Monthly Archive for abril, 2009

Eu também sou código fechado

closedSim, sim, pes­soal, eu tam­bém sou código fechado. Recen­te­mente li no site do meu amigo Max Raven (se não me engano) uma maté­ria que expres­sava muito bem um efeito cola­te­ral dessa coisa de “dei­xar livre” tudo aquilo que pro­du­zi­mos. Dizia o artigo que empre­sas aus­tra­li­a­nas esta­vam indo ao Flickr bus­car fotos de meni­nas boni­ti­nhas para usar em suas cam­pa­nhas publi­ci­tá­rias, mas (sem­pre tem um mas) bus­cava somente as fotos licen­ci­a­das sob Cre­a­tive Com­mons que per­mi­tisse o uso irres­trito das fotos. As tais empre­sas valendo-se da polí­tica livre (que está muito na moda) eco­no­mi­za­vam alguns dígi­tos com as mode­los e ainda tinham o amparo legal que jus­ti­fi­casse essa atitude.

É por essas e outras que as minhas fotos no Flickr são todas com “todos os dire­tos reser­va­dos”, assim como os meus tex­tos no Recanto das Letras. Não quero dizer que eu tenha talento para, por exem­plo, ser rou­bado pela Nati­o­nal Geo­graphic nas minhas fotos, mas acre­dito que aproveitar-se do talento alheio para bene­fí­cio finan­ceiro pró­prio é uma ati­tude assaz baixa, até mesmo para uma empresa.

Essa calhor­da­gem é muito mais comum do que se pode pen­sar. Usar o nome GPL em vão é uma velha tática para atrair trou­xas seden­tos pela pro­messa de uma solu­ção livre e barata para seus problemas.

Ano pas­sado a Pre­fei­tura onde tra­ba­lho ini­ciou um pro­cesso de abo­li­ção da escra­va­tura e deci­diu usar solu­ções livres em tan­tas áreas quan­tas fos­sem pos­sí­veis. Des­co­bri­mos um soft­ware cha­mado i-Educar que era licen­ci­ado pela GPL e fomos atrás. Pri­meiro de tudo, a enorme difi­cul­dade para che­gar aos códi­gos fonte do soft­ware já demons­tra­vam a “boa fé” da tal empresa por trás da solu­ção. Quando, final­mente che­ga­mos ao código fonte, tratava-se de uma ver­são muito mais antiga que a ver­são cor­rente e, por fim, diver­sos arqui­vos do tal código fonte haviam sido excluí­dos e outros reno­me­a­dos com suges­ti­vos nomes como xxx.php. Os manu­ais de ins­ta­la­ção, pre­cá­rios, reple­tos de hia­tos e total­mente desen­con­tra­dos com o código fonte que foi alte­rado pelo pes­soal da Cobra (segundo os desen­vol­ve­do­res do tal i-Educar).

Não con­ti­nu­a­mos cor­rendo atrás da solu­ção, enfim, pois depois de tro­car inú­me­ros e-mails, par­ti­ci­par de chats e lis­tas de dis­cus­são ofereceram-me o suporte para ins­ta­lar o i-Educar, afi­nal, se eu não con­se­gui fazer fun­ci­o­nar era pre­ciso o suporte (enten­de­ram a jogada?) que cus­tava (não me lem­bro bem), R$ 3.000 ou 10.000.

Mais impor­tante nisso tudo é que a ima­gem do soft­ware livre ficou quei­mada e con­forme pala­vras do supe­rin­ten­dente na época: “esse negó­cio de soft­ware livre é pica­re­ta­gem!”. O que pode­ria dizer em defesa do soft­ware livre eu disse, mas ele não pare­ceu acre­di­tar muito.

Depois que desis­ti­mos do i-Educar (isso faz um quase ano) nunca mais pro­cu­rei saber como anda o soft­ware — e nem me inte­ressa para ser sin­cero — mas eles foram um caso clás­sico de uma pos­tura comum: aproveitar-se do “Livre” para dis­tor­cer o con­ceito em bene­fí­cio próprio.

