Monthly Archive for dezembro, 2008

Lançada a Revista Fedora Brasil #4

Para encer­rar com chave de ouro o ano de 2008 o Pro­jeto Fedora tem o pra­zer de anun­ciar o lan­ça­mento da quarta edi­ção da Revista Fedora Bra­sil. Este número traz o edi­to­rial assi­nado por Augusto Cam­pos, que traça uma retros­pec­tiva sobre os 5 anos de exis­tên­cia do Fedora e mos­tra um qua­dro de como o ecos­sis­tema das dis­tri­bui­ções Linux mudou após o anún­cio do lan­ça­mento do pri­meiro Fedora. Além disso a revista tam­bém traz um enfo­que espe­cial ao novo Fedora 10, apre­sen­tando de maneira muito clara e sim­ples todas as novi­da­des e mudan­ças da nova rele­ase. Apro­veite tam­bém para par­ti­ci­par da pro­mo­ção da Revista Fedora Bra­sil e con­corra a um exem­plar do livro “Java — Fun­da­men­tos, prá­tica & cer­ti­fi­ca­ção” do autor Adil­son Bonanovisk.

Con­ti­nuam as aulas sobre shell script, há tam­bém um pas­seio sobre os mis­té­rios do SELi­nux, tiros cer­tei­ros no jogo Urban Ter­ror e uma receita infa­lí­vel para você fazer o seu pró­prio Fedora. Tem mais, muito mais, são 66 pági­nas onde a vari­e­dade não será problema.

Um feliz ano novo e não se esqueça de bai­xar a revista no link abaixo:

http://www.projetofedora.org/revista

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O último post do ano

Como post de ano novo eu gos­ta­ria de dei­xar um desa­bafo. O Linux é um fenô­meno mara­vi­lhoso, mas tra­ba­lhar com isso de soft­ware livre e comu­ni­dade livre tem seu lado frus­trante e depri­mente também.

Um dos moti­vos pelos quais aban­do­nei os fóruns (e isso já faz muito tempo), foi cons­ta­tar que ali, nos fóruns, está refle­tido o com­por­ta­mento gene­ra­li­zado dos usuá­rios. Embora quase todas as per­gun­tas tenham uma res­posta (basta usar o meca­nismo de busca) os tópi­cos infi­ni­tos de “como se ins­tala isso ou aquilo” sem­pre vol­tam à tona. Falta a cor­di­a­li­dade de retor­nar um “obrigado“a todos aque­les que se deram ao tra­ba­lho de ten­tar aju­dar e, mui­tas vezes, depois de con­se­guir o que quer, o usuá­rio nunca mais volta.

A comu­ni­dade é inca­paz de res­pon­der a uma enquete, de repor­tar um erro e ainda assim exige que seu sis­tema fun­ci­one per­fei­ta­mente, assu­mindo mui­tas vezes a já conhe­cida pos­tura de “essa por­ca­ria de Linux não funciona”.

Eu não sei se essa pos­tura para­si­tá­ria é algo cul­tu­ral do nosso país, onde o barato é ganhar muito sem fazer nada, mas com o pas­sar dos anos começo a enten­der o motivo que levou gran­des nomes a se afas­ta­rem mais do con­tato direto dos usuá­rios para se dedi­ca­rem a algo mais pro­du­tivo e menos decepcionante.

Entendo bem que a mai­o­ria dos usuá­rios quer somente usar seu sis­tema, em paz, no acon­chego do lar e sem ter que se pre­o­cu­par com ques­tões bobas como softwa­res e hardwa­res. No futuro, creio eu, isso de soft­ware e hard­ware vai ser trans­pa­rente ao usuá­rio; o ponto aqui é que há pes­soas de menos se envol­vendo e pseudo linu­xis­tas demais recla­mando, fazendo ruído e dando as costas.

