Se você é um fã do KDE, amigo leitor, pode achar o título bastante provocativo e injusto, mas até eu me surpreendi com determinados dados que pude reunir durante os últimos meses e que me alegro em compartilhar aqui no meu blog.
No início de 2009 a Prefeitura da cidade de Paracambi (RJ), onde trabalho começou a ensaiar os primeiros passos para a “dança da migração” rumo ao software livre. O assunto “migração” em si é bastante conhecido e a internet está coalhada de links contando casos e dicas para quem tem uma empresa e pretende migrar; aliás, aqui mesmo escrevi um post sobre o assunto onde resumia um pouco daquilo que aprendi com o tempo em diversas situações.
Como estou chefiando a migração e isso, consequentemente, coloca o meu traseiro na reta, estudei com cuidado as distros que iríamos usar e o nosso público alvo. O medo em usar Fedora era justamente o curto período de vida: ficar sem updates depois de 13 meses é mesmo um argumento muito forte contra a aplicação prática do Fedora, mas, em desktops, isso é quase irrelevante já que as máquinas ficam dentro de uma rede protegida por firewalls.
Nos servidores, Fedora nem pensar! Se por um lado o desktop pode muito bem viver sem atualizações um servidor não pode se dar a esse luxo; por esse motivo, Fedora nos servidores é impraticável e escolhemos o CentOS. Criaremos um repositório para os nossos Fedoras e todas as atualizações que desejarmos serão controladas por ali. A dobradinha CentOS/Fedora foi escolhida justamente pela facilidade de integração e, em segundo lugar, pela familiaridade que já tenho.
O ponto fundamental aqui, entretanto, foram as pessoas. Era preciso estudar os usuários para determinar em qual perfil se enquadravam e tentar, dessa maneira, reduzir a curva de aprendizado no máximo possível.
Minha primeira dúvida foi: GNOME ou KDE? Embora eu seja usuário GNOME e tenha sido um dos que jogaram pedras no KDE 4.0, admito que o KDE 4.2 está excelente, bonito e funcional. A melhor saída me pareceu a pesquisa de campo. Duas máquinas de hardware semelhante, uma com KDE e outra com GNOME e as pessoas, depois de dois dias, diriam qual gostaram mais.
Tentei influenciar o mínimo possível, por exemplo, jamais dizendo que uso GNOME e sem dar nenhum treinamento: a experiência deveria ser o mais crua possível com o usuário sozinho e usando seu próprio cérebro para encontrar e executar as coisas.
Ao contrário do que eu imaginava, apenas 1/3 dos usuários preferiu o KDE e os outros 2/3, que escolheram GNOME, alegaram que o KDE é bastante confuso, com especial ênfase no menu.
A maioria deu sinais de que não explora o desktop e que ficam focados apenas na tríade office/MSN/internet, sem interesse em coisas como beleza, plasmoids ou efeitos de transição. Na verdade, os muitos aditivos do KDE. 4.2 foram considerados um obstáculo para suas necessidades simples.
A explicação dada pelos usuários era que o GNOME é mais “simples” mas também reparei que a maioria fez uma coisa interessante: pegaram a barra superior do GNOME e a colocaram na parte de baixo, ficando com duas barras inferiores. A solução escolhida foi desenvolver um tema simples para GNOME que se parecesse com o Windows XP: uma barra inferior azul, ícones no estilo do Luna e papel de parede com uma paisagem de gramado verde.
O fato é que a maioria dos usuários sequer se importa com o sistema operacional que estão usando porque tem uma visão afunilada do desktop, ou seja, quando abrem um aplicativo o restante do desktop “desaparece”.
A migração vai ser gradativa e, pelo menos assim espero, suave e sem traumas. O primeiro setor migrado deu um resultado melhor do que o esperado não registrando nenhuma chamada para suporte ao nosso GNOME-XP até agora (4 semanas).
- Total de pessoas pesquisadas: 50 aproximadamente.
- Duração da pesquisa: Pouco mais que 1 mês
- Faixa etária: 23 a 60 anos
- Os usuários que preferiram KDE: eram em maioria pessoas mais jovens e com mais desenvoltura diante do teclado.
- Os usuários que preferiram GNOME: abrangiam quase todas as pessoas de mais idade ou que, normalmente, não estavam interessadas em ter mais intimidade com o computador.
