Windows x Linux: quem está vencendo?
Desde criança sempre gostei de números e conforme fui amadurecendo, entendi que os números, em certas ocasiões, mostram mais que mil imagens. Isso acaba sendo muito importante porquê, para nós, envolvidos com o Software Livre e o Linux de um modo geral, é muito difícil confrontar nossa visão do mundo com a realidade. Será que o Linux está crescendo? Será que a dominação mundial é iminente e certa tanto quanto estamos acostumados a pensar?
Escrever este artigo foi muito interessante e me mostrou alguns pontos que eu desconhecia: entender (ou tentar entender) de uma forma mais imparcial o mundo, o mercado e, é claro, a condição do software livre.
Quem está crescendo?
A coleta dos dados seria muito complicada, pois as fontes são diversas e uma análise estatística confiável implicaria obter os dados de diversas campos amostrais para, só então, ter um resultado. Por aqui ficaremos com dados fornecidos pelo Fedora Project (já que uso Fedora) e pelo Google.
O Windows continua a mandar na web quando se leva em conta as ocorrências da palavra no buscador do Google. São nada menos que 1.530.000.000 de resultados para o sistema da Microsoft contra os 563.000.000 do Linux e 68.100.000 do MacOS.
Se por um lado esses números mostram que o termo “Windows” ainda é o que mais ocorre na web, ele também reflete claramente o grau de interesse em determinado assunto. Vale ressaltar que, de certa forma, a relação entre o interesse e a base instalada é diretamente proporcional e por isso as ocorrências de busca no Google podem ser um bom termômetro para medir o que os usuários estão pensando atualmente, assim como pode mostrar o que eles querem saber.
Os próximos dados tanto podem ser um consolo quanto um fardo. Apesar da grande participação, o Windows não cresceu desde 2004. As sutis variações ao longo do gráfico são irrelevantes já que há claramente uma tendência de estabilidade no interesse do público acerca do sistema da Microsoft, como podemos acompanhar a seguir:

Nessa “estabilidade”, não estou falando da estabilidade do sistema operacional, claro, mas sim da tendência de que, na média, depois de uma ligeira queda em 2005 o gráfico tende a uma linha reta horizontal, o que significa que de um modo geral, as variações são mínimas e as buscas pelo termo “Windows” não mudaram, sem crescimentos, nem quedas. Ou seja: o pessoal não está cada dia mais “vidrado” em Windows; a quantidade de seguidores (por assim dizer) vem se mantendo constante.
O lado ruim para nós, pingüins, é que o interesse pelo termo “Linux” vem decaindo, como podemos ver no gráfico seguinte:

O fenômeno pode dever-se a vários fatores. Devemos levar em conta que os gráficos gerados pelo Google Trends referem-se unicamente às buscas efetuadas pelo buscador Google e que, como tal, é feito na maior parte por usuários normais e sem a pretenção de participar de nenhum artigo sobre estatística. =). O Linux que é mais popular em empresas e instituições (sem contar entre os nerds) que procuram um sistema livre, barato e confiável, ainda não caiu no gosto do povão. Também há, no gráfico do Linux, uma tendência que começa em 2007 e que vem se firmando ao longo de 2008: o gráfico parece estabilizar-se em uma linha reta horizontal depois de anos de queda sucessiva e isso significa
comparativamente, que os gráficos de Windows (azul) e Linux (laranja) são muito parecidos; vêm mantendo sempre a mesma distância, ambos caminham para uma estabilidade aparente e isso pode significar que, num cenário global o usuário (que é quem interessa) já não está mais querendo saber “qual” o seu sistema operacional e sim se ele funciona. Ou seja: quem está crescendo? Ninguém!
Quantos Linuxistas Existem?
O site The Linux Counter extrapola que entre 0,2% e 5% de todos os usuários Linux estejam registrados no seu sistema, logo a estimativa é de que haja no mínimo 2.830.720 usuários e no máximo 70.768.000, sendo que a média de 29.000.000 é a mais provável.
Ainda nos gráficos do Linux Counter (o primeiro dos dois pequenos gráficos ali embaixo), percebemos que o crescimento no uso do Linux pelos usuários normais passou por um aumento acelerado e que chega agora a um ponto de calmaria. Entre 2002 e 2004, um momento de grande popularização do Linux, a curva ascendente é muito acentuada. Foi nessa fase que o Linux começou a galgar com mais segurança a preferência de um público menos especializado e dava sinais de ser uma boa opção também como desktop. Além disso, um outro gráfico, também do The Linux Counter (o segundo dos dois gráficos) mostra as respostas dadas à pergunta “quando você começou a usar Linux?” e revela que os veteranos do começo da década de 90 são um artigo raro.


