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Minha primeira experiência com o Haiku (OpenBeOS)

Alguns devem ter per­ce­bido que estou “revi­si­tando” alguns tex­tos anti­gos aqui no blog. Bem, isso faz parte de algu­mas mudan­ças que pre­tendo fazer para tor­nar o blog mais atra­tivo e variado.

Minha pri­meira ati­tude foi revi­sar e atu­a­li­zar uma série que come­cei mas nunca che­guei a ter­mi­nar sobre sis­te­mas ope­ra­ci­o­nais em dez par­tes. Ontem repos­tei o texto sobre o BeOS, desde o começo do desen­vol­vi­mento até a sua morte e o sur­gi­mento do Haiku, que é uma ver­são atual e open­source do finado SO.

Bai­xei o Haiku e ins­ta­lei aqui na minha máquina vir­tual, mas não espe­rava que a expe­ri­ên­cia fosse tão mar­cante. Por isso, decidi com­par­ti­lhar com vocês minhas impres­sões. Vamos lá?

A ima­gem ISO vem com­pac­tada no for­mato ZIP, são ape­nas 164,4 MB para bai­xar e, des­com­pac­tado, vai a 379,9 MB. Mesmo com a minha cone­xão de 300 K levou pouco mais de uma hora e meia baixando.

Meio rece­oso, dei o boot na ima­gem pela máquina vir­tual, mas tudo cor­reu bem. A pri­meira tela é bas­tante sim­pá­tica e pouco depois leva para uma caixa ofe­re­cendo a pos­si­bi­li­dade de ins­ta­lar ou rodar live. Instalei.

Ao con­trá­rio do que esta­mos acos­tu­ma­dos, o Haiku não par­ti­ci­ona auto­ma­ti­ca­mente durante a ins­ta­la­ção; ele detecta não haver par­ti­ção, mas não toma nenhuma pro­vi­dên­cia. Cabe a você ir no par­ti­ci­o­na­dor (que não é muito intui­tivo), sele­ci­o­nar os espa­ços e os for­ma­tos, apli­car e depois vol­tar para a instalação.

Feito isso, o resto é tran­quilo e rápido. Ape­nas dez minu­tos depois o Haiku está rodando e o boot leva ape­nas 15 segundos.

A parte “mar­cante” que men­ci­o­nei foi sen­tir o mesmo que sen­tia no começo da minha vida linu­xer. A emo­ção de ins­ta­lar um outro SO e explorá-lo, ir tate­ando no escuro e vendo novi­da­des. Ses­são nostalgia…

Na VM o dis­po­si­tivo de rede não foi reco­nhe­cido, por isso não pude tes­tar a inter­net e nem expe­ri­men­tar o BeZilla Brow­ser (um remake do Fire­fox), mas rodei pelo sis­tema inteiro admi­rando simi­la­ri­da­des e dife­ren­ças entre Linux, Win­dows e Haiku. O BeOS é uma parte da his­tó­ria e quando você se dá conta de que está ali, aces­sando um SO total­mente dife­rente, é impos­sí­vel não pen­sar em como nos­sos hori­zon­tes ficam res­tri­tos com o pas­sar do tempo.

Não pre­tendo fazer do Haiku o meu sis­tema ope­ra­ci­o­nal, mas gra­ças e ele eu pude sen­tir, nova­mente, a empol­ga­ção da des­co­berta que já não tinha mais nos GNO­MEs e KDEs da vida. Pra fechar, seixo algu­mas scre­enshots que tirei e vídeos mos­trando um pouco da Sili­con Graphics dos Pobres, como era chamado.

Visão geral

Abrindo 26 apli­ca­ti­vos ao mesmo tempo

Colo­cando o Haiku sob Stress

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Uma TI mais verde (e equivocada)

Está na moda a cons­ci­ên­cia eco­ló­gica e, seguindo essa ten­dên­cia, as pala­vras “boas” da vez são (anote aí): verde, eco­no­mia, pla­neta, árvore e doa­ção. Se você usar qual­quer uma des­sas pala­vras nos seus pro­je­tos – não importa quão imbe­cil ele seja – as pes­soas serão obri­ga­das a aplaudi-lo, afi­nal, o que vale é a inten­ção! Ou será que não vale?

Embora eu seja a favor das ati­tu­des eco­ló­gi­cas, o mais cho­cante na nova gera­ção de abra­ça­do­res de árvo­res e natu­re­bas é a quan­ti­dade de desin­for­ma­ção que essa gente tem. Árvo­res são boas, mas a babo­seira ambi­en­ta­lista de agora trata cada árvore como uma limpa e efi­ci­ente fábrica de ar puro… é como se cada semente fosse um tan­que de oxi­gê­nio em poten­cial, espe­rando para cres­cer e jogar na atmos­fera o pre­ci­oso O2.

Será que nin­guém se lem­bra das aulas de bio­lo­gia no ensino médio? Árvo­res são cri­a­tu­ras vivas como qual­quer ani­mal e res­pi­ram, assim como você e eu, oxi­gê­nio, exa­lando CO2. Acon­tece que no pro­cesso de fotos­sín­tese as plan­tas usam a luz como cata­li­sa­dor num pro­cesso fotoquí­mico que envolve CO2. Logo, de noite, quando não há luz do sol para fotos­sin­te­ti­zar a gli­cose, as plan­tas com­pe­tem conosco pelo mesmo O2. Para resu­mir, a planta faz duas coi­sas: res­pira como nós e faz fotos­sín­tese (observe bem que o ponto chave aqui é o pre­fixo FOTO), por­tanto, sem luz, sem pro­du­ção de oxi­gê­nio e a planta con­ti­nua, assim como nós, res­pi­rando O2.

Há tam­bém alguns estu­dos “geni­ais” que suge­rem replan­tar flo­res­tas com euca­lipto por­que cres­cem rápido e são gran­des. Ima­gine replan­tar a flo­resta amazô­nica com euca­lip­tos? Melhor seria adi­ci­o­nar mais uma pala­vra ao dici­o­ná­rio des­sas pes­soas: bio­di­ver­si­dade.

Entre­tanto, estou diva­gando. Se por um lado não acre­dito nessa ladai­nha de plante um “tan­que de oxi­gê­nio”, acre­dito que árvo­res aju­dam na regu­la­ção da tem­pe­ra­tura, na manu­ten­ção da fer­ti­li­dade do solo, no embe­le­za­mento das cida­des e na sus­ten­ta­ção de um bioma vari­ado, por isso achei legal falar sobre o pro­jeto eco4planet.