A rea­li­dade é que toda a comu­ni­dade Linux no Bra­sil está apoi­ada nos ombros de pou­cas pes­soas; o tra­ba­lho a ser feito é imenso e o retorno das horas de dedi­ca­ção varia de acordo com os níveis de hormô­nios de cada um: às vezes tudo parece valer a pena, às vezes não.

De qual­quer forma, a minha pro­messa para o pró­ximo ano é ser mais come­dido e menos obce­cado; pas­sar menos tempo em frente ao com­pu­ta­dor e ir lá fora ver o tempo mais vezes.

Feliz ano novo a todos.

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Você está pronto para o Amarok?

amarokredimensionadoVocê está pronto para o Ama­rok? Eu sei que não estou, ou, de fato, tal­vez o Ama­rok não esteja pronto para mim.

Mesmo sendo um feliz usuá­rio do GNOME, por­que per­der tempo com outros players, já que o Ama­rok é, indis­cu­ti­vel­mente o melhor, mesmo sendo da famí­lia KDE? Pas­sei os últi­mos meses ansi­oso para ver as novi­da­des que o Ama­rok 2 tra­ria. Vi e ouvi pro­mes­sas de um soft­ware revo­lu­ci­o­ná­rio que seria capaz de ele­var o, já exce­lente, Ama­rok a um nível ainda maior de usa­bi­li­dade e satis­fa­ção dos usuários.

Quando saiu o Fedora 10, ins­ta­lar de volta meus codecs e escu­tar umas músi­cas enquanto ava­li­ava o sis­tema foi uma das minhas pri­mei­ras pro­vi­dên­cias e para meu susto, lá estava ele, o Ama­rok 2 em toda a sua gló­ria. As decep­ções come­ça­ram logo: não gos­tei da inter­face. A bibli­o­teca no canto esquerdo, as músi­cas recen­tes no meio e a play­list no canto esquerdo, tudo apoi­ado na filo­so­fia “você é cego” que o KDE e o Ruin­dows Vista tei­mam em esfre­gar na nossa cara, com botões gigan­tes e um enorme des­per­dí­cio de espaço.

Logo que come­cei a usar me senti des­con­for­tá­vel, a nítida sen­sa­ção que tinha era a de estar usando um pro­duto tão expe­ri­men­tal que classificá-lo de “alfa” seria bon­dade; parece que a equipe do Ama­rok ten­tou sim­pli­fi­car as coi­sas mas esque­ceu que sim­pli­fi­car não é cor­tar recur­sos e sim encon­trar novas manei­ras de fazer com que os recur­sos sejam melhor apro­vei­ta­dos. Foram inca­pa­zes de colo­car lá perto da play­list os botões de “emba­ra­lhar” e “repe­tir”, sendo que isso, fran­ca­mente, até os players mais mal fei­tos do mundo têm.

Eu tenho o hábito de impli­car com as coi­sas, faz tempo que não suporto mais o KDE e aquela con­fu­são de menus, pen­sei, por isso, que o fato de estar odi­ando o novo Ama­rok era fruto da minha impli­cân­cia, mas cons­ta­tei entre os ami­gos que a desa­pro­va­ção foi geral e mesmo os puxa-sacos que conheço deram uma tor­ci­di­nha de nariz antes de tapar o sol com a peneira: “real­mente erra­ram em algu­mas coi­sas… mas vai melhorar”.

Parei com o Ama­rok por­que ele está feio, com uma inter­face burra, ins­tá­vel e teima em pipo­car os pri­mei­ros segun­dos de todas as músi­cas que toco. Vou ter que me con­ten­tar com o player Exaile, do GNOME. Ele não é tão ele­gante quanto o Ama­rok era, nem tão com­pleto, mas fun­ci­ona, tem bibli­o­teca que per­mite múl­ti­plas pas­tas, busca letras e infos da Wikipédia.

Só me resta per­gun­tar, caro lei­tor: Are you ready to Amarok?

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Deixando a equipe de tradução

Ontem de madru­gada, às 2:27 enviei um email infor­mando que estou dei­xando o time de tra­du­ção do Fedora, do qual fiz parte durante mui­tos anos e onde aprendi muito.

