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Fedora: estabilidade ou inovação?

De tem­pos em tem­pos o Pro­jeto Fedora se agita devido a algum acon­te­ci­mento que leva a intenso debate e até a alguns ânimos exal­ta­dos no calor da dis­cus­são. O mais recente tópico, que afeta diver­sos aspec­tos da dis­tro e atinge for­te­mente o usuá­rio final é a “esta­bi­li­dade” do Fedora.

Toda a dis­cus­são foi cata­li­sada por uma reu­nião onde o FESCo mostrou-se incli­nado a não mais per­mi­tir que man­te­ne­do­res de paco­tes envi­as­sem softwa­res dire­ta­mente para o repo­si­tó­rio “sta­ble”.

Nesse ponto, alguma expli­ca­ção torna-se neces­sá­ria: quando você é man­te­ne­dor de um soft­ware, logo após enviá-lo para os repo­si­tó­rios, a sua res­pon­sa­bi­li­dade é usar o soft­ware Bodhi para clas­si­fi­car esse pacote como uma “melho­ria”, uma “cor­re­ção de bug” ou uma “atu­a­li­za­ção de segu­rança”, além de, claro, deci­dir se o pacote é está­vel ou se vai ficar algu­mas sema­nas de molho no “tes­ting”. Mui­tos man­te­ne­do­res, entre­tanto, por não man­te­rem paco­tes crí­ti­cos, cos­tu­mam enviar os paco­tes dire­ta­mente para o repo­si­tó­rio “sta­ble” (eu mesmo já o fiz diver­sas vezes e, como meus paco­tes não são crí­ti­cos, só mando para tes­ting quando a ver­são é alfa ou beta).

A incli­na­ção do FESCo gerou uma thread de quase 500 men­sa­gens e diver­sos des­do­bra­men­tos, mui­tos deles extre­ma­mente deli­ca­dos, como o bom senso dos empa­co­ta­do­res, a arbi­tra­ri­e­dade das deci­sões e, claro, se usar sem­pre os softwa­res mais moder­nos é mesmo o com­pro­misso do Fedora.

De fato, come­cei este post na inten­ção de focar este ponto: qual Fedora você pre­fere? Um Fedora mais con­ser­va­dor ou um Fedora mais ousado?

Tenha em mente que um Fedora mais con­ser­va­dor vai usar softwa­res que pas­sa­ram por um período mais longo de tes­tes mas que isso tam­bém sig­ni­fica que será pre­ciso espe­rar até o pró­ximo Fedora para usar aquele KDE novo e que mesmo atu­a­li­za­ções meno­res podem levar sema­nas. Por outro lado, um Fedora que sem­pre está na crista da onda con­ti­nu­a­ria a for­ne­cer as ver­sões mais recen­tes do KDE e de outros softwa­res, mesmo sabendo que a natu­reza ino­va­tiva traz diver­sos ris­cos de estabilidade.

O que eu, par­ti­cu­lar­mente, sugeri foi que incen­ti­vás­se­mos nos­sos usuá­rios a ati­va­rem o repo­si­tó­rio “tes­ting” como uma opção de pós-instalação, algo do tipo “esco­lha seu per­fil: ino­va­dor ou conservador”.

Esta dis­cus­são pode e vai, de fato, esta­be­le­cer como o Fedora será muito em breve.

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O dilema shakespeareano do Songbird no Fedora: ser ou não ser?

Faz muito tempo que o Ama­rok é meu player padrão de músi­cas, mas o cená­rio de bons players livres mudou bas­tante desde que o Ama­rok ini­ciou a car­reira. Pas­sa­mos de pouquís­si­mas opções para algu­mas que são, diga-se de pas­sa­gem, muito boas, como no caso do Songbird.

O player que usa a engine do Fire­fox (mas não é da Mozilla Foun­da­tion) e que tem como maior charme a pos­si­bi­li­dade de ins­ta­lar tone­la­das de plug-ins vem con­quis­tando sua legião de fãs, con­tudo, vem ficando de fora do Fedora há anos.

