Nos últimos dias a comunidade Linux ficou bastante agitada com o anúncio de que o Ubuntu deixaria de trabalhar com o Projeto Gnome para levar a cabo sua própria interface, chamada Unity e agora, em mais um movimento no tabuleiro de xadrex dos sistemas Linux, Mark Shuttleworth, dono da Canonical, anunciou em seu blog que o Ubuntu, em médio prazo, irá utilizar o Wayland.
Se o nome não faz soar nenhum sininho na sua memória, não fique triste, o projeto não é muito notório ainda e eu mesmo só fiquei sabendo dele por acaso há algum tempo (um ou dois anos), sem, no entanto, ouvir mais menções até o dia de hoje.
Pois bem, na época, o Wayland foi descrito como um X Server reescrito do zero, na intenção de solucionar todos os problemas que o atual servidor gráfico traz por diversos motivos que vão desde erros de planejamento na hora de começar o projeto até limitações estilo de programação usado. Naquele tempo, o Wayland foi descrito pelo desenvolvedor, Kristian Høgsberg, como um maravilhoso servidor gráfico que, embora nos estágios iniciais de desenvolvimento, era funcional e prometia elevar os desktops a um nível jamais visto.
Sempre digo aqui que o Ubuntu causa pouca comoção na equipe de desenvolvimento do Fedora porque o time de desenvolvimento está muito focado no trabalho de desenvolver o Fedora, entretanto, dessa vez, a notícia de que Shuttleworth pretende largar o X Server pelo Wayland causou reações interessantes.
A maioria mantém uma postura de ceticismo quanto a esse “compromisso” que o Ubuntu assume de se envolver ativamente no desenvolvimento do Wayland, porque, sejamos francos, a Canonical não leva nenhum prêmio de “desenvolvedora do ano”.
Particularmente (faço questão de frisar o particularmente), cito a mim mesmo numa conversa que tive com alguns amigos que, atualmente, usam Ubuntu: “Parece que o Ubuntu tem essa ilusão de que são um SO totalmente revolucionário quando, na verdade, são apenas um Linux com complexo de grandeza”.

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Abandonar mesmo ela nem pode, porque a interface continuará dependendo de diversos recursos do gnome.
Tenho que concordar com o teu post, principalmente o último parágrafo…
Não pode, esse pessoal, achar que manda nos cursos do Linux…
Fazendo suas experiências, podem mostrar a comunidade se um caminho é aceitável ou não. Tudo bem. Eu estou interessado é saber das “ubuntu-like”, se todos os desenvolvedores “nas suas comunidades” vão passar para as novidades do Ubuntu.
E mais ainda, o Debian, distro mãe.
O Unity roda sobre o Gnome, portanto, dizer que vai “deixar de trabalhar com o projeto” é incorreto. Quanto ao Wayland, se a Canonical pretende contribuir para o código tanto melhor, assim teremos mais uma opção de ambiente gráfico. Não vejo qual o problema, se, hoje, você pode ter um Linux com Gnome e resolver usar o KDE, ou tirar as barras do Gnome e usar algum dock…
As contribuições da Canonical ao Gnome eram pífias, mas, basicamente são pífias as contribuições da Canonical a quase todos os upstream com o qual ela trabalha. Nesse caso, deixar de trabalhar significa que ela vai parar de desenvolver o Gnome e “cortar relações” com os chefes do projeto.
Eu vejo problema quando alguém usa software livre e não contribui adequadamente. No caso da Canonical, que só existe por causa de outros projetos, deveria haver mais empenho em contribuir pela melhoria dos softwares que usa no Ubuntu e não ficar de picuinha.
Gostei do artigo. Parabéns.