A equipe é ótima, cor­dial e muito bem orga­ni­zada. Reco­mendo a todos que quei­ram par­ti­ci­par que o façam.

Segue abaixo a carta de des­pe­dida e deixo meu abraço ao time.


Pre­za­dos amigos,

Vejo com grande orgu­lho o pata­mar alcan­çado pela equipe de tra­du­ção do Pro­jeto Fedora. Atu­al­mente, o time de tra­du­ção para pt_BR figura entre os melho­res e mais dedi­ca­dos den­tro das esta­tís­ti­cas do pro­jeto, sem­pre com índi­ces de tra­du­ção acima de 95% e com padrões cada vez mais profissionais.

A equipe tam­bém cres­ceu e se esme­rou. Hoje em dia, o time capi­ta­ne­ado pelo Igor conta com nomes bas­tante conhe­ci­dos entre os tra­du­to­res e tam­bém com “san­gue novo” que vê na tra­du­ção uma forma de con­tri­buir para o cres­ci­mento do Linux e do Fedora de alguma forma.

Com a equipe tão soli­di­fi­cada sinto-me seguro em assu­mir outros rumos den­tro do pro­jeto, pois sei que fica tudo em boas mãos e minha ausên­cia não cau­sará nenhuma grade perda.

Pre­tendo me dedi­car mais ao empa­co­ta­mento, no qual fui recen­te­mente aceito e, quem sabe, tra­ba­lhando mais perto de onde tudo acon­tece, con­se­guir ser mais útil de alguma forma para o Fedora aqui no Bra­sil. Além disso, con­ti­nu­a­rei tocando a Revista e os novos rumos que pre­ten­de­mos dar à publi­ca­ção devem tomar um pouco mais de tempo. Fora isso tudo, espero viver, não o mundo aqui dos bits e bytes, mas o mundo de ver­dade, ser capaz de tirar férias e de via­jar mais, de ler mais (fora da tela do com­pu­ta­dor) e fazer coi­sas que as pes­soas deve­riam fazer, como empi­nar pipas em noi­tes de tem­pes­tade e pular de bun­gee jum­ping sem elástico.

Fica para ado­ção o meu módulo do Revi­sor, que está 100% traduzido.

Um grande abraço a todos, logo esta­rei man­dando módu­los novos para vocês. ;)

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Aulas grátis com o Projeto Fedora

E se você tivesse a opor­tu­ni­dade de apren­der mais sobre Fedora (e tópi­cos uni­ver­sais sobre Linux) com os caras que fazem o Fedora?

Pois isso é exa­ta­mente o que visa o pro­jeto “Fedora Clas­s­room” (Fedora sala de aula). Esta ini­ci­a­tiva do Pro­jeto Fedora reune alguns dos melho­res e mais influ­en­tes par­ti­ci­pan­tes do pro­jeto, entre enge­nhei­ros, artis­tas, empa­co­ta­do­res, tra­du­to­res e embai­xa­do­res em “aulas” minis­tra­das durante os fins de semana via IRC.

Tópi­cos como SELi­nux, Firewall, GIMP e tri­a­gem de bugs são abor­da­dos por quem entende em aulas de uma hora de dura­ção e com direito a per­gun­tas, links e dicas. Se você tem um inglês que dê para que­brar o galho, vai gos­tar de acom­pa­nhar as aulas (que já come­ça­ram e tive­ram uma par­ti­ci­pa­ção extraordinária).

Para ter acesso aos logs das aulas ante­ri­o­res e ficar por den­tro dos calen­dá­rios e temas das pró­xi­mas aulas, visite https://fedoraproject.org/wiki/Classroom

Para par­ti­ci­par das aulas, acesse o canal #fedora-classroom no irc Freenode.net.

