O último post do ano

Como post de ano novo eu gostaria de deixar um desabafo. O Linux é um fenômeno maravilhoso, mas trabalhar com isso de software livre e comunidade livre tem seu lado frustrante e deprimente também.

Um dos motivos pelos quais abandonei os fóruns (e isso já faz muito tempo), foi constatar que ali, nos fóruns, está refletido o comportamento generalizado dos usuários. Embora quase todas as perguntas tenham uma resposta (basta usar o mecanismo de busca) os tópicos infinitos de "como se instala isso ou aquilo" sempre voltam à tona. Falta a cordialidade de retornar um "obrigado"a todos aqueles que se deram ao trabalho de tentar ajudar e, muitas vezes, depois de conseguir o que quer, o usuário nunca mais volta.

A comunidade é incapaz de responder a uma enquete, de reportar um erro e ainda assim exige que seu sistema funcione perfeitamente, assumindo muitas vezes a já conhecida postura de "essa porcaria de Linux não funciona".

Eu não sei se essa postura parasitária é algo cultural do nosso país, onde o barato é ganhar muito sem fazer nada, mas com o passar dos anos começo a entender o motivo que levou grandes nomes a se afastarem mais do contato direto dos usuários para se dedicarem a algo mais produtivo e menos decepcionante.

Entendo bem que a maioria dos usuários quer somente usar seu sistema, em paz, no aconchego do lar e sem ter que se preocupar com questões bobas como softwares e hardwares. No futuro, creio eu, isso de software e hardware vai ser transparente ao usuário; o ponto aqui é que há pessoas de menos se envolvendo e pseudo linuxistas demais reclamando, fazendo ruído e dando as costas.

A realidade é que toda a comunidade Linux no Brasil está apoiada nos ombros de poucas pessoas; o trabalho a ser feito é imenso e o retorno das horas de dedicação varia de acordo com os níveis de hormônios de cada um: às vezes tudo parece valer a pena, às vezes não.

De qualquer forma, a minha promessa para o próximo ano é ser mais comedido e menos obcecado; passar menos tempo em frente ao computador e ir lá fora ver o tempo mais vezes.

Feliz ano novo a todos.

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5 Responses to “O último post do ano”


  • Assino em baixo!
    Eu par­ti­ci­pava ati­va­mente do Viva O Linux e sem­pre via essa pre­guiça de pro­cu­rar! Eram coi­sas tão sim­ples que uma sim­ples busca no Goo­gle resol­via o pro­blema. Além disso, sem­pre tinham uns caras (trolls) que fica­vam enchendo o saco. Aí você man­dava um artigo ou script e vinham comen­tá­rios dizendo que aquilo era um lixo, que você não sabia nada de Linux…
    Não é legal gene­ra­li­zar. Há muita gente boa ali! Há pes­soas que retor­nam para agra­de­cer, que reco­nhe­cem que você não ganha dinheiro para aju­dar, mas o faz por pra­zer!
    Tam­bém não acho que seja só um pro­blema do Bra­sil. É fato que recla­mar e per­gun­tar sem pes­qui­sar é muito mais fácil e infe­liz­mente a mai­o­ria das pes­soas leva isso ao pé da letra…
    De qual­quer forma, esse lance de ano novo é legal, para revi­go­rar as nos­sas for­ças! Sem­pre fica aquela espe­rança de que o ano novo será melhor! Sem­pre tem aquela inje­ção de ânimo que nos per­mite come­çar tudo de novo e fazer melhor! Ano que vem será ótimo, cara! Como diriam os tri­ba­lis­tas: Pé em Deus e Fé na Tábua! Vai dar tudo certo!
    Um abraço e feliz 2009!!!

  • Hen­ri­que,
    Sim, a cul­tura para­si­tá­ria é regra em nosso país e vem desde o “acha­mento” do Bra­sil pelos por­tu­gue­ses. Infe­liz­mente nosso DNA é podre. Se você acha que estou exa­ge­rando, me diga uma única ex-colônia por­tu­guesa que deu certo, umi­nha só.