O eco4planet é um bus­ca­dor (que, na ver­dade usa o Goo­gle cus­to­mi­zado), mas que pro­mete plan­tar uma árvore a cada 50.000 bus­cas rea­li­za­das pelo seu sis­tema. A tela, como não pode­ria dei­xar de ser é preta, para “eco­no­mi­zar ener­gia”. Sim! O eco4planet é feito por bra­si­lei­ros e, a prin­cí­pio, vai plan­tar as árvo­res em Ribei­rão Preto (SP). Se os caras forem inte­li­gen­tes, tem tudo para dar certo (só espero que não saiam plan­tando euca­lip­tos a torto e a direito).

Se for fazer uma busca pela net, dê uma chance aos caras. Cada árvore plan­tada faz pose para uma foto que você pode ver aqui.

eco

P. S.:

Ape­nas mais duas obser­va­ções (já que estou com a mão na massa):

  1. Se você usa moni­to­res LCD pode usar uma tela mais negra que a alma do Steve Bal­mer e não vai fazer eco­no­mia nenhuma. Isso de telas escu­ras eco­no­mi­za­rem ener­gia só fun­ci­ona nos velhos CRT1.
  2. Quer ver me dei­xar puto e vir falar das “emis­sões de car­bono”, “car­bono zero”… Car­bono é um ele­mento quí­mico da tabela perió­dica que é SÓLIDO à tem­pe­ra­tura ambi­ente (gra­fite, dia­mante…). Car­bono e dió­xido de car­bono são duas coi­sas muito diferentes.
  1. http://googleblog.blogspot.com/2007/08/is-black-new-green.html
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Um game quase poético: Odin Sphere

Faz muito tempo que não falo aqui sobre jogos, mas, nem por isso parei de jogar e de me diver­tir com meu Plays­ta­tion 2. Games para PC nunca me atraí­ram muito, mas sem­pre tive a sorte de ter algum bom con­sole conec­tado à TV da sala.

Fiz uma pausa e vim aqui falar sobre o exce­lente Odin Sphere da Vanillaware/Atlus, um RPG lan­çado em 2007 e que, diziam, era o último grande game para PS2.

Este jogo me con­quis­tou por diver­sos moti­vos e o prin­ci­pal deles é a nar­ra­tiva belis­si­ma­mente desen­vol­vida pelo dire­tor George Kami­tani. Segundo ele mesmo, a inten­ção era fazer um jogo que seguisse uma veia sha­kes­pe­a­ri­ana, repleto de diá­lo­gos dig­nos de um (bom) livro, com lin­gua­jar moderno e, mesmo assim, ele­gante. Logo nas pri­mei­ras linhas nota-se algo a mais durante os diá­lo­gos. Os tex­tos, quase como poe­sias, são decla­ma­dos por uma dubla­gem exce­lente, de inglês claro, bem mar­cado e bonito.

Não se pre­o­cupe se você não gosta de ler; o jogo tem um fundo de mito­lo­gia nór­dica mis­tu­rada a outros ele­men­tos que tor­nam a trama atra­ente tam­bém para aque­les que gos­tam de par­tir logo para a por­rada, mas a graça, na minha opi­nião, é des­fru­tar mesmo a história.

São 5 per­so­na­gens, cada um de um livro e você pre­cisa pas­sar pelos 5 livros para com­ple­tar a jor­nada. As vidas de cada um dos 5 são conec­ta­das por­que, sendo de raças dife­ren­tes e no meio de uma guerra, cada um deles luta para garan­tir a sobre­vi­vên­cia de seu povo. Dessa forma, jogando, você tem a opor­tu­ni­dade de obser­var a trama sob todos os pon­tos de vista, o de quem ataca, o de quem é ata­cado, o de quem vence, o de quem é ven­cido e se pega refle­tindo que não há, real­mente, bons ou maus; ape­nas há povos lutando para alcan­çar um fim. Nas opções do jogo existe uma time­line que mos­tra como cada evento estava conectado.

Grá­fi­cos em 2D super colo­ri­dos e com tra­ços boni­tos, mas esti­li­za­dos, lem­brando pin­tu­ras em aqua­rela per­mi­tem que você se deixe levar pelas luzes e deta­lhes em cada cená­rio. Você vai enfren­tar espec­tros de lava na terra do fogo, ietis rai­vo­sos nas mon­ta­nhas gela­das e atra­ves­sar netherworld, o sub­mundo dos mor­tos em meio a espí­ri­tos ran­co­ro­sos e cheios de cinismo, tudo isso empu­nhado a sua Scypher, que é uma arma for­jada a par­tir das joias rou­ba­das dire­ta­mente dos domí­nios da morte (legal, não?). Enquanto luta, as músi­cas orques­tra­das, com­po­si­ções da pro­du­tora de som Basis­cape dão um bom suporte para com­ple­tar a trama, mas, sin­ce­ra­mente, pode­riam ser melho­res, pois ficam meio repe­ti­ti­vas se você pres­tar atenção.

Não se trata de um jogo fácil: cer­tos mes­tres che­gam mesmo a irri­tar se por acaso forem enfren­ta­dos sem a pre­pa­ra­ção ade­quada, con­tudo, não chega a ser um jogo extre­ma­mente longo, podendo ser ter­mi­nado em menos de 15 horas com algum esforço.

A maior recla­ma­ção, sin­ce­ra­mente, é téc­nica, pois, na hora em que a tela fica repleta de raios, explo­sões e mons­tros vora­zes o hard­ware do PS2 começa a pipo­car para o odi­ado efeito slow­down… se você não for esperto acaba mor­rendo para ter que come­çar o cená­rio de novo.

O game é, ape­sar desse defei­ti­nho, uma ver­da­deira obra de arte, repleto de bom gosto, bem feito e muito inte­res­sante, ghe­gando a garan­tir um 8.8 no score da IGN.

Minha reco­men­da­ção? Se você não jogou, jogue, pois este é um jogo memorável.

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Você está pronto para o Amarok?

amarokredimensionadoVocê está pronto para o Ama­rok? Eu sei que não estou, ou, de fato, tal­vez o Ama­rok não esteja pronto para mim.

Mesmo sendo um feliz usuá­rio do GNOME, por­que per­der tempo com outros players, já que o Ama­rok é, indis­cu­ti­vel­mente o melhor, mesmo sendo da famí­lia KDE? Pas­sei os últi­mos meses ansi­oso para ver as novi­da­des que o Ama­rok 2 tra­ria. Vi e ouvi pro­mes­sas de um soft­ware revo­lu­ci­o­ná­rio que seria capaz de ele­var o, já exce­lente, Ama­rok a um nível ainda maior de usa­bi­li­dade e satis­fa­ção dos usuários.