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O apocalipse, o bug do milênio e o futuro

apocalipseEm pra­ti­ca­mente todas as cul­tu­ras existe o con­ceito de “fim dos dias”, um momento em que a huma­ni­dade — como a conhe­ce­mos — che­gará ao fim por inter­mé­dio de algum evento catas­tró­fico e de con­seqüên­cias ter­rí­veis. O sen­ti­mento de fim, embora sem­pre evi­te­mos pen­sar nele dire­ta­mente, está pre­sente no nosso sub­cons­ci­ente e povoa o ima­gi­ná­rio do homem desde que aban­do­na­mos as caver­nas e nos aven­tu­ra­mos mundo afora.

Ten­tar pre­ver a che­gada do fim tam­bém tem fas­ci­nado e feito estre­me­cer as pes­soas ao longo dos sécu­los. Diver­sas datas apo­ca­líp­ti­cas já foram decre­ta­das por reli­gi­o­sos, mís­ti­cos, mági­cos, pen­sa­do­res e adi­vi­nhos. Sem citar os casos medi­e­vais, onde pra­ti­ca­mente toda data com um sig­ni­fi­cado popu­lar era pre­texto para o fim do mundo.

A civi­li­za­ção evo­luiu, mas o medo, que é um sen­ti­mento ins­tin­tivo, não faz dis­tin­ção de tec­no­lo­gia ou de era. Já em 1910, quando os seres huma­nos come­ça­vam a gozar de con­si­de­rá­veis faci­li­da­des tra­zi­das pela tec­no­lo­gia, o mesmo medo pri­mi­tivo tomava conta de popu­la­ções intei­ras: o pla­neta Terra pas­sa­ria exa­ta­mente pelo ras­tro do cometa Hal­ley e os gases vene­no­sos flu­tu­ando pela atmos­fera iriam pôr fim à exis­tên­cia de qual­quer coisa que res­pi­rasse. Houve uma explo­são na venda de más­ca­ras que pro­me­tiam fil­trar o ar e mais uma vez apren­de­mos que, em tem­pos de crise, sem­pre é pos­sí­vel fatu­rar alto, mesmo que seja em cima da igno­rân­cia alheia.

O fim do mundo tam­bém estava pre­visto para o ano de 1999 e o pró­ximo, segundo os pes­si­mis­tas, vai ser em 2012… Se você esti­ver lendo esse artigo em 2013, é claro, sig­ni­fica que o mundo con­ti­nua firme e forte (com uma ou outra guer­ri­nha, doen­ças, desi­gual­dade social e sogras, mas con­ti­nua inteiro).

Atu­al­mente as nos­sas mai­o­res pre­o­cu­pa­ções têm pouco a ver com maus espí­ri­tos e ras­tros de cometa. Vive­mos num mundo quase total­mente infor­ma­ti­zado mas tive­mos o “nosso” pri­meiro fim do mundo anun­ci­ado para 1999, quando a ame­aça cha­mada “Bug do Milê­nio” mos­trou que o mundo infor­ma­ti­zado tem um cal­ca­nhar de Aquiles.

O nosso cal­ca­nhar de Aqui­les vinha de um pro­blema her­dado de códi­gos mais anti­gos e que aca­bam pas­sando des­per­ce­bi­dos ao longo dos anos sim­ples­mente por­que mesmo os códi­gos mais anti­gos podem fun­ci­o­nar bem, até que as limi­ta­ções da época em que foram escri­tos come­çam a se trans­for­mar em pro­ble­mas para os dias de hoje.

Os pro­gra­ma­do­res de anti­ga­mente pre­ci­sa­vam lidar com o pro­blema de falta de memó­ria e, de fato, cada byte eco­no­mi­zado pode­ria sig­ni­fi­car uma grande eco­no­mia ou, inclu­sive, se o soft­ware pode­ria ou não ser pro­du­zido. Cada letra (ou número) exi­bido na tela sig­ni­fi­cava 1 byte de gasto; exi­bir uma data como 22 02 1960 que­ria dizer 8 bytes de memó­ria a menos e a solu­ção mais óbvia era cor­tar o “19” do ano, trans­for­mando a data em 22 02 60.