O pro­blema aqui é que a maneira como mui­tos softwa­res são pro­gra­ma­dos acaba difi­cul­tando ou invi­a­bi­li­zando sua inclu­são nas dis­tros. No caso do Song­bird, uma polí­tica extre­ma­mente ama­dora de desen­vol­vi­mento ter­mina por infer­ni­zar a vida de empa­co­ta­do­res e times de cor­re­ção de bugs: ele vem com sua pró­pria ver­são do Gstre­a­mer e ignora a ver­são do sistema.

Se come­çar­mos a empa­co­tar softwa­res assim, logo esta­re­mos imi­tando o Win­dows, onde cada soft­ware pode ter sua pró­pria ver­são da bibli­o­teca X e, até, sobrescrevê-la.

Nas polí­ti­cas de desen­vol­vi­mento e empa­co­ta­mento do Fedora, uma das pri­mei­ras dire­tri­zes é sem­pre usar os recur­sos do sis­tema, por isso, quando o Soft­ware “Fulano” vem com seu pró­prio Gstre­a­mer, esse Gstre­a­mer é dele­tado. Em outras pala­vras, quando o soft­ware tem depen­dên­cias, elas devem ser satis­fei­tas pelo sis­tema SEMPRE.

O Pro­blema: Song­bird aceita ape­nas a sua pró­pria ver­são do Gstre­a­mer, pat­che­ada para suas neces­si­da­des específicas.

A con­sequên­cia: o Song­bird vai per­ma­ne­cer de fora do Fedora até que isso possa ser cor­ri­gido ou até que os desen­vol­ve­do­res ori­gi­nais mudem a maneira de desenvolvê-lo.

Ape­sar disso, é pos­sí­vel usar o Song­bird sem mai­o­res danos ao sis­tema e, por isso, resolvi dis­po­ni­bi­li­zar aqui os RPMs que estão sendo sub­me­ti­dos (pelo David Halik) à apro­va­ção da equipe de desen­vol­vi­mento do Fedora; eles fun­ci­o­nam bem, ape­nas ainda não fica­ram do jeito que o Pro­jeto Fedora exige para os repos ofi­ci­ais (estou usando agora).

Enfim, apro­vei­tem:

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E continuo empacotando…

Pois é, a des­peito de eu ter feito as malas e come­çado a minha via­gem rumo ao mundo dos usuá­rios domés­ti­cos aca­bei rece­bendo um e-mail que me fez capitular.

Como enge­nheiro quí­mico e, prin­ci­pal­mente, amante de cál­cu­los e softwa­res afins, pas­sei muito tempo frus­trado por não ter no Fedora o exce­lente soft­ware Sci­Lab. Alguns entra­ves téc­ni­cos tor­nam essa tarefa extre­ma­mente difícil.

Para se ter uma ideia, a novela come­çou em 22 de novem­bro de 2008 e con­ti­nua se desen­ro­lando até os dias de hoje, quando, ana­lo­ga­mente, o moci­nho parece der­ro­tado, mas trama um jeito de des­mas­ca­rar o vilão, res­ga­tar a don­zela, sal­var o irmão para­plé­gico de um car­dume de pira­nhas, conhe­cer o pai desa­pa­re­cido, per­doar a mãe e des­co­brir que o melhor amigo é, na ver­dade, seu filho. Ou seja: são os momen­tos deci­si­vos. :-P

Dia 3 de feve­reiro, parto para uma via­gem de férias de uma semana, mas pre­tendo come­çar alguns esbo­ços para o pacote e, se tudo der certo, em breve nos­sos Fedo­rans pode­rão digi­tar “yum ins­tall sci­lab” para ter acesso a uma das fer­ra­men­tas de mode­la­gem numé­rica mais legais que existem.

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O yum downgrade funciona

Sabe quando você pensa que é esperto e acaba fazendo bes­teira na sua esta­ção de tra­ba­lho por excesso de con­fi­ança? Pois é, isso me acon­te­ceu ainda esses dias.