Quando saiu o Fedora 10, ins­ta­lar de volta meus codecs e escu­tar umas músi­cas enquanto ava­li­ava o sis­tema foi uma das minhas pri­mei­ras pro­vi­dên­cias e para meu susto, lá estava ele, o Ama­rok 2 em toda a sua gló­ria. As decep­ções come­ça­ram logo: não gos­tei da inter­face. A bibli­o­teca no canto esquerdo, as músi­cas recen­tes no meio e a play­list no canto esquerdo, tudo apoi­ado na filo­so­fia “você é cego” que o KDE e o Ruin­dows Vista tei­mam em esfre­gar na nossa cara, com botões gigan­tes e um enorme des­per­dí­cio de espaço.

Logo que come­cei a usar me senti des­con­for­tá­vel, a nítida sen­sa­ção que tinha era a de estar usando um pro­duto tão expe­ri­men­tal que classificá-lo de “alfa” seria bon­dade; parece que a equipe do Ama­rok ten­tou sim­pli­fi­car as coi­sas mas esque­ceu que sim­pli­fi­car não é cor­tar recur­sos e sim encon­trar novas manei­ras de fazer com que os recur­sos sejam melhor apro­vei­ta­dos. Foram inca­pa­zes de colo­car lá perto da play­list os botões de “emba­ra­lhar” e “repe­tir”, sendo que isso, fran­ca­mente, até os players mais mal fei­tos do mundo têm.

Eu tenho o hábito de impli­car com as coi­sas, faz tempo que não suporto mais o KDE e aquela con­fu­são de menus, pen­sei, por isso, que o fato de estar odi­ando o novo Ama­rok era fruto da minha impli­cân­cia, mas cons­ta­tei entre os ami­gos que a desa­pro­va­ção foi geral e mesmo os puxa-sacos que conheço deram uma tor­ci­di­nha de nariz antes de tapar o sol com a peneira: “real­mente erra­ram em algu­mas coi­sas… mas vai melhorar”.

Parei com o Ama­rok por­que ele está feio, com uma inter­face burra, ins­tá­vel e teima em pipo­car os pri­mei­ros segun­dos de todas as músi­cas que toco. Vou ter que me con­ten­tar com o player Exaile, do GNOME. Ele não é tão ele­gante quanto o Ama­rok era, nem tão com­pleto, mas fun­ci­ona, tem bibli­o­teca que per­mite múl­ti­plas pas­tas, busca letras e infos da Wikipédia.

Só me resta per­gun­tar, caro lei­tor: Are you ready to Amarok?

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O apocalipse, o bug do milênio e o futuro

apocalipseEm pra­ti­ca­mente todas as cul­tu­ras existe o con­ceito de “fim dos dias”, um momento em que a huma­ni­dade — como a conhe­ce­mos — che­gará ao fim por inter­mé­dio de algum evento catas­tró­fico e de con­seqüên­cias ter­rí­veis. O sen­ti­mento de fim, embora sem­pre evi­te­mos pen­sar nele dire­ta­mente, está pre­sente no nosso sub­cons­ci­ente e povoa o ima­gi­ná­rio do homem desde que aban­do­na­mos as caver­nas e nos aven­tu­ra­mos mundo afora.

Ten­tar pre­ver a che­gada do fim tam­bém tem fas­ci­nado e feito estre­me­cer as pes­soas ao longo dos sécu­los. Diver­sas datas apo­ca­líp­ti­cas já foram decre­ta­das por reli­gi­o­sos, mís­ti­cos, mági­cos, pen­sa­do­res e adi­vi­nhos. Sem citar os casos medi­e­vais, onde pra­ti­ca­mente toda data com um sig­ni­fi­cado popu­lar era pre­texto para o fim do mundo.

A civi­li­za­ção evo­luiu, mas o medo, que é um sen­ti­mento ins­tin­tivo, não faz dis­tin­ção de tec­no­lo­gia ou de era. Já em 1910, quando os seres huma­nos come­ça­vam a gozar de con­si­de­rá­veis faci­li­da­des tra­zi­das pela tec­no­lo­gia, o mesmo medo pri­mi­tivo tomava conta de popu­la­ções intei­ras: o pla­neta Terra pas­sa­ria exa­ta­mente pelo ras­tro do cometa Hal­ley e os gases vene­no­sos flu­tu­ando pela atmos­fera iriam pôr fim à exis­tên­cia de qual­quer coisa que res­pi­rasse. Houve uma explo­são na venda de más­ca­ras que pro­me­tiam fil­trar o ar e mais uma vez apren­de­mos que, em tem­pos de crise, sem­pre é pos­sí­vel fatu­rar alto, mesmo que seja em cima da igno­rân­cia alheia.

O fim do mundo tam­bém estava pre­visto para o ano de 1999 e o pró­ximo, segundo os pes­si­mis­tas, vai ser em 2012… Se você esti­ver lendo esse artigo em 2013, é claro, sig­ni­fica que o mundo con­ti­nua firme e forte (com uma ou outra guer­ri­nha, doen­ças, desi­gual­dade social e sogras, mas con­ti­nua inteiro).

Atu­al­mente as nos­sas mai­o­res pre­o­cu­pa­ções têm pouco a ver com maus espí­ri­tos e ras­tros de cometa. Vive­mos num mundo quase total­mente infor­ma­ti­zado mas tive­mos o “nosso” pri­meiro fim do mundo anun­ci­ado para 1999, quando a ame­aça cha­mada “Bug do Milê­nio” mos­trou que o mundo infor­ma­ti­zado tem um cal­ca­nhar de Aquiles.

O nosso cal­ca­nhar de Aqui­les vinha de um pro­blema her­dado de códi­gos mais anti­gos e que aca­bam pas­sando des­per­ce­bi­dos ao longo dos anos sim­ples­mente por­que mesmo os códi­gos mais anti­gos podem fun­ci­o­nar bem, até que as limi­ta­ções da época em que foram escri­tos come­çam a se trans­for­mar em pro­ble­mas para os dias de hoje.

Os pro­gra­ma­do­res de anti­ga­mente pre­ci­sa­vam lidar com o pro­blema de falta de memó­ria e, de fato, cada byte eco­no­mi­zado pode­ria sig­ni­fi­car uma grande eco­no­mia ou, inclu­sive, se o soft­ware pode­ria ou não ser pro­du­zido. Cada letra (ou número) exi­bido na tela sig­ni­fi­cava 1 byte de gasto; exi­bir uma data como 22 02 1960 que­ria dizer 8 bytes de memó­ria a menos e a solu­ção mais óbvia era cor­tar o “19” do ano, trans­for­mando a data em 22 02 60.

A solu­ção não levava em conta que os códi­gos escri­tos sob esse con­ceito “econô­mico” pode­riam sobre­vi­ver pelos pró­xi­mos 40 anos e che­gar ao dia 31 de dezem­bro de 99.