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Rapaz, achei isso interessante. No entanto, me parece precipitado dizer que as pessoas preferem Gnome da maneira como foi colocado por você. O problema é que você fez uma pesquisa com um número muito pequeno de pessoas pelo que deu a entender. O máximo que me parece ser possível extrair desses dados é que as pessoas da prefeitura Paramcambi preferem Gnome e também isso pode ser um indício de que, a um nível maior, as pessoas também pudessem ter a mesma opinião, mas nada por ser afirmado. Com um número pequeno de pessoas, a incerteza estatística ficaria bem grande.
Mas deve existir — ou seria uma boa idéia criar — uma pesquisa com pessoas da comunidade Linux para saber qual o ambiente gráfico que mais agradam eles.
Um ponto interessante que você colocou foi o pessoal ter movido a barra inferior do Gnome para baixo e usar um Walpaper com gramado verde, que faz lembrar bastante o Windows e, mais ainda, a configuração default do Windows, o que poderia ser um indício de que esse negócio de ficar personalizando não é algo que a maioria dos usuários curtem. No fundo, acredito que as pessoas tentam procurar algo que seja mais próximo dele (do Windows) em visual e na maneira de usar. Me parece que existe uma maneira de deixar o menu do Gnome um pouco parecido. Não me lembro agora qual era o aplicativo que fazia isso, mas o vi por aí. Acho que você deveria considerar a possibilidade de utilizá-lo e deixar as pessoas ainda mais a vontade.
Da minha parte, já tentei ser um usuário do KDE, mas a coisa não rolou. O problema do KDE na, minha opinião, é o excesso de beleza! Isso fica enjoativo pra mim. Gosto de uma coisa mais simples e sem tantas frescuras tão evidentes. Aquele tipo de beleza mais discreta costuma me chamar mais atenção e nessa parte o Gnome me parecer ser perfeito. Então prefiro ser um usuário Gnome.
Fala, Elder.
Na verdade, vim observando algumas coisas parecem apontar certa popularidade do GNOME, por exemplo: os downloads do meu script aqui no blog:
Quem tem só KDE: 175
Quem tem só GNOME: 504
Quem tem KDE e GNOME: 313
Mas, isso pode ser influenciado pelo fato do GNOME ser o desktop padrão do Fedora.
Por outro lado, meu irmão mais novo, que sempre usou windows, quando migrou para Linux virou fã do KDE. Estranhamente, faz um quase ano que adotou o GNOME pois parece não ter gostado muito do novo KDE. Minha mãe, que só sabe navegar no site do Submarino também preferiu o GNOME…
Fiz um updatezinho no post, com mais uns dados ao final.
Vc diz pessoas q só tem Gnome, q só tem KDE e q tem os 2, na verdade é pessoas q fizeram o download apenas para KDE, apenas Gnome e para os 2.
Parece pouca diferença, ma a interpretação desses dados é q pode dizer o q eles contam.
Praticamente todos q usam Fedora tem Gnome, já q é instalado por padrão, ou seja, quase todos os usuários KDE tem os 2, como poder inferir quem são, dentro daqueles q baixaram para as duas interfaces, os q usam um ou outro?
A maioria dos usuários Gnome do Fedora pouco usa o KDE e economizam tempo na instalação deixando o padrão, q exclui o KDE, seria mais razoável pensar q poucos além daqueles q baixaram apenas para Gnome sejam usuários Gnome e q boa parte daqueles q baixaram para as duas interfaces podem ser usuários KDE.
Isso inverte completamente sua interpretação e é bem razoável.
Eu já usei ambos (KDE, Gnome) e usei uma série de Window Managers diferentes, desde 1995 (dos minimalistas, eu gosto muito do Fluxbox e do WindowMaker, embora o segundo seja mais completo).
Um de que eu sinto falta é o Enlightenment, que na época era “pesadão”, mas que hoje é mais leve que o Xfce (que eu adotei há alguns anos, quatro ou cinco).
Na minha humilde opinião, os widgets, janelas, fontes e ícones das interfaces baseadas em Qt são como o antigo OS/2 Warp (que hoje jaz no céu do software). Claro que hoje com o KDE4 as coisas mudaram bastante, mas até o 3 a impressão que eu tinha que estava operando um PC em 1999 (o KDE nos primórdios me dava esse saudosismo do tempo da faculdade e do colégio técnico, entre 1993 e 1998). Já os aplicativos em GTK pareciam mais bem acabados (perdoem-me os fãs de Qt), apesar de que já ouvi que desenvolver com GTK é muito pior que Qt. O tiro no pé era aquela licença da Trolltech, que agora, para nosso alívio, tornou-se menos restritiva (sob o meu ponto de vista).
