Monthly Archive for fevereiro, 2009

Presto! Atualize seu sistema num passe de mágica.

De todas as fea­tu­res pro­me­ti­das para o Fedora 11 a que mais aguardo é o “Presto“1. Ape­sar do nome meio bob­nho a adi­ção do presto como um padrão no Fedora vai bene­fi­ciar a todos os usuá­rios com as mara­vi­lhas do Delta RPM — Enfim, vou poder parar de babar em cima do open­Suse, que já tra­zia o recurso há algum tempo.

O Delta RPM foi uma grande sacada dos enge­nhei­ros da Novell, eles pen­sa­ram: “Ei! Por que bai­xar o RPM inteiro toda vez que acon­tece um update? E se fosse pos­sí­vel bai­xar só a parte que teve update e juntá-la com o soft­ware a ser atu­a­li­zado?”. Pois fun­ci­o­nou. Um Delta RPM pode gerar eco­no­mias de mais de 90% em down­lo­ads (minha cone­xão de 300 Kb agradece).

Os usuá­rios do Fedora, na ver­dade, já podem tes­tar o Delta RPM há algum tempo (desde o Fedora 7 se não me engano), mas essa fea­ture sem­pre ficou meio “de lado”, como um tipo de recurso à moda “ama­nhã eu testo”.

A des­van­ta­gem de usar Delta RPM agora é que a pro­du­ção em massa de paco­tes ainda não come­çou e quase tudo estava limi­tado aos esfor­ços de Jonathan Die­ter que man­ti­nha os repo­si­tó­rios de Del­tas. Isso sig­ni­fica que os upda­tes em Delta podem demo­rar um pouco, mas sem­pre chegam.

Com apro­xi­ma­da­mente 200 usuá­rios usando o Presto atu­al­mente os resul­ta­dos não pode­riam ser mais posi­ti­vos. Usei durante mais de um ano (meio pre­o­cu­pado, devo con­fes­sar), mas tudo cor­reu sem problemas.

Com a che­gada do Presto, um desa­fio de infra­es­tru­tura come­çou no Pro­jeto Fedora: fazer com que cada RPM tenha sua con­tra­parte Delta da forma mais ele­gante pos­sí­vel. Para enten­der melhor, saiba que o Pro­jeto Fedora usa dois sis­te­mas para gerar seus paco­tes e orga­ni­zar tudo: Koji é o res­pon­sá­vel pela cons­tru­ção de paco­tes em todas as arqui­te­tu­ras e Bodhi, que é o res­pon­sá­vel por tes­tar cada pacote e dar-lhes des­tino para os repo­si­tó­rios cer­tos. Na fase atual, a equipe de infra está hac­ke­ando o Bodhi para que ele gere os del­tas e estão lidando com pro­ble­mas do tipo “Onde guar­dar os del­tas?” ou “Como gerar os del­tas? Na hora exata em que o RPM é feito ou fazer tudo de uma vez só depois?”. Além disso sur­giu um pro­blema de lógica. Vamos pen­sar o seguinte:

  • Saiu o soft­ware cha­mado generic-0.1;
  • Com o pas­sar do tempo ele sofre três atu­a­li­za­ções: generic-0.2, generic-0.3 e generic-0.4
  • Você, caro lei­tor, que é um cara ante­nado a gosta sem­pre de estar “na crista da onda”, vai ter seu soft­ware sem­pre atu­a­li­zado, por­tanto, estará usando o generic-0.4
  • Manoel, que não gosta de atu­a­li­zar ou que não atu­a­liza fre­quen­te­mente ainda está no generic-0.2, mas deci­diu atu­a­li­zar agora, direto do 0.2 pro 0.4.

Quan­tos Delta RPMs são pre­ci­sos gerar para garan­tir que seja pos­sí­vel atu­a­li­zar de todas as ver­sões para uma mais atual (não neces­sa­ri­a­mente A mais atual) sem excluir ninguém?

Entenda-se nessa ques­tão o seguinte: é pre­ciso garan­tir que exis­tam Delta RPMs para todas as pos­si­bi­li­da­des de atu­a­li­za­ção, logo, existe neces­si­dade de garan­tir que seja pos­sí­vel atu­a­li­zar de generic-0.1 para generic-0.2, de generic-0.1 para generic-0.3, de generic-0.1 para generic-0.4, de generic-0.2 para generic-0.3, de generic-0.2 para generic-0.4 e de generic-0.3 para generic-0.4 (sem excluir nenhuma possibilidade).

Se achou tudo isso muito com­pli­cado, basta dizer que para cada ver­são de um soft­ware, se ele tiver n ver­sões será pre­ciso gerar (n^2-n)/2 Delta RPMs. Ou seja: se o Fire­fox tiver 5 ver­sões nos repo­si­tó­rios vamos pre­ci­sar de(5^2 - 5)/2 = 10 Delta RPMs para ele.

A chance de tudo estar pronto para o Fedora 11 é grande (95% até o momento) e eu estou na tor­cida, acom­pa­nhando cada passo como se fosse o novo capí­tulo daquela novela mexi­cana favo­rita. =) Me deem um des­conto, cone­xão de 300 Kb…

Quer tes­tar o Delta RPM no seu fedora?