Basi­ca­mente, sur­giu o risco de que sis­te­mas vitais usando os anos com dois dígi­tos, depois do dia 31/12/99 zeras­sem os reló­gios de volta ao dia 1º de janeiro de 1900.

Con­seqüen­te­mente, taxas ban­cá­rias com 100 anos de juros seriam emi­ti­das, pas­sa­gens aéreas teriam 100 anos de atra­sos e diver­sos softwa­res depen­den­tes de calen­dá­rios enfren­ta­riam problemas.

bugO mundo todo se mobi­li­zou num upgrade pre­ven­tivo que cus­tou milhões de dóla­res e eu ainda me lem­bro da cena mos­trada pela TV, onde logo após a virada do ano de 1999 para 2000, ope­ra­do­res de sis­te­mas come­mo­ra­vam a não mani­fes­ta­ção do bug (pouco se lixando para o fato de ser ano novo).

O Bug do Milê­nio foi der­ro­tado, mas no melhor estilo de um vilão de his­tó­rias em qua­dri­nhos, con­ti­nu­ará a espreita para ata­car numa outra opor­tu­ni­dade. De fato, o pró­ximo pro­blema já tem data e hora mar­ca­dos: 03:14:07, na terça-feira do dia 19 de janeiro de 2038.

Este bug, cha­mado de Bug de 2038 ou Bug do Milê­nio Unix, irá afe­tar todos os sis­te­mas 32 bits que cal­cu­lam suas datas a par­tir da repre­sen­ta­ção POSIX. Na repre­sen­ta­ção de tempo POSIX, todo o tempo é base­ado numa con­ta­gem feita em segun­dos e essa con­ta­gem come­çou no dia 1º de Janeiro de 1970, aumen­tando de segundo em segundo até os dias de hoje.

Se qui­ser des­co­brir a sua “hora UNIX” digite no ter­mi­nal “date +%s”. Essa é a quan­ti­dade de segun­dos que se pas­sa­ram desde 01/01/1970.

O bug de 2038 ocorre por­que a mai­o­ria dos sis­te­mas tipo UNIX de 32 bits é pro­gra­mado em lin­gua­gem C, que trata os valo­res de tempo como núme­ros intei­ros do tipo “sig­ned” (que acei­tam sinais posi­ti­vos e nega­ti­vos). Existe um valor máximo que os núme­ros do tipo “inteiro e com sinal” podem supor­tar e esse valor vai de –2.147.483.648 até +2.147.483.647, ou seja: come­çando de 00:00:00 em 1º de janeiro de 1970, o tempo UNIX suporta “somente” 2.147.483.647 segun­dos antes de zerar a contagem.

Alguns sis­te­mas retor­na­rão ao zero (que é 1970) e outros retor­na­rão ao –2.147.483.648 (que é 1901).

O pri­meiro pro­blema sério ocor­rido por causa do bug de 2038 afe­tou os ser­vi­do­res AOL em 12/05/2006. Para garan­tir que nunca ocor­resse time out numa requi­si­ção de banco de dados, os ser­vi­do­res esta­vam pro­gra­ma­dos para tra­ba­lhar com time­outs um bilhão de segun­dos no futuro. Quando esse adi­anto de 1 bilhão de segun­dos atin­giu a data fatí­dica de 2038, os ser­vi­do­res travaram.

A solu­ção, no caso, é a migra­ção para padrões de 64 bits, o que, espera-se, tenha ocor­rido até 2038.

O pró­ximo bug — que deve atin­gir os calen­dá­rios cal­cu­la­dos atra­vés de méto­dos de 64 bits — não é exa­ta­mente uma pre­o­cu­pa­ção ime­di­ata: num domingo, no dia 4 de dezem­bro de 292.277.026.596 às 15:30:08 (UTC), as máqui­nas UNIX de 64 bits tam­bém enfren­ta­rão o Bug de Data.

ADENDO

Mesmo nos dias de hoje ainda há pro­fis­si­o­nais que pre­ci­sam tra­ba­lhar com quan­ti­da­des limi­ta­dís­si­mas de memó­ria e que ficam con­tando cada byte uti­li­zado. Sis­te­mas embar­ca­dos em memó­rias ROM são o melhor exem­plo: medi­do­res de luz e outros meca­nis­mos sim­ples que rodam longe de nos­sos olhos, gra­va­dos em memó­rias não volá­teis e que, mui­tas vezes, car­re­gam códi­gos anti­gos ou bugs poten­ci­ais, esque­ci­dos pelo tempo mas que espe­ram pela opor­tu­ni­dade de se mani­fes­ta­rem. Ainda há, na ver­dade, muito código com mais de 20 anos rodando por aí e ser­vindo de base para softwa­res do nosso dia a dia. O pró­prio Inter­net Explo­rer (pelo menos até a ver­são 6) e o Fire­fox tra­zem peda­ços de código oriun­dos do velho Mosaic, que foi o pri­meiro nave­ga­dor popu­lar da história.

Até 2038 ainda tere­mos bas­tante tempo, mas nenhum espe­ci­a­lista pode garan­tir que a migra­ção atinja 100% das máqui­nas e que o bug de 2038 não terá nenhuma conseqüência.

SEU SISTEMA LINUX 32 BITS VAI BUGAR EM

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Um novo jeito de VER as buscas na web: Viewzi

Enquanto o Goo­gle cresce impi­e­do­sa­mente e engole tudo (e todos) à sua volta, enquanto o bom e velho Yahoo! sente as pri­mei­ras dores da ago­nia e enquanto a Micro­soft acorda gri­tando de medo no meio da noite diante de um cená­rio que lhe parece des­fa­vo­rá­vel, ainda exis­tem os peque­nos e cora­jo­sos des­co­nhe­ci­dos que ousam pla­ne­jar suas pró­prias solu­ções con­tra os três gigan­tes que domi­nam o mer­cado da web.

Estou falando do novo site de bus­cas Viewzi… pois é, a esta altura do cam­pe­o­nato eis que surge mais um site de bus­cas… Para ser sin­cero, não levei fé quando ouvi falar na “novi­dade”; o mer­cado das bus­cas já está meio que con­so­li­dado e sabe­mos muito bem quem leva van­ta­gem. Fiz cadas­tro para ser beta tes­ter do Viewzi — pois o uso ainda é vedado ao público – e nem liguei muito se seria ou não cha­mado. Pois para minha sur­presa, fui cha­mado e me lem­brei então que esse papo de “mer­cado con­so­li­dado” não existe (que o diga o Yahoo!, ex pri­meiro lugar na web) e que é sem­pre bom saber que tem gente ten­tando rein­ven­tar a roda por aí… nunca se sabe quando vão des­co­brir a tur­bina a jato, não é mesmo?