    Então tra­ze­mos desde os pri­mór­dios o ranço que depois foi muito bem nome­ado (infe­liz­mente para quem o fez) de “Lei de Gér­son”; é aquela onde se leva van­ta­gem em tudo. Ao con­trá­rio do que pode ima­gi­nar, ela é como um vírus que se espa­lha por toda a soci­e­dade e o soft­ware livre não pode­ria ficar de fora.

    O que você vê atu­a­lemnte eu já per­cebi há anos atrás e da mesma forma que você, dei­xei de lado as para­si­tas para cui­dar “do meu”. A rup­tura foi tão grande que até mesmo de SO e hard­ware eu tro­quei (hoje uso Mac) para não pas­sar pelas coi­sas que pas­sei nova­mente. A minha con­cep­ção de liber­dade é muito maior que um sim­ples soft­ware; passa prin­ci­pal­mente pela tole­rân­cia a diver­si­vi­dade, coisa que pouco existe na comu­ni­dade brasileira.

    Alguns podem até dizer que esta é uma visão bem mes­qui­nha mas eu sim­ples­mente deito e durmo tran­qui­la­mente. Quando posso fazer, faço, quando não posso, desculpe-me mas não posso.

    Não se pegue pre­o­cu­pado com o que podem falar ou não de você ou de seu tra­ba­lho. Tenha cer­teza que vão falar por­que é o que mais sabem fazer. Deixe para lá e faça aquilo que tem von­tade somente e que lhe deixe bem. Se alguém qui­ser usar/ajudar, ótimo, caso con­trá­rio, feliz con­sigo mesmo estará.

    Um ótimo 2009, dife­rente, para você.

  • Faço suas pala­vras a miha.

    A um tempo eu resolvi con­tro­lar meu tempo, hora pra acor­dar, para ler e estu­dar, e hora para tra­ba­lhar, depois de fazer isso, faço o que dese­jar, seja no pc ou seja lá fora, eu gosto de sair. Assim como eu tento tomar coca-cola ape­nas aos domingo, eu tento sair ao domin­gos, nas horas vagas que não envolve meu tra­ba­lho e nem pas­sar tempo.

    Agora, sobre a comu­ni­dade Linux, eu estou sem­pre lendo fóruns de Linux, PHP, Tec­no­lo­gia, Filo­so­fia, Hos­tó­ria… Tudo, mais isso é ape­nas das 9h às 13h. Visito fre­quen­ti­mente os sites dos meu favo­ri­tos, não todo dia, mas visito, e cada infor­ma­ção que recebo e posso dizer obri­gado eu digo, a cada um que posso aju­dar, eu ajudo e mui­tas vezes me dizem obri­gado, ainda mas no IRC, que lá sou um novato, mas ajudo muito e faço com que as pes­soas me com­pre­enda, se estou ocu­pado eu digo, aguarde que ajudo já, é assim que faço.

    É isso, um feliz ano novo a todos e para­béns pelo post, pois isso colo­car nos­sas mente a debater.

    Abraço, Sér­gio Mandrake.

  • “De qual­quer forma, a minha pro­messa para o pró­ximo ano é ser mais come­dido e menos obce­cado; pas­sar menos tempo em frente ao com­pu­ta­dor e ir lá fora ver o tempo mais vezes.”

    Isso é muito bom. Con­si­dero que todo con­tri­bui­dor deva fazer isso, con­si­de­rando con­tri­buir quando ape­nas sen­tir pra­zer. Frus­tra­ção é um sen­ti­mento nor­mal, que acre­dito eu, já foi sen­tido pela grande mai­o­ria das pes­soas ati­vas de nos­sas comu­ni­da­des. Há sim, os que sem­pre sugam, mas há aque­les que com elo­gios e comen­tá­rios, nos moti­vam a con­ti­nuar no cami­nho. Espero que as cha­te­a­ções não supe­rem o seu entu­si­asmo com o SL.
    Abraço

  • edu­ca­ção… come­cei no linux faz uns 2 meses, as vezes tenho dúvi­das, e peço ajuda sim, mas sem­pre vem um por favor, obri­gado, e sem­pre volto pra ler notí­cias…
    vi um caso de uma pes­soa ligando para o “tecnico”(amigo meu) dizendo que seu PC estava com defeito, quando o cara che­gou na casa da pes­soa, viu que a infe­liz estava usando o mouse com o pé…

    você acha que deve­mos espe­rar muito disso? acho que não

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