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Sete boas práticas para ser um “computeiro” civilizado

Dia des­ses me peguei pen­sando sobre como as coi­sas mudam rápido. Até pouco tempo, não faz dez anos sequer, a vida na inter­net era vista etiquettecomo coisa de maluco e de nerds sem namo­rada, iso­la­dos da soci­e­dade, mas agora a inter­net virou a maior pra­ci­nha do mundo (moro em cidade pequena, aqui ainda temos pra­ci­nhas). Meus pro­fes­so­res pas­sam e-mails, meu pai tem Orkut, e mesmo aque­les dota­dos de menor QI usam o com­pu­ta­dor como parte de sua vida social. Anti­ga­mente um com­pu­ta­dor ins­pi­rava medo e res­peito naque­les que tinham o pri­vi­lé­gio de ver uma máquina des­sas de perto, hoje em dia a sua irmã­zi­nha te manda rapar fora do PC por­que ela está cheia de reca­dos não res­pon­di­dos no Orkut.

Não, caro lei­tor, isso que você está lendo não são as refle­xões de um homem velho fazendo o balanço do fim da vida (tenho 30 anos). As mudan­ças todas acon­te­ce­ram muito rápido: em menos de 20 anos sal­ta­mos de pri­ma­tas assis­ti­do­res de TV e lei­to­res de jor­nal impresso para inter­nau­tas com celu­la­res que enviam fotos, tocam música e pos­si­bi­li­tam que você seja encon­trado onde quer que esteja a qual­quer hora do dia (nem tudo é per­feito). Agora, nessa fase em que os com­pu­ta­do­res já foram incor­po­ra­dos ao nosso meio de vida resta-me per­gun­tar: você sabe par­ti­ci­par desse novo mundo sem ser um egoísta, mal edu­cado ou um chato? Pois apro­vei­tei essa pequena folga para escre­ver uma lista de 7 coi­sas que con­si­dero impor­tan­tes na rela­ção digi­tal de hoje em dia.

1 — Passe adiante

O tor­rent nos pos­si­bi­li­tou uma maneira muito inte­li­gente de com­par­ti­lhar arqui­vos: quanto mais pes­soas fazendo down­lo­ads, mais rápido o down­load fica, mas é uma prá­tica comum que as pes­soas des­li­guem o tor­rent logo depois de con­se­gui­rem o que que­rem. A melhor prá­tica nesse caso é ficar de olho na sua “pro­por­ção de com­par­ti­lha­mento”. Seja legal e passe o arquivo adi­ante, espere para des­li­gar o tor­rent só depois de ter pas­sado para outras pes­soas um valor igual ou maior que 100% daquele que você baixou.

2 — Não ignore o adsense (não é nenhuma indireta)

Se você gosta daquele site e está sem­pre lá, por­que não cli­car no adsense? Não se esqueça de que algum bom sama­ri­tano fez o site que você tanto gosta sem pedir nada (ou quase nada) em troca. Cli­car num adsense demora ape­nas 2 segun­dos e vai con­tri­buir com ape­nas 0,00001% para aquela sua ten­di­nite. O dono do site vai ficar con­tente de rece­ber aquele tro­qui­nho do Goo­gle, você vai ficar con­tente por­que um blo­gueiro com grana é um blo­gueiro que escreve mais e o Goo­gle vai ficar mais feliz enquanto dá uma risada dia­bó­lica e esfrega as mãos…

3 — Escreva em português

Se vai botar as mãos no teclado faça um favor a si mesmo: escreva direito. Se não é bom em por­tu­guês, escreva antes no seu edi­tor de texto e passe o cor­re­tor orto­grá­fico. Quem manda um texto cheio de erros gros­sei­ros fica com ima­gem de **burro**, igno­rante e essas duas qua­li­da­des, con­se­quen­te­mente, são logo asso­ci­a­das à incompetência.

Nin­guém vai que­rer que você seja um Machado de Assis na hora de escre­ver seu texto, mas pes­so­al­mente, quando vejo um texto assim, escrito com uma gra­má­tica de doer os olhos, sem espa­ços entre a pon­tu­a­ção ou naquele migu­xês mal­dito pro­curo logo dele­tar e ir tomar um café. Se qui­ser ser levado a sério escreva direito.

