Ainda há vestígios do Fedora Core

by LonelySpooky

Já se vão quase três anos desde que o Fedora mudou de nome, deixando de lado o “Core”, para se chamar simplesmente Fedora. Pouca gente, afinal de contas, se dava ao trabalho de chamar a distro de “Fedora Core” e esse “Core”, aliás, existia porque, na época, as colaborações da comunidade e as da Red Hat eram tratadas separadamente. Tudo que os engenheiros da Red Hat produziam ficava num repositório principal, chamado Core, e tudo que os voluntários da comunidade produziam ficava num outro repositório chamado “Extras”.

Entre o FC6 e o F7, diante do crescimento de contribuições da comunidade, o Fedora Board decidiu mesclar ambos os repositórios, acabando com a diferenciação entre contribuições da Red Hat e dos voluntários.

Embora já estejamos no Fedora 12 (com o 13 a todo vapor), heranças desse tempo de “Core” permanecem e passam quase despercebidas pela maioria dos usuários, só que, se você prestar atenção, todos os RPMs instalados em seu sistema (assim como todos os que estão no CD/DVD de instalação) ainda têm o sufixo “fc”; por exemplo: rpm-4.7.1-6.fc12.i686. Esse sufixo, que chamamos “tag”, ainda mantém o C, de Core.

Para mim, o motivo de permanecermos com a tag FC era um mistério que perdurou muito tempo até que decidi perguntar na lista de desenvolvimento e recebi uma resposta muito interessante.

A resposta veio de Rahul Sundaran, na minha opinião, um dos membros mais ativos do Projeto Fedora desde (quase) o início do projeto e ele explica que, durante a decisão de mudar o nome para Fedora, deixando o Core de lado, houve muitas discussões sobre qual seria a melhor maneira de alterar a tag, mas, logo mostrou-se um problema muito maior do que a aparente simplicidade de fazer sumir uma letra C. Isso quebraria o modo como o RPM verifica a atualidade dos pacotes, levando a erros quando um pacote “fc” fosse comparado com um pacote “f”. Veja o exemplo de verificação:

$ rpmdev-vercmp foo-1.0.f11 foo-1.0.fc10
0:foo-1.0.fc10 is newer

E observe que o RPM jura que o pacote com tag fc10 é mais novo que o pacote com a tag f11.

Para mudar a tag seria necessário hackear o RPM, de modo a reverter esse engano ou, uma reconstrução em massa de todos os RPMs de Fedoras ativos (atualmente, isso significaria refazer todos os RPMs para o F12, F11 e F10).

Em face de todo o trabalho necessário, optou-se pela opção mais simples: imitando o GCC, que chama seus pacotes de “GNU Compiles Collection”, os pacotes para Fedora são parte do “Fedora package Collection”, o que justifica o FC em cada pacote até os dias de hoje.

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  1. E o codinome do Fedora 10 é…

{ 10 comments… read them below or add one }

1 Elder Marco 11 de dezembro de 2009 às 16:09

Ah, então agora esse ‘C’ é de ‘Col­lec­tion’? E gos­tava de cha­mar o Fedora de Fedora Core.. sei lá, me pare­cia soar melhor..

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2 LonelySpooky 11 de dezembro de 2009 às 21:49

Eu tinha pre­guiça e cha­mava de Fedora mesmo (isso quando não encur­tava para F). haha
Inte­res­sante notar que, no começo, o Fedora era base­ado no Red Hat e, hoje, o Red Hat é que é base­ado no Fedora.

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3 Manuel Benedito 12 de dezembro de 2009 às 16:15

Ola Hen­ri­que,

Todos conhe­cem o Fedora como Fedora, mais core ou menos core, não faz muita impor­tân­cia!
Real­mente mudar os RPM, há outras coi­sas mais inte­res­san­tes para fazer no Fedora.
Gosto muito do Fedora e mais uma vez te digo que não estou a pen­sar em mudar para o Archlinux!

Cum­prs
Manuel Benedito

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4 LonelySpooky 12 de dezembro de 2009 às 21:34

Manuel, eu tam­bém sou fã do Fedora. Uso desde que fui obri­gado a parar de usar o Red Hat Linux… nos bons tem­pos, meu pri­meiro Red Hat foi o 7.0. depois o 7.2, depois pulei para o 9 (nessa época usava-se o mesmo Linux por muito tempo). Fiquei espe­rando o Red Hat Linux 10, mas ele nunca veio, em seu lugar, usei o Fedora 3. Enfim, usar Red Hat like pra mim é uma tra­di­ção, mas, a pro­posta do Arch­Li­nux é muito legal: um linux que não tem rele­a­ses. Todo Arch­Li­nux é atu­a­li­zado ad infi­ni­tum. Não penso em tro­car o Fedora, mas tam­bém pre­tendo sem­pre man­ter con­tato com outras dis­tros para apren­der mais.

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5 liquuid 11 de dezembro de 2009 às 16:59

Ani­mal o post !

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6 LonelySpooky 11 de dezembro de 2009 às 21:48

Obri­gado. =) Bom vê-lo nova­mente por estas bandas.

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7 José Tiburcio Ribeiro Netto 11 de dezembro de 2009 às 17:24

Muito inte­res­sante! Valeu pela expli­ca­ção… Sau­da­ções tri­co­lo­res e bota­fo­guen­ses (daquele seu amigo bai­tola cha­mado Mar­cel­lino)! Uhauhauhauhauha

Abra­ção!

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8 LonelySpooky 11 de dezembro de 2009 às 17:58

Putz, Mar­ce­lino já é reco­nhe­cido inte­res­ta­du­al­mente como bai­tola? =P Isso que é fama! =D

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9 Paulo 14 de dezembro de 2009 às 21:09

Legal, uso Fedora desde o bom e velho FC2.0 . Junto com o Slack, o Fedora divide meus com­pu­ta­do­res e meu cora­ção. Muito inte­res­sante esse post, valeu!

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10 Jorge Henrique 28 de fevereiro de 2010 às 4:22

Oops!! Toda vez que sai ver­são nova do Fedora eu fico com receio. Pra mim, a melhor de todas até agora foi a 11. E eu uso desde o FC 3. Quando mudou de nome eu fiquei mais rece­oso ainda. To gos­tando do 12 ape­sar dos tro­pe­ços e algu­mas decep­ções. Por exem­plo: ou eu to ficando velho e cego ou não se tem como alte­rar as opções dos menus do F12. Antes eu podia alte­rar e dei­xar com os ico­nes que eu qui­sesse e agora não mais. Sim­ples­mente cli­cando com o botão direito.
Isso seria evo­lu­ção ou invo­lu­ção?
[ ]‘s

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