O que tem de legal no Viewzi é jus­ta­mente aquilo que o nome dá a enten­der: o visual. Ele não inova em algo­rit­mos, não busca resul­ta­dos mira­cu­lo­sos e nem se diz melhor que o Goo­gle. Na ver­dade, o Viewzi (sem nenhuma ver­go­nha) ape­nas agrega os resul­ta­dos dos bus­ca­do­res mais famo­sos (Goo­gle, Yahoo, MSN…), mas não é só isso, antes que vossa senho­ria pare de ler e comece a pra­gue­jar aos céus, apresso-me em dizer que vale à pena dar uma olhada. Ele orga­niza o con­teúdo de uma forma total­mente visual, per­mi­tindo que o usuá­rio esco­lha (como mos­trado nessa foto aí em cima) a maneira como (e de onde) deseja visu­a­li­zar os resultados:

  • Web Scre­enshot: Onde os resul­ta­dos são mos­tra­dos como scre­enshots bem legais, des­li­zan­tes no sen­tido hori­zon­tal e muito níti­das, além, é claro, de serem resul­ta­dos muito relevantes.
  • Video 3x View: Com resul­ta­dos do BlinkX, Veoh e You­Tube, todos orga­ni­za­dos na tela em três filei­ras hori­zon­tais des­li­zan­tes. Os vídeos mos­tram flashes de seu pró­prio con­teúdo em thum­bails, alguns em loo­ping antes de serem cli­ca­dos e aber­tos pelo usuário.
  • Basic Photo View: Ima­gens agre­ga­das do Flyckr e do Riya, arru­ma­das como numa matriz am linhas e colunas.
  • Sim­ple Text View: As tra­di­ci­o­nais exi­bi­ções em texto, com um thumb­nail do lado esquerdo, um link prin­ci­pal e um pequeno pre­view do con­teúdo em texto… isso já vimos.
  • 4 Sour­ces View: com resul­ta­dos com­bi­na­dos do Yahoo, Goo­gle, MSN e Ask, todos empi­lha­dos por relevância.
  • Tech Crunch: Resul­ta­dos obti­dos do site Tech Crunch.
  • Reu­ters News View: Notí­cias adqui­ri­das da Reu­ters, com arti­gos como se fos­sem notí­cias de jor­nal. Apa­rece um resumo fun­ci­o­nal e logo abaixo o tra­di­ci­o­nal “Read more”.
  • Every­day Shop­ping View: agre­gando os prin­ci­pais sites de com­pras, Ama­zon, Ebay, Tar­get, Wal-Mart… tudo de maneira visual, como sempre.
  • The Weather View: obvi­a­mente com resul­ta­dos de bus­cas sobre clima atu­al­mente limi­ta­das aos Esta­dos Unidos.
  • Ama­zon Book View: Busca de livros no Ama­zon, muito deta­lhada, com pre­ços, sinop­ses, clas­si­fi­ca­ção e disponibilidade.
  • Mp3 Search View: Esse é um dos meus favo­ri­tos. Mp3 são encon­tra­das, clas­si­fi­ca­das por rele­vân­cia e com um player inte­li­gente embu­tido podem tem exe­cu­ção ins­tan­tâ­nea. Repa­rem que o nome da tri­lha é a pró­pria barra de pro­gresso de exe­cu­ção e que vai mudando de cor con­forme a música toca.
  • Cele­brity Photo View: Um bus­ca­dor de fotos chi­que. Os resul­ta­dos são exi­bi­dos com deco­ra­ções estilo “foto”, joga­dos ale­a­to­ri­a­mente sobre a tela como se fos­sem foto­gra­fias espa­lha­das ao longo de uma mesa. Flu­tu­ando o mouse sobre alguma delas, esta ganha foco e se destaca.

Essa abor­da­gem visual de tra­ba­lhar, todos sen­ti­mos, é uma ten­dên­cia futu­rista, a web, os softwa­res, a TV, tudo cami­nha para uma inte­ra­ti­vi­dade maior, mais visual e menos ver­bal… quem sabe esta­mos vendo nas­cer no Viewzi o Goo­gle de ama­nhã? Bem… nunca se sabe… Embora ele demore um pouco mais para com­pi­lar os resul­ta­dos, vale à pena pelo bom gosto e orga­ni­za­ção. No final das con­tas, expe­ri­men­tar a nova alter­na­tiva é viá­vel, nem que seja por diver­são. Se o Goo­gle tem que se pre­o­cu­par, isso é outra história…

Curi­oso? Veja o vídeo.

<a href="http://youtube.com/watch?v=VROPRHf8Sv8" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/youtube.com/watch?v=VROPRHf8Sv8&amp;referer=');">http://youtube.com/watch?v=VROPRHf8Sv8</a>

P.S.: Bus­cando pelo termo “Fedora” o Goo­gle achou 39.200.000 ocor­rên­cias, con­tra 73.600.000 do Yahoo! :-O e 14.300.000 mise­rá­veis ocor­rên­cias pelo MSN Search

P.P.S.: Antes que alguém se insi­nue, sim, estou ten­tando vol­tar a usar KDE… tudo culpa do GNOME-comedor-de-memória-RAM

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Fedora x CentOS x Red Hat

Quem tra­ba­lha com infor­má­tica em algum momento da vida já ouviu falar ou usou uma des­sas três dis­tri­bui­ções. No entanto, algo que é meio obs­curo é a estreita rela­ção que as três dis­tros apre­sen­tam entre si (e esta rela­ção não é somente o fato de as três terem a pode­rosa Red Hat por trás) e como cada uma pode ser usada para fins bas­tante espe­cí­fi­cos. Então, se você nunca enten­deu qual das três esco­lher para o seu caso, este é o artigo certo.

Fedora:

O Fedora nas­ceu em 2003 como uma ini­ci­a­tiva da Red Hat. Nessa época, com o aque­ci­mento do mer­cado de soft­ware a Red Hat, que já mos­trava um cres­ci­mento espan­toso nos seus negó­cios, deci­diu concentrar-se defi­ni­ti­va­mente no mer­cado cor­po­ra­tivo e can­ce­lou a dis­tri­bui­ção gra­tuita do seu sis­tema ope­ra­ci­o­nal para a comu­ni­dade. O Red Hat 9 foi o último Red Hat grá­tis e ainda pode ser bai­xado AQUI, mas o fato é que eu, assim como mui­tas pes­soas, fiquei espe­rando o Red Hat 10 e ele nunca saiu. A Red Hat pas­sou a somente ven­der seu pro­duto… e não é que ela não ven­desse o Red Hat antes. A Red Hat foi a pio­neira em empa­co­tar um Linux e ofe­re­cer 100% de suporte aos seus cli­en­tes, mas o fato é que o fim do Red Hat grá­tis marca o nas­ci­mento do Fedora.