4 — Seja educado

Ainda exis­tem algu­mas pes­soas que têm difi­cul­dade de enten­der que a inter­net tornou-se um meio de con­ví­vio social como outro qual­quer e que a pala­vra escrita tam­bém tem o poder de ofen­der e magoar. A dica é: aja como agi­ria se a pes­soa esti­vesse perto de você. Se vai sair, avise; se não quer ser inco­mo­dado mude o sta­tus do MSN; se vai res­pon­der alguém num fórum não faça bai­xa­ria. Aqui eu sou adepto do BAN. Encheu o saco, rodou.

5 — Agradeça

OK, você ganhou algo. Como é que se diz?

Pode pare­cer bes­teira, mas um “obri­gado” faz a dife­rença entre você ter von­tade de con­ti­nuar um tra­ba­lho ou que­rer terminá-lo man­dando todos para aquele lugar. Veja, por exem­plo, o pes­soal que faz legen­das de séries na inter­net. Sejam lá quem forem, eles fazem a legenda, sin­cro­ni­zam, revi­sam e enco­dam tudo em menos de 24 horas. Depois, alguém se encar­rega de fazer o upload de 140 ~ 200 MB e então dis­para por aí o aviso de que a série XY está disponível.

Pra ter ideia, a série House M.D está com delay de ape­nas um dia em rela­ção aos EUA.

Você já agra­de­ceu alguma vez enquanto bai­xava a sua série favorita?

6 — NADA DE ESCREVER EM CAIXA ALTA

Escre­ver em caixa alta é quando VOCÊ ESCREVE EM MAIÚSCULAS e, fran­ca­mente, isso causa uma tre­menda má impres­são. No tra­ba­lho já recu­sei pedi­dos envi­a­dos ao meu e-mail por causa da caixa alta. A maior parte das vezes, o tipo de gente que escreve em caixa alta é de gente sem noção, que gosta de apa­re­cer mas que acaba sofrendo o efeito inverso, jus­ta­mente por ser “sem noção”. Você fica pen­sando “que tipo de pro­fis­si­o­nal manda um e-mail desses?”.

7 — Volun­ta­ri­ado tam­bém é compromisso

O povo ouve muito falar em soft­ware livre, em par­ti­ci­par, em con­tri­buir, mas quando a porca torce o rabo a mai­o­ria das pes­soas pula fora. Isso acon­tece em todos os seto­res e ver­ten­tes “free” do mundo open source. Ocorre nas equi­pes de tra­du­ção, ocorre entre os embai­xa­do­res do Fedora, ocorre na Revista Fedora Bra­sil e, com cer­teza, tam­bém nos outros luga­res que acei­tem con­tri­bui­do­res. As pes­soas con­fun­dem volun­ta­ri­ado com des­com­pro­misso, mas é jus­ta­mente o con­trá­rio. Se você se com­pro­me­teu a aju­dar um pro­jeto “open” as pes­soas esta­rão con­tando com você e no caso de um “desa­pa­re­ci­mento” ou de come­çar a inven­tar des­cul­pas sem fim para rea­li­zar a sua tarefa a ima­gem que fica ante o grupo é de que você é uma fraude. Se acon­te­cer um impre­visto e não puder arcar com sua par­ti­ci­pa­ção nos pro­je­tos, deixe um aviso. Isso vai per­mi­tir que o pro­jeto se rees­tru­ture, pre­serva a sua ima­gem e lhe dei­xará as por­tas sem­pre aber­tas no futuro.

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Nova funcionalidade do YUM e o 100º post no blog

Como voltar no tempo?Já faz bas­tante tempo que come­cei esse blog. Par­ti­cu­lar­mente, no iní­cio eu não acre­di­tava que iria che­gar muito longe com isso de blog por­que não tenho muita paci­ên­cia para ati­vi­da­des a longo prazo (um bônus da TDAH que me ator­menta) e nunca fui de per­der meu tempo com Orkut, Face­book e Twit­ter, embora tenha essa bes­tei­rada toda nas minhas iden­ti­da­des vir­tu­ais. Acho que o blog aca­bou dando certo por­que embora seja bem diver­tido, nas minhas fases de “saco cheio” eu posso sim­ples­mente deixá-lo mofando e, sem o mínimo pudor, não pos­tar durante semanas.