Já, se você fica imaginando qual a distribuição Linux que desperta mais interesse 1, a lista pode reservar algumas surpresas. O site especializado DistroWatch tem um ranking permanente onde fica o score das distros com maior número de hits e a novidade fica por conta do PCLinuxOS, que vem subindo e encontra-se em segundo lugar, acima das gigantes OpenSuse, Mandriva, Fedora, Debian e Slackware… Nunca usei PCLinuxOS, não li nada a respeito também, mas bonito ele é (e tomara que não seja uma dessas distribuições “bonitinhas, mas ordinárias” de fundo de quintal).
- Ubuntu
- PCLinuxOS
- openSUSE
- Fedora
- Mint
- Mandriva
- Debian
- Sabayon
- Damn Small
- Dreamlinux
- FreeBSD
- MEPIS
- CentOS
- Kubuntu
- Slackware
- Gentoo
- KNOPPIX
- Puppy
- Zenwalk
- Arch
- Slax
Complementando nosso passeio, se tomamos o Fedora como base, alguns dados estatísticos interessantes também podem ser citados, como:
Há registro de aproximadamente 2,2 milhões de instalações únicas do Fedora 8 depois de 6 meses de vida.
Em março de 2008 o site www.fedoraproject.org teve mais de 830.000 visitas; esse é o segundo maior número de acessos, perdendo apenas para a data do release do F8, quando chegou a 1,1 milhão de acessos em um dia.
Existem aproximadamente 2.000 pessoas com uma conta no Fedora Project e 75% dessas pessoas não pertencem à Red Hat.
O Fedora 9 tem aproximadamente 2.200 contribuidores diretos no seu desenvolvimento.
Existem aproximadamente 5.500 pacotes fonte RPM no Fedora e destes, 65% são mantidos por voluntários que não são da Red Hat.
Um mapa de acessos revela que os Estados Unidos e a Europa são os maiores usuários de Fedora no mundo, mas que o Brasil, especialmente na região sul, também tem uma boa representatividade.

Os dados estatísticos coletados pelo Fedora Project vêm se tornando cada vez mais precisos também com a ajuda do SMOLT, que é um programinha de catalogação de perfis de máquina que envia os dados ao Fedora Project. Sim, pois se você não sabia (e nunca viu ou prestou atenção ao processo de instalação), durante o First Boot, a interface do SMOLT aparece com seus dados de hardware e configurações de software, pedindo permissão para enviar os dados ao Projeto.
Usar o SMOLT ajuda bastante os desenvolvedores, pois ele dá uma idéia muito concisa de qual o perfil de hardware mais comum e quais os próximos itens a serem adicionados numa release posterior, de modo a garantir que uma quantidade maior de peças seja bem suportada pela distro. Duvida? Pois veja lá: 98,1 % dos usuários usam o seu Fedora no modo gráfico (runlevel 5) e só 1,8% no modo texto (runlevel 3); 54,2% dos Fedoras está em inglês e 2,2% está em português brasileiro e o kernel mais usado é o 2.6.23.1-42.fc8 com 39,9% do total.
Linux e Linux: quem está ganhando?
Por fim, tratando-se da disputa entre as grandes distros nas buscas do Google a coisa fica bem interessante em dois casos.
Primeiro, é evidente a grande popularidade do Ubuntu mediante os usuários e já sabemos há tempos que ele tem a maior base instalada. Seu foco no usuário de primeira viagem dá resultado e isso aparece aqui (Ubuntu em laranja e Fedora em Azul):

O Ubuntu vem crescendo, mas o seu índice de crescimento tende a estacionar-se, como mostra em meados de 2007 e início de 2008. Talvez devido ao fim do efeito “Oh! Ubuntu é legal!”.
O outro caso interessante é a grande semelhança entre as buscas feitas pelo termo Debian (laranja) e pelo termo Fedora (azul):

Os gráficos ficam praticamente empatados e apresentam tendências muito parecidas, numa taxa descendente suave que tende a estabilidade conforme passa o tempo.
Terminando, apenas a título de curiosidade, deixo mais algumas comparações entre distros grandes:

Fedora (azul) x OpenSuse (laranja)

Fedora (azul) x Mandriva (laranja)