Fedora era o nome de uma pequena equipe de volun­tá­rios que par­ti­ci­pava cri­ando alguns paco­tes para o Red Hat e que, pos­te­ri­or­mente aca­bou sendo absor­vida pelo Fedora Pro­ject. Vale res­sal­tar que o Fedora não é o Red Hat e que o Pro­jeto Fedora é um pro­jeto com suas pró­prias metas e táti­cas de desen­vol­vi­mento, sendo, somente, patro­ci­nado pela Red Hat.

O Fedora tem como seu prin­ci­pal obje­tivo ser o pio­neiro em tec­no­lo­gia de soft­ware e tes­tar novas idéias. Basi­ca­mente, como usuá­rio Fedora, posso sem­pre afir­mar que tenho ins­ta­lado em meu com­pu­ta­dor a ver­são mais atual de uma imensa lista de softwa­res e, ainda mais, são gran­des as chan­ces de que um usuá­rio Fedora seja o pri­meiro a expe­ri­men­tar um novo soft­ware que as outras dis­tri­bui­ções podem levar de seis meses a um ano para poder experimentar.

Sem­pre há mui­tas atu­a­li­za­ções, tanto que não é raro fazer down­load de um Fedora e deparar-se com 600 MB de update (mas não se deses­pere, para isso a equipe lança os res­pins que são remas­te­ri­za­ções dos dis­cos com tudo atu­a­li­za­di­nho), no entanto, mui­tas atu­a­li­za­ções não sig­ni­fi­cam, neces­sa­ri­a­mente, que há mui­tos pro­ble­mas. As atu­a­li­za­ções refle­tem, em grande mai­o­ria, a pró­pria evo­lu­ção dos softwa­res ins­ta­la­dos e não sig­ni­fi­cam bugs, geralmente.

Esta­bi­li­dade:

A dis­tri­bui­ção é muito está­vel, mesmo com a grande quan­ti­dade de atu­a­li­za­ções e é raro ver um Fedora tra­vando ou pas­sando por um Ker­nel panic que não seja por motivo de alguma má con­fi­gu­ra­ção do pró­prio usuá­rio. Ainda vale o ponto sem­pre forte de que se trata de um linux e como todo Linux, o Fedora herda essa esta­bi­li­dade característica.

Fedora desktop/estação de trabalho/servidor:

Jus­ta­mente pelo fato de o Fedora sem­pre usar tudo que há de mais atual em soft­ware, ele se enqua­dra nas três cate­go­rias. Durante a ins­ta­la­ção, o usuá­rio pode sele­ci­o­nar per­fis que melhor se ajus­tem às suas neces­si­da­des e é fácil trans­for­mar uma ins­ta­la­ção “em branco” do Fedora num sis­tema mul­ti­mí­dia com apli­ca­ções de áudio, vídeo e gra­va­ção, assim como deixá-lo bonito, com efei­tos de cair o queixo ou mon­tar um ser­vi­dor com rígi­das polí­ti­cas de segu­rança (sem­pre res­sal­tando que os softwa­res serão os mais atu­ais possíveis).

Fedora como ser­vi­dor: uma má idéia?

Se você tem um sis­tema ope­ra­ci­o­nal para diver­são ou ape­nas para as tare­fas cor­ri­quei­ras da vida de um mero mor­tal, pro­va­vel­mente não se impor­tará em reins­ta­lar seu Fedora 7 para expe­ri­men­tar as novi­da­des no novo Fedora 8. O desen­vol­vi­mento é muito rápido e a cada 6 meses (mais ou menos) há um novo fedora sal­tando por aí. Você tam­bém não se impor­tará em saber que den­tro de apro­xi­ma­da­mente 13 meses aquele Fedora mais antigo dei­xará de rece­ber atu­a­li­za­ções e será des­con­ti­nu­ado os pla­nos do Fedora Pro­ject. Mas, se voc|ê é um admi­nis­tra­dor de rede ou se geren­cia um ser­vi­dor que vive em alta carga, sabe que “em time que está ganhando não se mexe”. Isso equi­vale a dizer que depois que seu ser­vi­dor esti­ver pronto, você rezará aos céus para nunca mais ter que mexer nele e a sim­ples idéia de saber que seu ser­vi­dor Fedora vai sair de linha den­tro de 13 meses pode ser desanimadora.

Não quero dizer que o fedora não vai ser um bom ser­vi­dor. A ver­dade é que ele vai ser um ótimo ser­vi­dor, no entanto, o rápido ciclo de atu­a­li­za­ções pode fazer do Fedora uma má esco­lha se você se impor­tar em ter que reins­ta­lar seu ser­vi­dor a cada 13 meses. Ainda tenho máqui­nas rodando Fedora 3 que nunca deram pro­blema, mas isso não sig­ni­fi­ca­ria que estou dis­posto a ter um sis­tema que dei­xou de rece­ber upda­tes. Lembre-se: “em time que está ganhando não se mexe” e é por essa máxima que ainda exis­tem ser­vi­do­res por aí rodando linux tão anti­gos que usam o velho ker­nel 2.2. Para resu­mir, se você não se importa em dei­xar de ser atu­a­li­zado a cada 13 meses, o Fedora será uma boa esco­lha. O que eu uso nos meus ser­vi­do­res? Uso Cen­tOS. =) Já vere­mos o motivo.

Cen­tOS:

Cen­tos sig­ni­fica Com­mu­nity ENTer­prise Ope­ra­ting Sys­tem e se você não o conhece deve­ria conhe­cer. A ver­dade é que nós, do Pro­jeto Fedora, ama­mos o Cen­tOS pois é pre­ciso admi­tir que eles são “os caras”. Cada Cen­tOS é uma cópia fiel do Red Hat Enter­prise Linux (RHEL) pago, reti­rando somente as logo­mar­cas e o nome Red Hat para não infrin­gir nenhuma licença de uso.

Uma vez que a Red Hat dis­po­ni­bi­liza seus códi­gos fon­tes, o que a comu­ni­dade Cen­tOS faz é compilá-los, dis­tri­buindo um RHEL grá­tis para qual­quer um que dese­jar usá-lo.

Cada Cen­tOS é 100% com­pa­tí­vel à sua con­tra­parte RHEL, isso sig­ni­fica que o Cen­tOS 5.1 é com­pa­tí­vel com o RHEL 5.1, assim como o 5.0 é 100% com­pa­tí­vel com o RHEL 5.0 e daí por diante.

A equipe Cen­tOS não perde tempo e tra­ba­lha de maneira muito com­pe­tente para man­ter o Cen­tOS sem­pre em sin­cro­nia com o RHEL, tanto que para cada atu­a­li­za­ção lan­çada para o RHEL, leva no máximo 72 horas para que a mesma esteja dis­po­ní­vel nos repo­si­tó­rios do CentOS.