A solu­ção não levava em conta que os códi­gos escri­tos sob esse con­ceito “econô­mico” pode­riam sobre­vi­ver pelos pró­xi­mos 40 anos e che­gar ao dia 31 de dezem­bro de 99.

Basi­ca­mente, sur­giu o risco de que sis­te­mas vitais usando os anos com dois dígi­tos, depois do dia 31/12/99 zeras­sem os reló­gios de volta ao dia 1º de janeiro de 1900.

Con­seqüen­te­mente, taxas ban­cá­rias com 100 anos de juros seriam emi­ti­das, pas­sa­gens aéreas teriam 100 anos de atra­sos e diver­sos softwa­res depen­den­tes de calen­dá­rios enfren­ta­riam problemas.

bugO mundo todo se mobi­li­zou num upgrade pre­ven­tivo que cus­tou milhões de dóla­res e eu ainda me lem­bro da cena mos­trada pela TV, onde logo após a virada do ano de 1999 para 2000, ope­ra­do­res de sis­te­mas come­mo­ra­vam a não mani­fes­ta­ção do bug (pouco se lixando para o fato de ser ano novo).

O Bug do Milê­nio foi der­ro­tado, mas no melhor estilo de um vilão de his­tó­rias em qua­dri­nhos, con­ti­nu­ará a espreita para ata­car numa outra opor­tu­ni­dade. De fato, o pró­ximo pro­blema já tem data e hora mar­ca­dos: 03:14:07, na terça-feira do dia 19 de janeiro de 2038.

Este bug, cha­mado de Bug de 2038 ou Bug do Milê­nio Unix, irá afe­tar todos os sis­te­mas 32 bits que cal­cu­lam suas datas a par­tir da repre­sen­ta­ção POSIX. Na repre­sen­ta­ção de tempo POSIX, todo o tempo é base­ado numa con­ta­gem feita em segun­dos e essa con­ta­gem come­çou no dia 1º de Janeiro de 1970, aumen­tando de segundo em segundo até os dias de hoje.

Se qui­ser des­co­brir a sua “hora UNIX” digite no ter­mi­nal “date +%s”. Essa é a quan­ti­dade de segun­dos que se pas­sa­ram desde 01/01/1970.

O bug de 2038 ocorre por­que a mai­o­ria dos sis­te­mas tipo UNIX de 32 bits é pro­gra­mado em lin­gua­gem C, que trata os valo­res de tempo como núme­ros intei­ros do tipo “sig­ned” (que acei­tam sinais posi­ti­vos e nega­ti­vos). Existe um valor máximo que os núme­ros do tipo “inteiro e com sinal” podem supor­tar e esse valor vai de –2.147.483.648 até +2.147.483.647, ou seja: come­çando de 00:00:00 em 1º de janeiro de 1970, o tempo UNIX suporta “somente” 2.147.483.647 segun­dos antes de zerar a contagem.

Alguns sis­te­mas retor­na­rão ao zero (que é 1970) e outros retor­na­rão ao –2.147.483.648 (que é 1901).

O pri­meiro pro­blema sério ocor­rido por causa do bug de 2038 afe­tou os ser­vi­do­res AOL em 12/05/2006. Para garan­tir que nunca ocor­resse time out numa requi­si­ção de banco de dados, os ser­vi­do­res esta­vam pro­gra­ma­dos para tra­ba­lhar com time­outs um bilhão de segun­dos no futuro. Quando esse adi­anto de 1 bilhão de segun­dos atin­giu a data fatí­dica de 2038, os ser­vi­do­res travaram.

A solu­ção, no caso, é a migra­ção para padrões de 64 bits, o que, espera-se, tenha ocor­rido até 2038.