Fedora (azul) x Slackware (laranja)
Para terminar nossa análise, uma questão intrigante (quase um fenômeno) pode ser levantada: sabemos que a venda de computadores vem crescendo ininterruptamente nos últimos anos; isso é fato, pois ter um computador nunca foi tão fácil quanto é hoje. A quantidade de pessoas com acesso à internet vem crescendo, embora ainda seja uma realidade difícil em certos lugares, a conectividade hoje alcança mais rápido uma quantidade maior de pessoas. Por outro lado, nenhum dos nossos gráficos anteriores condiz com essa realidade; pelo crescimento das ventas e da conectividade, tanto Windows quanto Linux deveriam experimentar crescimento (afinal, não é possível que toda essa gente compre computadores para deixá-los sem sistema operacional, certo?). Por que então, já que o número de PCs por habitante aumentou, os gráficos mostram decaimento de interesse pelos sistemas operacionais?
Aexplicação exata não existe; o que se tem é apenas a especulação de duas possibilidades:
Os sistemas operacionais estão mais completos e funcionando melhor: dessa forma menos usuários buscam por ajuda e por isso os gráficos do Google Trends despencam, ou
Encontrar ajuda ficou mais fácil: com o crescimento da web, fica mais simples achar aquilo que se procura - sites, fóruns, chats, blogs - e por isso a quantidade de buscas diminui. Em vez de procurar 10 vezes, por um determinado assunto, procura-se 3 ou 4 e os gráficos caem.
É dessa forma que a estatística nos mostra que esse ramo de informática é esquisito e nem sempre o que se espera realmente É.
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- Essa lista é bastante variável ↩