Ao con­trá­rio do Fedora, o Cen­tOS não conta com o patro­cí­nio da Red Hat e é total­mente man­tido e patro­ci­nado por uma comu­ni­dade de pro­fis­si­o­nais e empre­sas volun­tá­rios que con­tri­buem com doa­ções ou com tra­ba­lho espe­ci­a­li­zado, tor­nando o Cen­tOS possível.

Esta­bi­li­dade:

Os softwa­res que vêm no Cen­tOS são tão está­veis quanto os softwa­res que vêm no RHEL. Ape­nas dizer isso já seria uma garan­tia de que o sis­tema é sólido e de que cada soft­ware, antes de ser colo­cado na dis­tri­bui­ção, foi tes­tado exaus­ti­va­mente para garan­tir a segu­rança e a fun­ci­o­na­li­dade. Isso, é claro, tam­bém sig­ni­fica que o Cen­tos não vem com os softwa­res mais atu­ais; em vez disso ele troca o cará­ter expe­ri­men­ta­dor do Fedora por um cará­ter conservador.

Cen­tOS desktop/estação de trabalho/servidor:

Assim como o Fedora, Cen­tOS tam­bém pode ser mudado sim­ples­mente escolhendo-se um per­fil durante a ins­ta­la­ção. Basta adi­ci­o­nar alguns pou­cos repo­si­tó­rios para tor­nar seu Cen­tOS, natu­ral­mente sério e rigo­roso, numa esta­ção de tra­ba­lho diver­tida e bonita. O Cen­tOS 5,1 é o equi­va­lente a um Fedora Core 6 muito está­vel e ele já vem pronto para ser um ser­vi­dor que fun­ci­one em pro­du­ção, neces­si­tando ape­nas ser con­fi­gu­rado de acordo com as neces­si­da­des do pro­fis­si­o­nal. Ao con­trá­rio do Fedora, o ciclo de vida do Cen­tOS é longo e cada ver­são recebe atu­a­li­za­ções por incrí­veis 7 anos. Isso sig­ni­fica que seu ser­vi­dor usando Cen­tOS 5 vai con­ti­nuar rece­bendo pat­ches e upda­tes até 2014. Se você é uma empresa média ou pequena e que não pode (ou quer) arcar com os cus­tos de um RHEL, mas deseja um sis­tema está­vel e de nível Enter­prise, Cen­tOS é a sua melhor esco­lha, mas, é claro, ao abrir mão de pagar pelo RHEL você tam­bém abre mão de ter uma empresa que lhe dê todo o suporte e passa a con­fiar na ajuda da comu­ni­dade Cen­tOS que dis­po­ni­bi­liza docu­men­ta­ção em sites e ajuda em fóruns.

O que a Red Hat pensa sobre o CentOS?

Embora a Red Hat não esteja ligada ao Cen­tOS de nenhuma forma, ela vê com bons olhos a ini­ci­a­tiva e chega a recomendá-lo em alguns casos. Eu só soube o que o Cen­tOS real­mente era quando come­cei a me pre­pa­rar para o Exame de RHCE e fui pro­cu­rar manei­ras de estu­dar o Red Hat Enter­prise Linux sem usar nada que fosse “pirata” ou ile­gal. Fiquei sur­preso ao ler que a pró­pria Red Hat reco­menda que pro­cu­rás­se­mos por dis­tri­bui­ções como o Cen­tOS para levar adi­ante os estu­dos sem ter que pagar os pre­ços de uma dis­tri­bui­ção enterprise.

Por fim, ainda falando sobre o Cen­tOS, se você tem uma empresa que usa Cen­tOS ou se você é um pro­fis­si­o­nal que pro­cura uma boa (e está­vel) solu­ção, con­si­dere con­tri­buir para a Comu­ni­dade Cen­tOS com doa­ções finan­cei­ras ou con­tra­tando ser­vi­do­res dedi­ca­dos. Isso é muito menos do que você paga­ria para usar o RHEL e vai garan­tir que o Cen­tOS terá uma vida longe (e prós­pera). Se qui­ser cola­bo­rar de alguma forma, veja como pro­ce­der AQUI.

Red Hat

A Red Hat come­çou suas ati­vi­da­des em 1995, com Bob Young e Mark Ewing. O Red Hat 1 teve o codi­nome Hal­loween e foi o pri­meiro passo dado por uma empresa que se tor­na­ria uma das mai­o­res do soft­ware livre no mundo. O nome Red Hat vem de uma his­tó­ria inte­res­sante: Mark Ewing gos­tava de usar um cha­péu ver­me­lho e sem­pre que era pro­cu­rado diziam para falar com o “cara do cha­péu ver­me­lho”. O nome veio naturalmente.

O sis­tema Red Hat pode ser adqui­rido gra­tui­ta­mente quando você baixa o Cen­tOS, mas o dife­ren­cial é o ser­viço. A Red Hat tem uma equipe com­posta por enge­nhei­ros e téc­ni­cos que pas­sam por tes­tes extre­ma­mente rigo­ro­sos durante a capa­ci­ta­ção. O exame para RHCE tem a dura­ção de 6 horas e é uma mis­tura de situ­a­ções teó­ri­cas e prá­ti­cas que coloca o pro­fis­si­o­nal em uma situ­a­ção de stress e pres­são, tudo para garan­tir que, depois de apro­vado, poderá pro­ver o melhor serviço.

O aten­di­mento é per­so­na­li­zado ao extremo e chega ao ponto de você, como cli­ente, poder pas­sar as suas espe­ci­fi­ca­ções de hard­ware para rece­ber um Red Hat com ker­nel recom­pi­lado espe­ci­al­mente para o seu uso.

O RHEL é um sis­tema ope­ra­ci­o­nal reco­men­dado para gran­des empre­sas que rodam apli­ca­ções vitais e não podem abrir mão de um suporte extre­ma­mente espe­ci­a­li­zado, 24 horas por dia. Os ser­vi­ços são caros (podendo ir de US$ 80 até alguns milha­res de dóla­res), mas a Red Hat tem como meta a exce­lên­cia nos ser­vi­ços que presta.

E então? Qual o seu per­fil? :)

Links Inte­res­san­tes

Pro­jeto Fedora

Cen­tOS BR

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Amarok para Windows: “só” 200 MB

Quem gosta de ouvir uma musi­qui­nha no PC e usa Linux, pro­va­vel­mente conhece o Ama­rok e quem conhece o Ama­rok, logo de cara nota que trata-se de um pro­duto supe­rior e, sem som­bra de dúvida, um dos melho­res players do mundo (não, não estou exagerando).

