Projeto Fedora cria nova marca para os Fedoras customizados da comunidade

Hoje em dia já não é mais preciso ser um expert para ter a sua própria disrtribuição Linux e qualquer um provido de capacidade para clicar "next, next, finish" pode ter o prazer de se gabar para os amigos dizendo que está ombro a ombro com Linus Torvalds ou Klaus Knoppix.

Nos bons tempos, a melhor forma de fazer um Linux era tomar coragem e acessar o Linux from Scratch (Linux a partir do Rascunho, em tradução livre). No LFS, os machos de verdade encontram instruções para criar uma distro a partir do código fonte, com explicações sobre como funciona a interação kernel/módulos/periféricos, sistemas de arquivos, boot e estruturas de diretórios.

Bons tempos...

Mas as ferramentas surgem e tornam tudo mais fácil. Com o Revisor, ferramenta desenvolvida pelo Projeto Fedora, você monta um Fedora ou um CentOS de acordo com as suas necessidades: escolhe idiomas, aplicativos, configurações de firewall e de rede e decide se quer montar isso em um DVD, em Live CDs ou em CDs de instalação.

Os detalhes de como montar seu Fedora (ou CentOS) deixo para o excelente artigo do Igor Soares (chefe de tradução do Fedora e criador da spin BrOffice), que vai sair na 4ª edição da Revista Fedora Brasil, a ser lançada na semana que vem, mas o fato é que há uma grande quantidade de Fedoras rodando por aí e que podem agradar a maioria dos gostos. E se nenhum desses Fedoras for aquilo que você procura, faça o seu!

O "porém" nessa história toda é que o Projeto Fedora teve que lidar com o dilema de uso de sua marca registrada: se todas essas distros são feitas a partir do Fedora, usando uma ferramenta do Fedora e instalando pacotes do Fedora, seria correto dizer que elas também são o Fedora?

Na visão do Projeto, a resposta é "não". O Fedora fica sendo o que chamamos de "upstream", ou seja, ele está num ponto anterior à customização. O uso que você faz do produto fica sendo por sua conta. Entretanto, para que os usuários tenham a possibilidade de manter, ainda, algum vínculo, mesmo que indireto com o Fedora, pensou-se no uso de uma marca alternativa e mais flexível que a marca e o logo oficiais.

Partindo do conceito de criação de uma marca que pudesse ser usada de modo "honorífico" ao projeto, criou-se o conceito de "Fedora Remix", que é um software não mantido e nem patrocinado pela Red Hat mas que deriva do Fedora. Você pode dar o nome que quiser à sua nova distro e, quem sabe, adicionar o "Fedora Remix", que acaba sendo uma publicidade positiva.

New logo guideline

Convém lembrar que não estou nesse post incentivando você a fazer a sua própria distribuição para "dominar o mundo". Faço parte do movimento "NÃO CRIE A SUA DISTRIBUIÇÃO LINUX" porque, francamente, tudo o que o mundo não precisa é de mais uma distro "inovadora", "para usuários iniciantes" e que não faz nada de diferente em comparação a outras milhares de "distros inovadoras" de fundo de quintal.

Fazer um Linux é uma ferramenta muito poderosa se você precisa de um Linux que se enquadre à realidade de um cliente, ou da sua empresa ou do seu trabalho. Você pode pegar o Revisor e fazer, assim como eu faço, um Fedora super leve, com Fluxbox, Abiword, Gnumeric e Dillo pra deixar aqueles terminais P266 funcionando. Acredite, um dia você pode precisar.

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About the Author

Embaixador, empacotador e tradutor do Projeto Fedora, atualmente ocupa o cargo de Diretor de Softwares na Prefeitura de Paracambi (RJ). É graduando em engenharia química pela UFRRJ, escritor e desenhista.