Pois toda essa babo­seira me ocor­reu, caro lei­tor, por­que esse post é o post número 100 e eu quis saber por ante­ce­dên­cia qual seria o assunto do cen­té­simo post. Que­ria algo legal e inte­res­sante; um texto iné­dito do jeito que gosto de fazer, mas tudo isso é cir­cuns­tan­cial, o cen­té­simo post vem como vir e esse aqui vai falar sobre o YUM.

Aca­bei de saber que o YUM 3.2.22–2 no Fedora 11 vai tra­zer um recurso muito inte­res­sante, o “yum downgrade”.

Seja­mos sin­ce­ros: quan­tas vezes você atu­a­li­zou um soft­ware só para des­co­brir que ele não fun­ci­o­nava? Aí,vinha toda aquela tarefa chata de fazer o down­grade à unha (um porre!). Com o advento dessa fun­ção passa a ser pos­sí­vel fazer down­grade sem (muito) sofri­mento: basta digitar

# yum down­grade foo

E o soft­ware foo será ins­ta­lado em sua ver­são ime­di­a­ta­mente ante­rior, ou, se você pre­fe­rir, pode digi­tar para qual ver­são gos­ta­ria de descer:

# yum down­grade foo-0.1–1

No entanto, como o geren­ci­a­dor de depen­dên­cias do YUM ainda não sabe como tra­tar os down­gra­des, ape­nas o pacote foo será desa­tu­a­li­zado e as depen­dên­cias con­ti­nu­a­rão into­ca­das. Desse modo, até que a fun­ci­o­na­li­dade ama­du­reça mais um pouco, se for pre­ciso desa­tu­a­li­zar um pacote e todas as suas depen­dên­cias, você deverá digi­tar o nome do pacote a fazer down­grade seguido das dependências.

Vale lem­brar que essa fun­ci­o­na­li­dade ainda é recente e vai evo­luir muito, por isso, pre­ci­sa­mos ser pacientes.

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Ooops, erramos! Fedora 11 Beta (KDE Live 64 bits) saiu com pacotes de 32 bits

opsPois é, pes­soal, como nin­guém é per­feito somos obri­ga­dos a pedir que todos os que bai­xa­ram as ver­sões F11-Beta-x86_64-Live-KDE.iso come­cem nova­mente a bai­xar as ima­gens do zero. Devido a um engano, as ver­sões 64 bits foram com­pos­tas com paco­tes de 32 bits. As ima­gens já foram recri­a­das e agora estão OK. Se você bai­xou as ima­gens dos códi­gos fonte esse aviso tam­bém serve para você.

O anún­cio foi feito por Jesse Kea­ting e nós real­mente lamen­ta­mos se isso criar algum incô­modo e pedi­mos desculpas.

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Fechamento de caso: a invasão dos servidores Fedora

securityEm 12 de agosto de 2008 o Pro­jeto Fedora pas­sou pelo que, pro­va­vel­mente, foi o momento de maior ten­são desde que as ati­vi­da­des foram ini­ci­a­das em 2003. Tornou-se público o fato de que um de nos­sos ser­vi­do­res foi com­pro­me­tido por um inva­sor e que tal inva­sor pode­ria ter aces­sado os softwa­res res­pon­sá­veis pela assi­na­tura dos paco­tes RPM for­ne­ci­dos pelo Fedora, o que lhe per­mi­ti­ria assi­nar paco­tes frau­du­len­tos, cri­ando um ver­são Linux dos vírus e cava­los de troia.

A his­tó­ria toda gerou uma celeuma na comu­ni­dade com espe­cu­la­ções a res­peito do impacto que isso pode­ria ter na ima­gem do pro­jeto frente aos usuá­rios e sobre quão seguro real­mente era o Fedora e, final­mente, depois de 9 meses de inves­ti­ga­ções, os rela­tó­rios da equipe encar­re­gada de inves­ti­gar o ocor­rido vem escla­re­cer como o intruso inva­diu o ser­vi­dor, o que ele fez e o que pre­ten­dia com isso.

