudesse ter, lançando mão de SMP, para rodar com multiprocessadores, microkernel, multithreading, sistena de arquivos de 64 bits jornalado e arquitetura cliente-servidor . Ele rodaria em uma arquitetura fechada, chamada BeBox, que contava com uma placa biprocessada (dois processadores de 133 Mhz, o BeBox Dual603e-133).
As aplicações multimídia eram seu maior foco, por isso almejava obter o melhor desempenho hardware/software jamais visto em um sistema operacional. Teve seu lançamento em Outubro de 1995 e mais tarde, alegando que passariam a concentrar-se somente no software, em 1996, a Be Inc. passa a produzir seu sistema operacional para rodar em cima das arquiteturas PowerPC e PC.
Há algum tempo o BeOS era chamado de “Silicon Graphics dos pobres”, hoje ele é conhecido como “Silicon Graphics para o resto dos usuários”. A diferença básica entre um PC/Mac rodando o BeOS e uma Silicon Graphics reside, principalmente, no preço.
O BeOS consegue extrair performances inacreditáveis de computadores comuns como os PCs e PowerPCs (Mac), permitindo uma grande economia no investimento em equipamentos. Essa diferença começa a ser notada desde o boot do sistema, já que todo o processo de boot do BeOS demora algo em torno de 12 segundos.

Especificações técnicas do BeBox

Os protótipos iniciais eram equipados com dois processadores AT&T Hobbit e três DSPs.
Uma nota particular esteve na CPU load meters na unidade frontal, e o GeekPort na parte traseira, que permitia experimentos.

  • Dois processadores PowerPC 603 rodando em 66 ou 133 MHz
  • GeekPort: I/O e conector DC, conector de 37 pinos na Barramento ISA.
  • Duas portas de 8 bits independentes e bidirecionais
  • Quatro pinos A/D redirecionados para um Conversor A/D de 12 pinos
  • Quatro pinos D/A conectados a um Conversor D/A de 8 bits independente
  • Dois pinos de sinais de referência ao terra
  • Onze pinos de force e terra:
  • + Dois em +5 V, um em +12 V, um em -12 V e sete pinos terra.

Fazer com que o BEOS fosse compatível com a arquitetura PowerPC, segundo versões correntes, foi uma tática adotada por Gassée na esperança de que o BeOS fosse adquirido ou licenseado pela Apple. As negociações começara e a Apple, recusando-se a pagar os US$ 400 milhões exigidos por Gassée, ofeece somente US$ 125 milhões. Sem um acordo firmado, a Apple opta por adquirir outro Sistema Operacional, o NextStep. Complicações maiores ocorreram para a Be Inc. Tao logo a Apple começo a lançar seu novo hardware G3 e se recusou a discutir com a Be Inc detalhes da arquitetura, impedindo que os novos BeOS pudessem ser escritos para funcionar sobre PowerPCs mais modernos.
Numa última tentativa de impedir a derrocada de seu sistema operacional, a Be Inc decide lançar uma versão limitada, porém grátis de seu BeOS R5, também chamado BeOS Personal Edition, que poderia ser rodada a partir do MS Windows ou do Linux e era baixada da internet, mas, sem obter sucesso, acaba sendo vendida para a Palm no ano de 2001 e o projeto BeOS termina seus dias sendo descontinuado.
Mesmo após descontinuado, o BeOS ainda existe, adotado por milhares de fãs que o utilizam, mesmo nos dias de hoje, em PowerPCs antigos e Pcs, escrevendo alguns patches, drivers e correções de bugs para garantir ao BeOS um pouco mais de vida entre os sistemas operacionais.
Códico fonte mãe do BeOS no BeBits: http://www.bebits.com/