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agosto 10th, 2008 at 10:36
Sobre ete artigo: há determinadas linhas de pensamento que acreditam ser a internet um tipo de reflexo do mundo real; um pouco distorcido esse reflexo, mas, ainda assim, um reflexo. Essa pesquisa é baseada somente em dados que estão disponíveis para todos e seus resultados podem (e devem) ser questionados por qualquer um. Por exemplo: ao pesquisar pelo termo “Windows” um ou outro site que vende janelas deve ter aparecido no resultado, mas a porcentagem disso é irrelevante e pode ser ignorada.
O ponto é que aqui temos somente um vislumbre do quadro e é sempre a parir de um vislumbre que se parte para os resultados concretos. =)
agosto 11th, 2008 at 6:35
lonely
Tem um efeito que vc precisa considerar. As distros mais importantes precisam ter seu nome considerado para a análise da tendência geral do linux e não apenas numa comparação entre si.
Segundo, muitos analistas têm considerado a possibilidade de uma estagnação relativa do linux, devido ao fato de que ele atinge em pouco tempo um público mais gravitacionalmente atraído por ele (técnicos e aficcionados) e para que atinja o público “normal” sua taxa de desenvolvimento seria muito menor.
Além disso, pode-se perceber uma tendência de redução forte das distros mais “cruas”, slack, arch, em comparação com o crescimento do ubuntu nos últimos anos. Isso pode derivar de várias razões, mas a simplicidade de instalação e uso deve estar entre elas.
De qualquer forma, a tendência corporativa e governamental de migração para o linux apresenta um cenário bastante favorável e um horizonte interessante.
agosto 11th, 2008 at 8:20
Bem interessante mas você deve levar em conta que o Google Trends leva em consideração as palavras se eu quizer ver windows eu também verei tudo que os usuarios escreveram sobre suas janelas (por isso o volume maior para o windows)!
Veja esses dados da W3Counter sobre os sistemas operacionais usados para acessar diversos site:
W3Counter’s sample currently includes 13,304 websites.
Operating Systems
1 Windows XP 77.16%
2 Windows Vista 8.88%
3 Mac OS X 4.58%
4 Windows 2000 2.86%
5 Linux 1.91%
http://www.w3counter.com/globalstats.php
agosto 11th, 2008 at 9:19
Eu sinceramente não imaginava nunca que o PCLinuxOS estaria na frente de distros mais respeitadas no mercado. Talvez por que essa distro estaja saindo junto a computadores comprados em lojas no mundo inteiro não? Uma coisa é certa, do Fedora eu não largo.
agosto 11th, 2008 at 9:34
Diego, na verdade o google trends reflete os termos mais procurados e não os que mais aparecem. Por isso demonstra diretamente o interesse do público num assunto.
agosto 11th, 2008 at 10:42
O pessoal que está trabalhando no PCLinuxOS Brasil é muito competente e responsavel, e a remasterização deles em pt_BR sai em breve, após muitos testes, pelo que acompanho. Para conferir a organização do pessoal, acesse: http://www.pclinuxos.com.br/
agosto 11th, 2008 at 10:52
Uma outra conclusão que pode ser considerado sobre a diminuição da procura sobre linux é que as distribuições que estão sendo mais utilizadas estão funcionando quase sem nenhuma configuração extra necessária. Distintamente, antigamente para se ter o som funcionando, por exemplo, o usuário percorria diversos passo-a-passo até conseguir fazer funcionar. Agora a maioria das distribuições estão tão amigáveis, que após a instalação, na maioria das vezes tudo já está funcionando e o usuário não precisa procurar por soluções com tanta frequência.
agosto 11th, 2008 at 10:53
Quando escrevi esse artigo (não tem muito tempo, mas ele foi escrito para a Revista Guia do Hardware, que, infelizmente, foi descontinuada pelo Morimoto) ainda não sabia nada sobre o PCLinuxOS. Meu camarada Eunir faz parte da comunidade brazuca e os caras, realmente, estão vindo com muita força de vontade e competência. Logo faço um test drive. =)
agosto 11th, 2008 at 11:05
A pessoas geralmente são acomodadas, a maioria teme arriscar ou explorar o que é novo, então perdem a chance de buscar novos horizontes, perdendo assim dinheiro e oportunidades.
O Linux é uma realidade, porém sua filosofia é completamente diferente da filosofia Microsoft, que visa simplesmente o lucro, deixando a segurança e estabilidade em segundo plano.
O Linux é como um renegado, lutando contra o Império, é difícil para qualquer um competir contra a Microsoft, porém hoje temos uma escolha.
Monopólios e falta de competição, é a principal causa da prestação de péssimos serviços por causa da acomodação das empresas.
agosto 11th, 2008 at 11:29
Usar Linux nos dá estranhas manias: sempre querer ter acesso a tudo é uma delas. certa vez, contratei um cara pra desenhar uma logomarca. Quando terminou o trabalho, exigi os vetores do trabalho. Ele tinha feito no Corel Draw e eu disse que queria o arquivo final em SVG (já que sou desenhista e gosto de mexer). O cara recusou me dar o SVG, achei um absurdo. Eu paguei pelo serviço e tenho direito ao SVG da minha logomarca.
Perguntei sobre o Corel que ele usou; era pirata… O cara, muito cheio de si, veio me dizer que não trabalhava com Linux, que se eu quisesse ia ser do jeito dele… demiti-o, rejeitei a logomarca e deixei bem claro: aqui você não serve para trabalhar.
agosto 11th, 2008 at 12:39
Fala aí cara…
Tudo beleza.
Desculpe o offtopic, mas estou apanhando da patroa de novo… Depois de muito tempo sem atualizar as máquinas do trabalho dela (4 PCs com Fedora 8). Fiz um update ontém, funcionou tudo beleza (depois de 500GB de atualizações), mas como não poderia deixar de ser o Firefox deixou de imprimir os textos selecionados de novo. A pergunta é: Tem como vc criar o pacote com a correção pra mim de novo? Outra: gostaria de aprender a criar o pacote com a correção, assim eu aprenderia algo novo e vc deixaria de ter esse chato no seu pé ;).
Um abraço.
agosto 12th, 2008 at 19:38
Lauro, testei aqui a impressão de trechos em várias partes da página (início, meio e fim) e funcionou perfeitamente… O_O
agosto 13th, 2008 at 12:12
Você testou a versão 2 do Firefox que está presente no Fedora 8?
É desta versão que estou falando… A versão 3 do Firefox (no Fedora 9) que tenho usado em casa realmente está funcionando beleza.
Um abraço.
agosto 19th, 2008 at 11:45
E aí Henrique? Tem uma solução pro meu caso?
agosto 19th, 2008 at 12:03
tenho, lauro. Aparece no GTALK.
agosto 19th, 2008 at 17:24
Olá Henrique, estou sempre online, mas você aparece off para mim… foi um dos primeiros “locais” onde te procurei…
Um abraço.
agosto 19th, 2008 at 17:30
Outra coisa:
Tem uma forma mais simples de criar um repositório local para o yum? É que são 04 máquinas com o Fedora 8 e me parece meio lusitano ter que baixar tudo da internet 04 vezes… Até encontrei um tutorial[1] na internet ensinando, mas o cara fala para criarmos um servidor apache e usar um script criado por ele pra fazer o serviço… não tem como eu simplesmente usar o cache do yum de uma das máquinas para instalar as atualizações nas outras de forma mais simples e sem tanta ginástica?
Um abraço.
[1]http://davidsonenatalia.blogspot.com/2007/10/criando-um-espelho-local-do-fedora.html
agosto 27th, 2008 at 22:50
Otimo artigo, Henrique. Muito bem escrito, como todos os seus textos =)