O pró­ximo bug — que deve atin­gir os calen­dá­rios cal­cu­la­dos atra­vés de méto­dos de 64 bits — não é exa­ta­mente uma pre­o­cu­pa­ção ime­di­ata: num domingo, no dia 4 de dezem­bro de 292.277.026.596 às 15:30:08 (UTC), as máqui­nas UNIX de 64 bits tam­bém enfren­ta­rão o Bug de Data.

ADENDO

Mesmo nos dias de hoje ainda há pro­fis­si­o­nais que pre­ci­sam tra­ba­lhar com quan­ti­da­des limi­ta­dís­si­mas de memó­ria e que ficam con­tando cada byte uti­li­zado. Sis­te­mas embar­ca­dos em memó­rias ROM são o melhor exem­plo: medi­do­res de luz e outros meca­nis­mos sim­ples que rodam longe de nos­sos olhos, gra­va­dos em memó­rias não volá­teis e que, mui­tas vezes, car­re­gam códi­gos anti­gos ou bugs poten­ci­ais, esque­ci­dos pelo tempo mas que espe­ram pela opor­tu­ni­dade de se mani­fes­ta­rem. Ainda há, na ver­dade, muito código com mais de 20 anos rodando por aí e ser­vindo de base para softwa­res do nosso dia a dia. O pró­prio Inter­net Explo­rer (pelo menos até a ver­são 6) e o Fire­fox tra­zem peda­ços de código oriun­dos do velho Mosaic, que foi o pri­meiro nave­ga­dor popu­lar da história.

Até 2038 ainda tere­mos bas­tante tempo, mas nenhum espe­ci­a­lista pode garan­tir que a migra­ção atinja 100% das máqui­nas e que o bug de 2038 não terá nenhuma conseqüência.

SEU SISTEMA LINUX 32 BITS VAI BUGAR EM

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Projeto Fedora cria nova marca para os Fedoras customizados da comunidade

Hoje em dia já não é mais pre­ciso ser um expert para ter a sua pró­pria disr­tri­bui­ção Linux e qual­quer um pro­vido de capa­ci­dade para cli­car “next, next, finish” pode ter o pra­zer de se gabar para os ami­gos dizendo que está ombro a ombro com Linus Tor­valds ou Klaus Knoppix.

Nos bons tem­pos, a melhor forma de fazer um Linux era tomar cora­gem e aces­sar o Linux from Scratch (Linux a par­tir do Ras­cu­nho, em tra­du­ção livre). No LFS, os machos de ver­dade encon­tram ins­tru­ções para criar uma dis­tro a par­tir do código fonte, com expli­ca­ções sobre como fun­ci­ona a inte­ra­ção kernel/módulos/periféricos, sis­te­mas de arqui­vos, boot e estru­tu­ras de diretórios.

Bons tem­pos…

Mas as fer­ra­men­tas sur­gem e tor­nam tudo mais fácil. Com o Revi­sor, fer­ra­menta desen­vol­vida pelo Pro­jeto Fedora, você monta um Fedora ou um Cen­tOS de acordo com as suas neces­si­da­des: esco­lhe idi­o­mas, apli­ca­ti­vos, con­fi­gu­ra­ções de firewall e de rede e decide se quer mon­tar isso em um DVD, em Live CDs ou em CDs de instalação.

Os deta­lhes de como mon­tar seu Fedora (ou Cen­tOS) deixo para o exce­lente artigo do Igor Soa­res (chefe de tra­du­ção do Fedora e cri­a­dor da spin BrOf­fice), que vai sair na 4ª edi­ção da Revista Fedora Bra­sil, a ser lan­çada na semana que vem, mas o fato é que há uma grande quan­ti­dade de Fedo­ras rodando por aí e que podem agra­dar a mai­o­ria dos gos­tos. E se nenhum des­ses Fedo­ras for aquilo que você pro­cura, faça o seu!