Ins­tale o plug-in:

# yum install yum-presto

Habi­lite o repo­si­tó­rio de Delta RPMs:

No Fedora 10 edite o arquivo /etc/yum.repos.d/fedora-updates.repo. Comente o mir­ror­list antigo e adi­ci­one este novo:

mirrorlist=http://presto-mirrors.anmar.eu.org/mirrorlist?repo=updates-released-f$releasever&arch=$basearch

No Fedora 9 edite o arquivo /etc/yum.repos.d/fedora-updates-newkey.repo. Comente o mir­ror­list antigo e adi­ci­one este novo:

mirrorlist=http://presto-mirrors.anmar.eu.org/mirrorlist?repo=updates-released-f$releasever.newkey&arch=$basearch
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  1. http://fedoraproject.org/wiki/Releases/FeaturePresto
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Fedora 11: Pisando na bola?

Pois é pes­soal, estou pre­vendo para o Fedora 11 a che­gada de uma mul­ti­dão enfu­re­cida, com tochas e anci­nhos. Cer­tas deci­sões (pelo menos do meu ponto de vista) indu­bi­ta­vel­mente bur­ras das equi­pes de desen­vol­vi­mento ainda con­se­guem me chocar.

Li ontem as notas de ver­são1 do pró­ximo Fedora e vi que há pou­cas gran­des sur­pre­sas. A mai­o­ria das novi­da­des não me afe­tam muito dire­ta­mente, por exem­plo, eu não uso o Net­be­ans e não sei o que sig­ni­fica ser con­tem­plado com a ver­são 6.5 do apli­ca­tivo, e, sin­ce­ra­mente, não uso o Git para me empol­gar em saber que o F11 virá com a ver­são 1.6.1.1.

O que mais me cha­mou a aten­ção foi saber que, a par­tir de agora, a fun­ção ctrl-alt-backspace será desa­ti­vada. Sim, é isso mesmo: se o seu X tra­var (e isso acon­tece muito) você vai ter que mudar para um dos ter­mi­nais vir­tu­ais e digi­tar “kil­lall Xorg”.

A deci­são cau­sou certa como­ção entre os desen­vol­ve­do­res e tes­ta­do­res e fui pro­cu­rar os moti­vos que moti­va­ram (moti­vos que moti­va­ram?) essa deci­são burra. Ficou claro depois de ler tone­la­das de emails que isso é uma deci­são da equipe de desen­vol­vi­mento do X (ups­tream). A fun­ção ctrl-alt-backspace foi con­si­de­rada um risco de segu­rança e virá desa­bi­li­tada nas pró­xi­mas ver­sões do X. Segundo os desen­vol­ve­do­res do X Ser­ver, mui­tos usuá­rios recla­ma­ram de aper­tar as teclas aci­den­tal­mente quando iam usar “ctrl-backspace” ou “alt-backspace”; além disso ctrl-alt-backspace é uma com­bi­na­ção usada para dele­tar expres­sões em C e em Java no Emacs. Faz parte da polí­tica do Fedora sem­pre ser fiel ao Ups­tream2 e por isso essa deci­são da equipe do X nos afe­tará diretamente.

Para rea­ti­var a fun­ção, avi­sam os desen­vol­ve­do­res, é pre­ciso criar o seu xorg.conf e adi­ci­o­nar a seguinte linha:

Option "DontZap" "false"

à seção ServerFlags.

Não gos­tei nem um pouco dessa deci­são e o que vem sendo dis­cu­tido nos cor­re­do­res é sobre a pos­si­bi­li­dade de adi­ci­o­nar um patch que habi­lite a fun­ção. Ainda ontem, um amigo me disse que o Ubuntu 9.04 já vem com o ctrl-alt-backspace desa­ti­vado. Se isso é ver­dade eu não sei, já que não uso Ubuntu, mas sei que os usuá­rios não devem ter gos­tado muito tam­bém, a menos que sejam iguais aos mon­go­lói­des que con­se­guem con­fun­dir ctrl-alt-backspace com qual­quer outra com­bi­na­ção de teclas.

Como nem tudo é pas­sar raiva, a boa mudança que vem por aí no Fedora (tam­bém meio cho­cante para mim) é que ire­mos parar de usar ext3/ext4 por padrão e pas­sa­re­mos ao Btrfs, pro­va­vel­mente no Fedora 12. Essa notí­cia me dei­xou bas­tante empol­gado por­que o Btrfs é um sis­tema de arqui­vos impres­si­o­nante. Aceita volu­mes com até 16 exaby­tes de tama­nho (um bilhão de gigaby­tes) e os arqui­vos podem ter um tama­nho de até 16 exaby­tes; além, claro de um monte de outros recur­sos inte­res­san­tes. O novís­simo ext4, em com­pa­ra­ção, suporta volu­mes de 1 exabyte com arqui­vos de até 16 terabytes.

Já é pos­sí­vel ins­ta­lar seu sis­tema em Btrfs no Fedora 11, basta digi­tar no prompt de ins­ta­la­ção o seguinte comando:

icantbelieveitsnotbtr

Qual­quer novi­dade, vocês serão os pri­mei­ros a saber. Fiquem liga­dos. ;) Que venham as tochas e ancinhos!

  1. https://fedoraproject.org/wiki/Fedora_11_Alpha_release_notes
  2. Ups­tream são os desen­vol­ve­do­res ori­gi­nais do soft­ware
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