As inves­ti­ga­ções nos logs de acesso e usos do sudo mos­tra­ram que o inva­sor foi capaz de inva­dir o sis­tema após se apo­de­rar de uma chave SSH pri­vada per­ten­cente a um dos admi­nis­tra­do­res de infra estru­tura do Pro­jeto Fedora, como esta chave SSH não era pro­te­gida por pas­sword o intruso foi capaz de utilizá-la para ter acesso ao ser­vi­dor e usando o comando sudo alte­rou a senha do usuário.

Com o acesso garan­tido ao ser­vi­dor, o intruso tinha acesso ao soft­ware que con­ti­nha as cha­ves para assi­na­tura dos paco­tes RPM gera­dos e dis­tri­buí­dos pelo Pro­jeto Fedora, mas nada indica que ele aces­sou tal recurso em algum momento (embora pudesse tê-lo feito se qui­sesse); em vez disso, o intruso apro­vei­tou os pri­vi­lé­gios de acesso para gerar ver­sões enve­ne­na­das do pacote openssh e rpm, instalando-as no ser­vi­dor, isso per­mi­ti­ria a ele cap­tu­rar as senhas de usuá­rios que se conec­tas­sem para cons­truir paco­tes via SSH e as senhas usa­das para assi­nar os paco­tes RPM. Tendo acesso ao sis­tema de assi­na­tura de paco­tes e con­se­guindo a senha para usá-lo o inva­sor pode­ria assi­nar qual­quer pacote que dese­jasse, distribuindo-o para os usuá­rios do Fedora como se fos­sem paco­tes originais.

Ape­nas 22 segun­dos depois de ins­ta­lado o pacote rpm enve­ne­nado no ser­vi­dor, um dos admi­nis­tra­do­res per­cebe que o pacote rpm foi modi­fi­cado sem nenhum motivo e começa a inves­ti­gar o que teria cau­sado isso. Dezoito minu­tos depois que o pri­meiro admi­nis­tra­dor per­cebe que algo de estra­nho está acon­te­cendo uma equipe inteira de admi­nis­tra­do­res está var­rendo o sis­tema em busca de pro­vas con­clu­si­vas sobre uma pos­sí­vel sus­peita de inva­são. O inva­sor havia feito um bac­kup do sis­tema para apa­gar seus tra­ços; os admi­nis­tra­do­res uti­li­zam uma snapshot do volume LVM para obser­var o que havia no sis­tema durante o tempo da pos­sí­vel inva­são. Cinco horas, onze minu­tos e qua­torze segun­dos depois do pri­meiro sinal de que algo estava errado, os admi­nis­tra­do­res encon­tram um pacote RPM den­tro da pasta /root/.ssh/ e isso con­firma o que todos temiam: o sis­tema havia sido inva­dido. Qua­renta e dois minu­tos depois o ser­vi­dor é iso­lado da rede.

Pelo curto tempo em que teve con­trole do sis­tema, feliz­mente, nenhum pacote foi gerado e assi­nado pelo ser­vi­dor inva­dido e isso indica muito for­te­mente que o ata­cante não con­se­guiu se apo­de­rar da chave que lhe per­mi­ti­ria assi­nar pacotes.

Seguindo a praxe de segu­rança para quando um sis­tema é com­pro­me­tido a equipe de infra estru­tura do Pro­jeto Fedora ini­ciou um pro­cesso de des­man­te­la­mento com­pleto do sis­tema usado em nos­sos ser­vi­do­res. Cada uma das áreas, mesmo que remo­ta­mente afe­ta­das, foram recons­truí­das do zero e melho­ra­das com tec­no­lo­gias de segu­rança mais pode­ro­sas. Todas as cha­ves e senhas, mesmo as dos usuá­rios do FAS, são des­car­ta­das e subs­ti­tuí­das por novas e em 3 sema­nas todos os ser­vi­ços são normalizados.

Essa situ­a­ção mar­cou pro­fun­da­mente o pro­jeto e mos­trou que toda pre­o­cu­pa­ção com segu­rança nunca é infun­dada mas tam­bém mos­trou que o pro­jeto é forte, enér­gico e habi­li­doso para atuar em momen­tos de crise.