O Futuro do BeOS

Para o BeOS não há mais futuro, já que o mesmo é propriedade privada de uma empresa e até mesmo a sua marca registrada apresenta restrições legais. A comunidade beOS, embora pequena e contando ainda com usuários leais, decidiu usar o código fonte do BeOS e reescrevê-lo completamente, mas sob a licença Free Software e, assim sendo, diversos esforços têm sido feitos nesse sentido (valendo lembrar que muitos desses esforços também foram descontinuados posteriormente).
ZETA
Em 2004 a yellowTAB, uma empresa alemã, conseguiu o código-fonte da versão 4.51 e continuou o desenvolvimento do BeOS renomeando o sistema para Zeta. Em Julho de 2005 a versão 1.0 do Zeta foi lançada ao preço de 99 euros, e em Outubro uma atualização para 1.1 está disponível. É possível usar o sistema em caráter experimental baixando um liveCD o que dispensa sua instalação e o particionamento do disco rígido.
Há muitas controvérsias a respeito do Zeta. A primeira é que ele começou a ser vendido ainda como beta a preço de um sistema comum. A segunda é que a yellowTab está trabalhando em código fechado e forçando os antigos compradores de BeOS a adquirir o sistema novamente (e não mais uma atualização). Também há uma pressão para a abertura do código fonte do Zeta por se tratar principalmente de ser desenvolvido por uma empresa pequena e integrante do Be United.
As discussões acerca do uso do antigo (e fechado) código do BeOS levaram a atual detentora dos direitos intelectuais do BeOS, a PalmSource a declarar que a YellowTAB não tem nenhum direito de dar continuidade ao projeto e nem de distribui-lo. Dessa forma, o projeto ZETA foi encerrado.
E/OS
É um projeto que pretende recriar completamente a API do BeOS, no entanto, utilizando um Kernel Linux, o que significa que o E/OS não é, de forma alguma, compatível com o que já tenha sido feito para o BeOS original.
HaikuOS
Haiku, conhecido anteriormente como OpenBeOS, é um projeto que está reconstruindo o sistema operacional BeOS a partir do zero, com uma licença de uso open source. O projeto conta com a ajuda de programadores que participaram do desenvolvimento do BeOS original no esforço de fazer do Haiku um novo BeOS, otimizado para os tempos atuais.
O Projeto OpenBeOS (Haiku) diferenciava-se dos demais (e é o mais bem sucedido dentre todos) por não tentar recriar o BeOS usando um núcleo Linux. Eles querem recriar o Kernel do BeOS, reescrevendo-o com base nos códigos anteriormente liberados pela Be Inc.
O projeto é controlado pela Haiku Incorporated, uma organização sem fins lucrativos baseada em Nova Iorque e devido a sua própria natureza, o projeto não tem um ritmo de desenvolvimento fixo. Iniciado em 2001 já contava em 2004 com vários módulos em estágio alpha. É esperada uma versão beta-pública para meados de 2007 que visa replicar as funções da versão R5 do BeOS, a partir da qual devem ser acrescentados recursos mais modernos.
A construção modular do BeOS permite que equipes de programadores voluntários trabalhem independentemente nos substitutos dos servidores e APIs (conhecidos no Haiku como “kits”). As equipes incluem:
App/Interface - no qual se encaixam os kits da interface, aplicativos e suporte;
BFS - que visa recriar o sistema de arquivos Be (Be File System), tarefa quase completa, com o sistema OpenBFS utilizado não apenas pelo Haiku como também pelo SkyOS;
Game - que desenvolve o kit para jogos e suas APIs;
Input Server - o servidor que gerencia os dispositivos de entrada como teclados, mouses/ratos e como se comunicam com outras partes do sistema;
Kernel - o núcleo do sistema operacional/operativo;
Media - desenvolvendo o servidor de áudio e APIs relacionadas;
MIDI - implementando o protocolo MIDI;
Network - responsável por escrever drivers para dispositivos de rede e APIs para os diferentes protocolos;
Preferences - recriando a tela de opções do BeOS;
Printing - responsável pelos servidores de impressão e drivers para impressoras;
Screen Saver - implementando as funcionalidades dos protetores de tela;
Storage - desenvolvendo o servidor de armazenamento e drivers para sistemas de arquivos;
Translation - recriando os módulos de leitura e conversão de formatos de arquivo.
Alguns kits foram considerados completos e os demais estão em diferentes estágios de desenvolvimento.
O kernel do Haiku é um fork do NewOS, um kernel modular escrito pelo ex-engenheiro da Be, Travis Geiselbrecht, e continua em desenvolvimento. Muitos recursos foram implementados, incluindo uma camada (layer) VFS e suporte rudimentar a multiprocessamento simétrico.
O Haiku pretende ser completamente compatível com todos os softwares e códigos fontes escritos para o BeOS original, o que significa que antigos projetos podem ser retomados e que softwares abandonados podem ser, novamente, utilizados sem nenhum problema. No entanto, o fato de os softwares do antigo BeOS somente serem compatíveis com o GCC 2.95 é um anúncio de que alguns desses softwares não mais serão compativeis com as versões do Haiku, que utiliza um compilador mais moderno para gerar as suas aplicações. Entre esses softwares legados ao esquecimento estão os decodificadores de mídia Indeo, para os quais não existem especificações disponíveis.

Links Interessantes:

Site oficial Haiku

Haikunews - Site com notícias a respeito do desenvolvimento do sistema.

IsComputerOn - Site com notícias da comunidade BeOS.

Álbum de fotos com o progresso do Haiku, no Flickr.

Be-United - Organização que visa promover especificações abertas para sistemas compatíveis com BeOS

Site oficial do ZETA

Lista de Compatibilidade do ZETA

Zeta LiveCD disponível para Download

Manifesto Zeta BRASIL