Hoje em dia eu uso Xfce porque é mais leve que a dupla Gnome/KDE e a interface me é agradável. Eu não exitaria em testar uma interface que fosse tão leve quanto o Xfce feita em Qt, mas enquanto esta não vem, fico quieto no meu canto.
Bom, tem um gerenciador baseado em FLTK (cujo nome não recordo agora, acho que é Equinox) que parece bem promissor. Já testei ele e se no futuro, ele tiver um mínimo de usabilidade como o Xfce me proporciona, sou capaz de adotá-lo.
Olha cara, eu gosto dos 2. Um defeito do KDE é na utilização de mais de um desktop, pq a barra de iniciar não muda, se vc trocar de tela sua barra ainda estará cheia de arquivos e esta não é a intenção. :\
Eu queria muito reportar isso ao pessoal da KDE mas não encontro nenhum jeito de fazer isso. Isso é uma das coisas que me irrita no KDE, gosto dele e do gnome e não tenho nenhuma birra de nenhum dos 2 sistemas. vlw
Brayan,
Pelo q entendi, qdo vc muda de área de trabalho, as janelas de outras áreas continuam aparecendo na barra de tarefas. Se for isso é uma questão de configuração q é bem antiga no KDE, ñ sei se foi sempre esse o padrão, mas me lembro q desde o 3 pelo menos é assim.
Ele mostra todas as janelas de todas as áreas de trabalho, mas pode mostrar somente da área q está na tela. Um clique com o direito numa área vazia da barra de tarefas e selecione “configurações do Gerenciador de Tarefas”, uma das opções é “mostrar apenas tarefas da área de trabalho atual”. Marque a caixa e seu problema está resolvido.
Falando especificamente do post e ñ dos comentários, é até fácil de entender q usuários novatos prefiram Gnome, acho normal a escolha, mesmo q concorde q o universo da pesquisa ñ é exatamente estatisticamente relevante.
Sou usuário KDE, mas ultimamente estou sempre usando outras interfaces, apenas para conhecer um pouco de cada, isso nas atividades corriqueiras, o q quer dizer ñ usar o KDE a maior parte do tempo.
Verifiquei q todas as outras interfaces (tenho instalado Gnome, XFCE, Enlightment e Fluxbox) q testei tem seus prós e contras, assim como o KDE. Poderia me acostumar a usar outra sem maiores problemas, mas continuo usando KDE.
O motivo é simples, aquilo q parece confusão para um usuário Gnome, é o q eu achei confusão qdo tentava achar certas funcionalidades num menu triplo q ainda ñ categoriza o suficiente. Eu achei confuso, provavelmente o Lonely acha tudo organizado, questão de costume. Tem muita coisa no KDE, como o menu, q é estranho para quem ñ conhece, mas muitas funcionalidades q depois q vc começa a usar, vc se pergunta pq os outros tb ñ usam isso.
Me lembro de qdo os mouses ganharam essa rodinha no meio (mouse wheel). As pessoas diziam q ñ era necessário (realmente ñ deve ser, os MACer’s só tem um botão no mouse e se sentem absolutamente confortáveis, como vivem sem o menu de contexto é um mistério), mas quem tinha um mouse com a rodinha achava q facilitava a vida. Novas funcionalidades tendem a seguir esse caminho, quem usa acha q facilita muito a vida, quem ñ usa acha complicado ou desnecessário.
Pessoalmente, acho q a questão da interface é muito particular, mas em ambientes corporativos podem provocar problemas para área de atendimento, gerando uma gama muito maior de base de conhecimento q a padronização de uma só. A maioria dos serviços disponibilizados pela TI de uma organização deve padronizada para economizar nesse aspecto, a pergunta é, a interface dos desktops se inclui nisso?
Para deixar os menus mais igual ao do Windows, adicione ao painel o item “Menu Principal” no Fedora.
Olá, vc teria screenshots desse tema?
Obrigado
Flávio, aqui vai uma: http://img31.imageshack.us/i/gnomexp.png