É incrível a habilidade humana de estragar e subverter as coisas, mesmo a mais legal delas.
Confesso que, comparado a certas pessoas que são ícones da informática e da tecnologia no Brasil, sou relativamente novo nisso tudo, mas, já em 2001, quando criei minha primeira conta de e-mail no finado LigBR (alguém lembra?) essa coisa de escrever cartas digitais para qualquer pessoa do mundo me fascinou profundamente.
A ideia, pelo visto, fascinou mais gente: há estimativas de que em Agosto de 2008 existiam 1,3 bilhão de usuários de e-mail e que 210 bilhões de mensagens eletrônicas são enviadas por dia em todo o mundo1. O problema é que, estatisticamente, quanto mais cresce o número de usuários, também aumenta o número de imbecis e dessa forma o spam surgiu, abocanhando 90% desses 210 bilhões de mensagens enviadas.
O caso é tão grave que em qualquer camelódromo onde se encontram softwares “genéricos” (desses não recomendados pela Associação das Senhoras Católicas) é possível comprar um CD com milhões de endereços eletrônicos e o software para mensagens em massa. Tudo isso pelo custo módico de R$ 5 e, provavelmente, caro leitor, o seu endereço de e-mail também está lá.
A busca por soluções à ameaça envolve algumas das mentes mais brilhantes do mundo e a “cura”, até os dias de hoje, consiste em contornar o problema, muitas vezes incomodando os usuários. Quem gosta, afinal, de ficar escrevendo aquelas letrinhas (algumas ilegíveis) do CAPTCHA?
A próxima idéia no combate ao spam é o e-mail pago, materializado na forma do CentMail que, basicamente, emitirá selos no valor de ¢ 1 (ou, US$ 0,01 se preferir). Você “colará” os selos nas suas mensagens e ela será, automaticamente, entendida como autêntica.
O pessoal dos spams, acostumado a encher o saco de bilhões de pessoas por dia, terá que pagar US$ 10.000 para mandar um milhão de mensagens.
Preocupante é a situação das listas de discussão e das pessoas que, como eu, mandam dezenas de mensagens por dia já que a intenção é tornar os “selos” um padrão para os próximos anos e a ideia é endossada por ninguém menos que o Yahoo, a empresa que se gaba de ter maior parte dos usuários de e-mail do mundo.
A grana acumulada no processo, dizem, vai para instituições de caridade. Extrapolando um pouco, isso significa que eu, sozinho, de tanto pagar para enviar mensagens, estarei sustentando um pequeno país da Europa Oriental (mais ou menos o que já me acontece pelas multas de livros atrasados na biblioteca).
P.S.:
Olha que ironia. Vim dar uma olhada em como o post tinha ficado e se os anúncios não quebraram nenhum parágrafo quando, de repente, no AdSense do Google vejo este link.
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Achei interessante a idéia, mas vou ficar enviando emails sem selo mesmo, pois não estou queimando dinheiro ainda
Agora imagine: logo teremos o e-mail de pobre e o de rico. hahahaha
Parabéns pela matéria.
Os provedores de email, deveriam passar a devolver os emails que o usuário marcar como spam (Com uma mensagem tipo: O Proprietário do email destinatário marcou seu email como spam,e por isso ele não será recebido. Sinto Muito.” Isso ajudaria bastante, diminuiria o trâfego da rede e obrigaria o spammer a administrar um monte de lixo (assim como nós). Também seria importante a proibição de venda de lista de emails, com direito a multa administrativa,algo em torno de R$ 500,00 por email já ajudaria bastante.
Wow!!
Is that real ? o_O
I’m just like you, I’d have to pay *a lot* every day if that were to happen… And what about companies ? At work, I literally spend my day sending (and receiving) emails. Will my employer have to pay for all that ?
@andre: I don’t know in Brazil, but here in France, it *is* forbidden to sell email lists. but you can buy them nevertheless (of course, not in the camelodromo like LonelySpooky said, but hey, what can’t be bought in a camelodromo ?
)
Sorry I wrote in english, my portuguese is a little rusty
Ola Henrique
Se o acesso à internet não fosse pago, eu até concordava com essa história de pagar pelo envio de e-mails, pois existe uma infra-estrutura construída que custou dinheiro e tem de ser paga! O equivalente ao envio de uma carta.
Mas nós já pagamos pela ligação, e pagamos bem, porque o internet provider cobra-nos como se nos estivéssemos 24 horas por dia ligados á net com lucro incluído, não é o meu caso!
No teu caso aplica-se porque tens um servidor 24 sobre 24 horas a trabalhar.
No meu caso recebo pouco spam e é todo marcado como spam, então, até concordava se eu marcasse um e-mail como spam o remetente pagar por esse lixo enviado.
Manuel Benedito
Seria mais fácil controlar as portas 25…
Atualmente, qualquer um pode ter um servidor de envio de email em sua própria estação.
Se houvesse um controle sobre isso acho que seria mais fácil…
Exemplo.
Somente servidores cadastrados em um determinado controle poderiam enviar mensagens…
[]‘s
Manda um para mim LonelySpooky.
Obrigado
Infelizmente a quantidade de lixo virtual é crescente, o que também torna o sistema de e-mail cada vez menos confiável, já que são necessários filtros cada vez menos permissivos para conter os SPAMs, e que acabam por vezes barrando mensagens legítimas. Interessante, porém improvável a idéia de “selos digitais” funcionar, já que o próprio protocolo de troca de mensagens de e-mail não prevê qualquer tipo de restrição ou privilégio com base nesta idéia. E ela iria requerer adoção de filtros em larga escala em servidores de e-mail, o que também é bem difícil visto que tecnologias funcionais, mais simples e “abertas”, como SPF e DKIM tem baixa adoção.