A pergunta foi feita de maneira propositalmente ambígua para levar o leitor à reflexão. Já é fato bastante conhecido que o relacionamento de grandes softwares considerados livres com a comunidade está longe de ser o “livre” que a comunidade gostaria.
Um exemplo clássico é a Sun (agora Oracle) que tornava um inferno a vida das almas caridosas que tentassem contribuir para o desenvolvimento do OpenOffice. Adicionar um código ao produto significa passar por burocracias intermináveis e, mesmo assim, se você tiver paciência para suportar a espera e a frustração, ainda é obrigado a “doar” seu código para a Sun/Oracle que se torna a dona do seu trabalho. (não sei se isso mudou, espero que sim.)
Um caso semelhante vem ocorrendo com o Thunderbird ao encontrar um bug que afeta severamente os usuários. O dito bug é conhecido há bastante tempo e possui correções disponíveis nas mãos da Mozilla e do Projeto Fedora, contudo, devido a regras de trademark, o patch não pode ser aplicado. É simples assim: você não pode alterar o código (com pathes ou seja como for) dos produtos da Mozilla e depois, simplesmente, chamá-lo de Firefox ou Thunderbird.
Citando um dos mantenedores do Firefox no Fedora (Martin Stransky) “we’re patching mozilla packages only for really critical issues because of mozilla trademarks. We can’t put any patch we want to the mozilla package and ship it as ‘Firefox’ or ‘Thunderbird”.
O problema trouxe à tona muitas outras questões como as exceções que o Projeto Fedora teve que conceder para poder usar o Firefox/Thunderbird (é estritamente proibido que um software traga suas próprias versões de uma dependência quando o Fedora tem condições de satisfazê-la. Por exemplo, como seria se cada software viesse com o seu próprio gstreamer?). Tanto Firefox quanto Thunderbird apenas funcionam se certas partes forem as originais providas pela Mozilla, mesmo que o sistema já tenha essas “partes” satisfeitas.
Os mais otimistas acreditam que um trabalho mais forte junto à Mozilla Foundation pode dar bon resultados devido ao relacionamento saudável que o Projeto Fedora mantém com o desenvolvimento do Firefox e do Thunderbird, mas a maioria acredita realmente que o melhor para a distribuição é não depender de ninguém e ter liberdade de ação. Isso significa, é claro, bater o pé e alterar, sim, o código dos produtos da Mozilla, mas perder o direito de chamar o produto de Firefox/Thunderbird. O Debian já faz isso com o Iceweasel, lembram?
O que resta é saber se vale a pena abandonar as marcas da Mozilla e correr o risco de confundir usuários novatos que, assim como mais de 350 milhões de pessoas, confiam no Firefox/Thunderbird e não saberiam “que diabos é esse tal Iceweasel”.
Fora isso, resta também a questão moral de sempre trabalhar junto ao upstream (tem muita gente chorando sobre isso), mas acho que trabalhar com um Iceweasel da vida não significa deixar de enviar os patches para o upstream, já que o Iceweasel é feito do mesmo código que o Firefox, cabe ao upstream decidir se usa os patches ou não; e se não usar $#@&!-se.
Curioso? Baixe a thread: Thunderbird no Fedora (166)

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No OpenSolaris continua a mesma #!@#$$.
1) Contribuições tem que passar por um programa de “sponsor“
2) Não existe previsão de quando desenvolvedores externos terão acesso de escrita no repositório
3) Os commits são atrelados ao bugs oficiais. O sistema de bugs é restrito ao firewall da Sun, apenas alguns detalhes são exportados
N) .…
São muitos os problemas.
Conserta aí na 1ª linha do 6º parágrafo:
que u trabalho mais forte junto à Mozilla Foundation pode dar bon resultados
por
que o trabalho mais forte junto à Mozilla Foundation pode dar bons resultados
Sobre o conteúdo da notícia, acho que o Fedora deveria se juntar a Debian nesse Iceweasel/dove/ape/owl, e noutros projetos, de modo a termos um aumento de sinergia das distribuições GNU/Linux. Se é para criar um fork pelo menos que seja apenas um e não um monte deles (a wikipédia já diz que existe um outro Iceweasel, chamado Icecat). É claro vão existir diferenças de abordagem entre cada distribuição (afinal cada uma têm seus objetivos), mas o objetivo principal teria que ser o de dar flexibilidade as mudanças no código, fugindo dos controles rígidos dos desenvolvedores “oficiais”.
Consertado. Valeu!
Excelente post.
eu uso o IceCat… o problema não está com a distro, e sim com a Mozilla, que deturpa o conceito de Software Livre ou Open Source, se montaram e cresceram sobre este conceito, as Marcas “Firefox” e “Thunderbird” foram registradas não como de domínio público, mas como de domínio Mozilla, o que fere o conceito adotado pelo Debian por isso existe o Iceweasel, não acho que um monte de forks devam existir, a equipe que mantem o Iceweasel e toda a comunidade iriam ganhar mais se as equipes dos “forks sem-sentido” investissem seu tempo e sua dedicação ao próprio Iceweasel.
Excesso de burocracia só atrapalha.
Principalmente em projetos livres, onde a maioria dos desenvolvedores contribui gratuitamente, trabalhando nos seus tempos livres.
Abre o olho, Mozilla! O Firefox é um excelente produto. Mas se continuar assim, pode perder espaço.
não vejo o iceweasel como um fork. ele é um reempacotamento com patches.
Não é fork pelo simples fato de que não está sendo desenvolvido. O pessoal da debian pega o código lançado, testa, corrige, aplica os patches, compila e empacota. O que ela faz com todas as aplicações. Só que no caso dos produtos da mozilla ela não pode manter o nome oficial.
Muito bom post. Não sabia o motivo da criação do Iceweasel e agora o apoio.
Mas será que o Fedora não poderia se unir com o pessoal do Debian e, talvez outras distros, para manter o Iceweasel? Criar mais um browser baseado no FF seria muito ruim para os usuários.
Talvez a Canonical também pudesse entrar na jogada. Ou a Novell. Sei lá.….
Concordo em gênero, número e grau.