Faça o down­load do e-mail de encer­ra­mento do caso:

Update no caso da inva­são dos ser­vi­do­res Fedora (247)

Veja a sequen­cia de even­tos, con­forme noti­ci­ado pelo líder do Pro­jeto Fedora:

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  • 2008-08-12 01:00:00 — Last pac­ka­ging sig­ning pro­cess from a Fedora admin. Key would have been on host tem­po­ra­rily up until this time.
  • 2008-08-12 07:49:05 — Stan­dard Fedora ‘pkg­con­fig’ pac­kage ins­tal­led by the intru­der. This pac­kage is requi­red to build an ‘openssh’ pac­kage. Intru­der pro­ce­eds to build a modi­fied ‘openssh’ package.
  • 2008-08-12 08:10:46 — modi­fied ‘openssh’ pac­kage ins­tal­led by intruder.
  • 2008-08-12 17:46:50 — Stan­dard Fedora ‘get­text’ pac­kage ins­tal­led by intru­der. This pac­kage is requi­red to build an ‘rpm’ package.
  • 2008-08-12 20:18:36 — Stan­dard Fedora ‘mc’ pac­kage ins­tal­led by intru­der, pos­si­bly for con­ve­ni­ence of stealth.
  • 2008-08-12 21:33:59 — Bacula bac­kup star­ted (sche­du­led job)
  • 2008-08-12 22:01:54 — Bacula bac­kup Ended
  • 2008-08-12 22:31:51 — modi­fied ‘rpm’ pac­kage ins­tal­led (along with stan­dard Fedora pac­kage depen­den­cies for ‘rpm’).
  • 2008-08-12 22:51:00 — Cron job fai­led, noti­fied admins.
  • 2008-08-12 22:53:00 — Fedora Infras­truc­ture admins first noti­ced and star­ted poking around at why RPM had changed.
  • 2008-08-12 23:11:00 — Infras­truc­ture team lead is noti­fied and more prod­ding begins.
  • 2008-08-12 23:38:00 — Infras­truc­ture team mem­bers gather for dis­cus­si­ons on dedi­ca­ted, pri­vate IRC chan­nel and con­fe­rence call.
  • 2008-08-13 01:50:00 — It beco­mes more clear that a script is not at fault. LVM snapshot taken.
  • 2008-08-13 04:00:14 — Bacula bac­kup (during the intru­sion) res­to­red to secure location
  • 2008-08-13 04:04:14 — Dis­co­very of an RPM in /root/.ssh/ pro­vi­des proof of mali­ci­ous intent.
  • 2008-08-13 04:05:00 — Red Hat secu­rity team notified.
  • 2008-08-13 04:46:00 — Com­pro­mi­sed host prohi­bi­ted from rou­ting out or in. All machi­nes on its network are pre­ven­ting access from it. Out­bound con­nec­ti­ons logged.
  • 2008-08-13 05:16:00 — Fedora Pro­ject Lea­der notified.
  • 2008-08-13 06:13:00 — Host state saved (Xen guest). We have a run­ning copy of the host as it was without a reboot.
  • 2008-08-13 06:14:00 — Users who have acces­sed the machine during the intru­sion advi­sed to change their pas­swords and SSH keys.
  • 2008-08-13 10:13:00 — Work con­ti­nues in con­cert with Red Hat secu­rity team mem­bers. Pre­li­mi­nary announ­ce­ment prepared
  • 2008-08-14 17:36:00 — All pas­swords and SSH keys disabled.
  • 2008-08-14 23:15:13 — Pre­li­mi­nary announ­ce­ment to fedora-announce-list, 1+19:11 after ini­tial deter­mi­na­tion of mali­ci­ous event.
  • 2008-08-15 02:47:00 — All admi­nis­tra­tor access for­ced to shell access only for par­tial re-enabling of account system.
  • 2008-08-15 12:00:00 — (appro­xi­mate) Fedora’s pac­kage build sys­tem, koji, pat­ched to revoke all access.
  • 2008-08-15 13:11:00 — Last pac­kage build rou­tine allowed to com­plete before shut­down. Com­prehen­sive veri­fi­ca­tion of the build sys­tem data­base con­tents begins, com­pa­ring against known source for mali­ci­ous content.
  • 2008-08-16 15:30:03 — Update announ­ce­ment to fedora-announce-list, 3+11:26 after ini­tial deter­mi­na­tion of mali­ci­ous event.
  • 2008-08-17 22:34:00 — Mem­bers of sysadmin-web group allowed back on app servers.
  • 2008-08-18 04:06:31 — Pri­mary con­tent veri­fi­ca­tion of build sys­tem and CVS completed.
  • 2008-08-18 18:06:00 — CVS admins allowed back on ser­vers, and han­dle addi­ti­o­nal veri­fi­ca­tion for hos­ted projects.
  • 2008-08-19 02:07:45 — Update announ­ce­ment to fedora-announce-list, 5+22:03 after ini­tial deter­mi­na­tion of mali­ci­ous event.
  • 2008-08-19 02:37:00 — Hos­ted pro­ject veri­fi­ca­tion com­ple­ted, and Fedora Hos­ted back online.
  • 2008-08-19 20:19:00 — Anony­mous access via cvsp­ser­ver allowed.
  • 2008-08-20 02:53:00 — Wri­ta­ble access to cvs1 reactivated.
  • 2008-08-20 18:35:00 — Koji build sys­tem offi­ci­ally open and buil­ding again.
  • 2008-08-22 12:00:02 — Update announ­ce­ment to fedora-announce-list, 9+07:56 after ini­tial deter­mi­na­tion of mali­ci­ous event.
  • 2008-09-19 02:41:29 — Update announ­ce­ment to fedora-announce-list, 37+22:37 after ini­tial deter­mi­na­tion of mali­ci­ous event. Inves­ti­ga­tion and issue reso­lu­tion continues.
  • 2009-03-30 14:00:00 — Final report to fedora-announce-list, 229+9:56 after ini­tial deter­mi­na­tion of mali­ci­ous event.

