Um game quase poético: Odin Sphere

by LonelySpooky

Faz muito tempo que não falo aqui sobre jogos, mas, nem por isso parei de jogar e de me divertir com meu Playstation 2. Games para PC nunca me atraíram muito, mas sempre tive a sorte de ter algum bom console conectado à TV da sala.

Fiz uma pausa e vim aqui falar sobre o excelente Odin Sphere da Vanillaware/Atlus, um RPG lançado em 2007 e que, diziam, era o último grande game para PS2.

Este jogo me conquistou por diversos motivos e o principal deles é a narrativa belissimamente desenvolvida pelo diretor George Kamitani. Segundo ele mesmo, a intenção era fazer um jogo que seguisse uma veia shakespeariana, repleto de diálogos dignos de um (bom) livro, com linguajar moderno e, mesmo assim, elegante. Logo nas primeiras linhas nota-se algo a mais durante os diálogos. Os textos, quase como poesias, são declamados por uma dublagem excelente, de inglês claro, bem marcado e bonito.

Não se preocupe se você não gosta de ler; o jogo tem um fundo de mitologia nórdica misturada a outros elementos que tornam a trama atraente também para aqueles que gostam de partir logo para a porrada, mas a graça, na minha opinião, é desfrutar mesmo a história.

São 5 personagens, cada um de um livro e você precisa passar pelos 5 livros para completar a jornada. As vidas de cada um dos 5 são conectadas porque, sendo de raças diferentes e no meio de uma guerra, cada um deles luta para garantir a sobrevivência de seu povo. Dessa forma, jogando, você tem a oportunidade de observar a trama sob todos os pontos de vista, o de quem ataca, o de quem é atacado, o de quem vence, o de quem é vencido e se pega refletindo que não há, realmente, bons ou maus; apenas há povos lutando para alcançar um fim. Nas opções do jogo existe uma timeline que mostra como cada evento estava conectado.

Gráficos em 2D super coloridos e com traços bonitos, mas estilizados, lembrando pinturas em aquarela permitem que você se deixe levar pelas luzes e detalhes em cada cenário. Você vai enfrentar espectros de lava na terra do fogo, ietis raivosos nas montanhas geladas e atravessar netherworld, o submundo dos mortos em meio a espíritos rancorosos e cheios de cinismo, tudo isso empunhado a sua Scypher, que é uma arma forjada a partir das joias roubadas diretamente dos domínios da morte (legal, não?). Enquanto luta, as músicas orquestradas, composições da produtora de som Basiscape dão um bom suporte para completar a trama, mas, sinceramente, poderiam ser melhores, pois ficam meio repetitivas se você prestar atenção.

Não se trata de um jogo fácil: certos mestres chegam mesmo a irritar se por acaso forem enfrentados sem a preparação adequada, contudo, não chega a ser um jogo extremamente longo, podendo ser terminado em menos de 15 horas com algum esforço.

A maior reclamação, sinceramente, é técnica, pois, na hora em que a tela fica repleta de raios, explosões e monstros vorazes o hardware do PS2 começa a pipocar para o odiado efeito slowdown... se você não for esperto acaba morrendo para ter que começar o cenário de novo.

O game é, apesar desse defeitinho, uma verdadeira obra de arte, repleto de bom gosto, bem feito e muito interessante, ghegando a garantir um 8.8 no score da IGN.

Minha recomendação? Se você não jogou, jogue, pois este é um jogo memorável.

httpv://www.youtube.com/watch?v=vw4AgWQpNlk

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