Já que Linux sig­ni­fica liber­dade, por que não por­tar o Ama­rok para Win­dows? A idéia, a prin­cí­pio por­reta, dei­xou muita gente ani­mada: ter o melhor player do mundo rodando sobre o Win­dows é algo como boi­co­tar a Micro­soft e seu impe­rio do mal de den­tro! Mas… (sem­pre tem um “mas”) o que nin­guém, nem os desen­vol­ve­do­res, tinham pen­sado é que por­tar o ama­rok para Win­dows não é tão sim­ples como recom­pi­lar o código fonte no Dev C++ e pronto. O Ama­rok usa as bibli­o­te­cas da famí­lia K, ou seja: é muito depen­dente do KDE e de suas bibli­o­te­cas e isso sig­ni­fica que se o povo do Win­dows qui­ser ter o Ama­rok rodando em seu sis­tema há duas pos­si­veis soluções:

  • Os pro­gra­ma­do­res reco­me­çam o Ama­rok “from scratch” e rees­cre­vem tudo só para fun­ci­o­nar no Win­dows (ouvi risa­das na platéia?).
  • Por­tar, junto com o Ama­rok, todas as bibli­o­te­cas e scripts neces­sá­rios para seu fun­ci­o­na­mento… coi­sas leves como KDE Base, Qt e Ruby que fazem doA­ma­rok tudo que ele é (ouvi cho­ros na platéia?).

Pois então, toda essa brin­ca­deira, com­pac­tada com o 7Zip, ficou em apro­xi­ma­da­mente 200 MB (antes de uns refi­na­men­tos era 270 MB, por isso não reclame) e eu fico pen­sando: vale à pena bai­xar 200 MB para ter um player de áudio funcionando?

Mais um pro­blema inte­res­sante é que o KDE 4 tam­bém vai ser por­tado para Win­dows (mas isso ainda demora, quer apos­tar?) e as equi­pes do Ama­rok e do KDE estão usando IDEs dife­ren­tes para com­pi­lar seus pro­je­tos, o KDE usa Visual Stu­dio 2005 e o Ama­rok usa Visual Stu­dio 2008 (são incom­pa­tí­veis). O pes­soal do Ama­rok está pen­sando em empa­co­tar inde­pen­den­te­mente as suas par­tes do KDE para garan­tir a com­pa­ti­bi­li­dade com o Ama­rok e isso vai sig­ni­fi­car que o Ama­rok vai sem­pre estar atra­sado em rela­ção aos lan­ça­men­tos do KDE, pois reem­pa­co­tar tudo não é moleza como parece.

Chega de más notí­cias? Ok, ok… a boa notí­cia é que des­ses 200 MB, só 2,36 MB são do Ama­rok; o resto são depen­dên­cias. :-)

Por fim, o pes­soal está lutando para redu­zir os 200 MB para 120 MB e tor­nar o tama­nho da ins­ta­la­ção mais razoá­vel (uns 35 MB de down­load com­pac­tado), mas adverte que cor­tar bibli­o­te­cas do KDE e dei­xar só o essen­cial para o Ama­rok pode sig­ni­fi­car que outras aolu­ca­ções da famí­lia K não irão fun­ci­o­nar. Ainda bem que uso Linux… ;-)

Ah, antes que me esqueça, o Ama­rok para Win­dows ainda está em fase alfa.

200 MB do seu disco vão embora:

  • 12488 kb — amarok
  • 75559 kb — kdebase
  • 33109 kb — kdelibs
  • 5155 kb — kdepimlibs
  • 134 kb — kdewin32
  • 158 kb — qimageblitz
  • 42188 kb — qt
  • 16984 kb — ruby
  • 1354 kb — soprano
  • 1336 kb — strigi
  • 352 kb — taglib
  • 21283 kb — win32libs

Fonte: Blog do Ama­rok

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Nós amamos o XMMS

É ver­dade que eu ando relapso com meu blog, mas tenho boas des­cul­pas para jus­ti­fi­car a ausên­cia prolongada:

  • Tra­ba­lho: muito, inter­mi­ná­vel, esta­fante, chato e inter­mi­ná­vel (sim, inter­mi­ná­vel duas vezes). Come­cei os estu­dos para o meu RHCE e estou ten­tando con­ci­cliar a minha facul­dade de Enge­nha­ria Quí­mica com meu livro de con­tos, as ati­vi­da­des de tra­du­ção do Fedora e os encar­gos de embai­xa­dor enquanto sou téc­nico de infor­má­tica na Pre­fei­tura Muni­ci­pal de Paracambi.
  • Falta de tempo: entre um lugar e outro, pen­sando na vida e só depois lem­brando do blog. :P
  • Pre­guiça: bem… melhor não falar nada aqui, pois qui­eto me defendo mais…

E já que o assunto é pre­guiça, que melhor tópico a abor­dar senão a volta do XMMS às para­das de sucesso, depois de 1211 dias sem ter nenhuma nova rele­ase? É isso mesmo! depois de 1211 dias na gela­deira, saiu a ver­são 1.2.11 do bom e velho XMMS.
Por que isso é tão impor­tante? O XMMS não é o player mais dinâ­mico, não vem com bil­bi­o­te­cas onde vc orga­niza seus arqui­vos, não tem inte­gra­ção com milha­res de recur­sos úteis (e inú­teis) da inter­net, ainda é feito em GTK 1 mas faz bem o que se pro­põe fazer: ele toca (e muito bem) vir­tu­al­mente qual­quer arquivo de áudio, numa inter­face que lem­bra o Winamp, sem fres­cu­ras, sem rodeio, sim­ples e direto.
Basi­ca­mente, quando todos os outros players falha­rem, o XMMS vai estar lá, fun­ci­o­nando e a impor­tân­cia dele é tão grande que a maior parte de sua his­tó­ria se con­funde com a his­tó­ria do pró­prio Linux.
Ele ainda é o favo­rito do pes­soal da velha guarda, da época em que para ins­ta­lar o Linux era pre­ciso dar boot atra­vés de um dis­quete, cone­xão à inter­net era con­se­guida via dis­ca­gem pela linha telefô­nica e assis­tir vídeo era feito atra­vés do XINE qua­dra­dão. O XMMS ainda se man­tém jovem e impres­si­o­nante, sem­pre leve, com a pos­si­bi­li­dade de usar skins das mais sim­ples às mais ela­bo­ra­das e uma tone­lada de plu­gins de melho­ra­mento de som.
Não sou da velha guarda, sou de 2002, quando o linux já não era mais tããããããão com­pli­cado (média guarda existe?), mas tam­bém sou fã desse player que con­ti­nua sendo o que­ri­di­nho de muita gente.

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