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Um mascote para o Fedora

A des­peito da fama que o Fedora tem de ser Linux para geeks que gos­tam de ter tra­ba­lho ao usar Linux, o pro­jeto Fedora vem fazendo esfor­ços sin­ce­ros para tor­nar a dis­tro mais sim­pá­tica, boni­ti­nha e convidativa.

Faz mui­tos anos que nos­sas equi­pes de mar­ke­ting e arte dis­cu­tem sobre a neces­si­dade de um mas­cote para o Fedora, algo menos frio, que possa ser­vir de medi­a­dor entre um novo usuá­rio e as novi­da­des que a dis­tro pode tra­zer, mas isso tudo aca­bou ficando sem­pre na espe­cu­la­ção — tal­vez pela quan­ti­dade de ideias bes­tas.

Um fenô­meno que atiça nossa curi­o­si­dade é que a mai­o­ria de nos­sos usuá­rios não dão muita impor­tân­cia aos codi­no­mes das nos­sas rele­a­ses… Leô­ni­das, Cam­bridge, Sulphur, Werewolf… quem (além de nós) se importa? Mas, ao con­trá­rio, os codi­no­mes das rele­a­ses do Ubuntu são famo­sos e até eu, que não sou nem nunca fui usuá­rio Ubuntu, sei pelo menos 3 codi­no­mes e gosto deles.

Pois bem, esses dias a dis­cus­são sobre ter um mas­cote res­sur­giu e foi Max Spe­vack quem suge­riu que nosso mas­cote deve­ria ser ener­gé­tico, inte­li­gente, rápido e caris­má­tico como um fer­ret (furão). A ideia de um Fedora Fer­ret (Furão Fedora), auto­ma­ti­ca­mente agra­dou e parece que, agora sim, um mas­cote é uma ideia mais real e pala­tá­vel, dife­rente das bizar­ri­ces suge­ri­das até agora.

Em vez dos frios tuto­ri­ais com texto sem fim,quem sabe, num futuro pró­ximo, tere­mos um sim­pá­tico furão expli­cando numa his­tó­ria em qua­dri­nhos como atu­a­li­zar o sis­tema ou ins­ta­lar os codecs de vídeo.

Gosto da ideia, gosto muito mesmo.

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