O “porém” nessa his­tó­ria toda é que o Pro­jeto Fedora teve que lidar com o dilema de uso de sua marca regis­trada: se todas essas dis­tros são fei­tas a par­tir do Fedora, usando uma fer­ra­menta do Fedora e ins­ta­lando paco­tes do Fedora, seria cor­reto dizer que elas tam­bém são o Fedora?

Na visão do Pro­jeto, a res­posta é “não”. O Fedora fica sendo o que cha­ma­mos de “ups­tream”, ou seja, ele está num ponto ante­rior à cus­to­mi­za­ção. O uso que você faz do pro­duto fica sendo por sua conta. Entre­tanto, para que os usuá­rios tenham a pos­si­bi­li­dade de man­ter, ainda, algum vín­culo, mesmo que indi­reto com o Fedora, pensou-se no uso de uma marca alter­na­tiva e mais fle­xí­vel que a marca e o logo oficiais.

Par­tindo do con­ceito de cri­a­ção de uma marca que pudesse ser usada de modo “hono­rí­fico” ao pro­jeto, criou-se o con­ceito de “Fedora Remix”, que é um soft­ware não man­tido e nem patro­ci­nado pela Red Hat mas que deriva do Fedora. Você pode dar o nome que qui­ser à sua nova dis­tro e, quem sabe, adi­ci­o­nar o “Fedora Remix”, que acaba sendo uma publi­ci­dade positiva.

New logo guideline

Con­vém lem­brar que não estou nesse post incen­ti­vando você a fazer a sua pró­pria dis­tri­bui­ção para “domi­nar o mundo”. Faço parte do movi­mento “NÃO CRIE A SUA DISTRIBUIÇÃO LINUX” por­que, fran­ca­mente, tudo o que o mundo não pre­cisa é de mais uma dis­tro “ino­va­dora”, “para usuá­rios ini­ci­an­tes” e que não faz nada de dife­rente em com­pa­ra­ção a outras milha­res de “dis­tros ino­va­do­ras” de fundo de quintal.

Fazer um Linux é uma fer­ra­menta muito pode­rosa se você pre­cisa de um Linux que se enqua­dre à rea­li­dade de um cli­ente, ou da sua empresa ou do seu tra­ba­lho. Você pode pegar o Revi­sor e fazer, assim como eu faço, um Fedora super leve, com Flux­box, Abiword, Gnu­me­ric e Dillo pra dei­xar aque­les ter­mi­nais P266 fun­ci­o­nando. Acre­dite, um dia você pode precisar.

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Fim da vida do Fedora 8

O Pro­jeto Fedora divul­gou recen­te­mente uma nota para lem­brar aos seus usuá­rios de que o Fedora 8 (Werewolf) está che­gando ao fim da vida.

Com a che­gada do fim da vida do Fedora 8 bug­fi­xes e atu­a­li­za­ções dos paco­tes dei­xa­rão de ser publi­ca­dos, assim como todos os bugs ainda pen­den­tes no bug­zilla refe­ren­tes a ele serão fechados.

O tempo de vida de um Fedora é de 13 meses ou, de uma forma mais mate­má­tica, Fedora N+2 + 1 mês. Isso quer dizer que a cada 2 novos Fedo­ras e depois de mais um mês o Fedora N-2 “morre”.

Já que o lan­ça­mento do Fedora 10 ocor­reu no dia 25 de novem­bro, o fim do Fedora 8 estava pro­gra­mado para ocor­rer no dia 25 de dezem­bro (natal), o que daria à data um tom des­con­for­tá­vel, digno dos con­tos de Char­les Dic­kens. Ficou deci­dido, então, que excep­ci­o­nal­mente, o fim do Fedora 8 será adi­ado para o dia 7 de janeiro.

Outro fato que pesou bas­tante na deci­são foi que papai Noel usa Fedora 8 nos ser­vi­do­res da fábrica de brin­que­dos e o down­time para uma migra­ção pode­ria arrui­nar o natal de milhões de cri­an­ci­nhas ávidas por pre­sen­tes. Ho! Ho! Ho!

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