Depois que perdi o cabo USB do meu tele­fone celu­lar, a única maneira de trans­fe­rir arqui­vos PC/celular era ape­lar para o meu dis­po­si­tivo blu­e­to­oth USB de R$ 20.

Não have­ria pro­blema se o GNOME Blu­e­to­oth fun­ci­o­nasse direito. Em vez disso, nove em cada dez ten­ta­ti­vas ter­mi­na­vam em tra­va­mento. Já estava can­sado de me con­ter nos pala­vrões quando, na ver­dade, a von­tade era ber­rar a ple­nos pul­mões fra­ses que sequer a finada Dercy Gon­çal­ves ousaria.

Optei pelo poli­ti­ca­mente cor­reto e habi­li­tei o repo­si­tó­rio “updates-testing” do Fedora, na espe­rança de obter uma solu­ção para os tra­va­men­tos. É claro, achei melhor atu­a­li­zar o GNOME todo (já que estava ali, por que não?).

user@computer:$ su –c ‘yum –enablerepo=updates-testing update gnome*’

Resul­tado: não ape­nas o Blu­e­to­oth con­ti­nuou sem fun­ci­o­nar como o GNOME come­çou a abrir jane­las (deze­nas) que car­re­ga­vam infi­ni­ta­mente na lista de janelas.

Lembrei-me de que o “yum down­grade” já estava imple­men­tado e vi uma boa chance de expe­ri­men­tar. Falei sobre esse novo recurso faz algum tempo, mas, de fato, era tudo teoria.

Na prá­tica, o down­grade de paco­tes via YUM fun­ci­o­nou bas­tante bem:

user@computer:$ su –c ‘yum down­grade gnome*’

E todos esses upda­tes em teste (que, cla­ra­mente, pre­ci­sa­vam de mui­tos tes­tes ainda) foram rever­ti­dos para a ver­são ime­di­a­ta­mente anterior.

Fica a dica, pes­soal: yum down­grade fun­ci­ona para des­fa­zer nos­sas cag ten­ta­ti­vas frus­tra­das. :-)

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Deixando o Projeto Fedora

Ape­sar de sem­pre estar, de certa forma, com­pro­me­tido com a infor­má­tica e à minha dis­tro favo­rita, acho que mui­tos de vocês devem ter notado uma con­si­de­rá­vel dimi­nui­ção dos posts aqui no meu blog e (os ami­gos de pro­jeto) uma queda na minha par­ti­ci­pa­ção nas lis­tas de dis­cus­são do Pro­jeto Fedora.

Desde mea­dos de 2009 come­cei um lento e penoso pro­cesso de “des­mame” (no melhor sen­tido da metá­fora) para que a minha saída do Pro­jeto Fedora não fosse algo muito dolo­roso; afi­nal, depois de lon­gos anos acos­tu­mado a certo enga­ja­mento, é claro, todo mundo se sente estra­nho e inse­guro na hora de uma mudança muito drástica.

A minha saída do Pro­jeto acon­tece para que eu possa me dedi­car a outros pro­je­tos pes­so­ais e que, de certa forma, vêm exi­gindo mais e mais tempo, dedi­ca­ção e foco, con­tudo, o que me deixa mais seguro em seguir adi­ante é acre­di­tar que o Fedora pre­cisa de san­gue novo.

Os vete­ra­nos estão nisso há muito tempo e, basi­ca­mente, são eles que fize­ram e fazem o Pro­jeto Fedora Bra­sil acon­te­cer. Esta­mos falando de caras que quei­mam mídias com o pró­prio dinheiro, que via­jam com seus pró­prios recur­sos, que pas­sam horas ao tele­fone nego­ci­ando even­tos e que, de certa forma, se sen­tem feli­zes em fazer parte de tudo isso; entre­tanto, os nova­tos que che­gam vêm che­gando com uma pos­tura, tal­vez, inti­mi­dada e aca­bam não fazendo tudo que pode­riam fazer. O mais pre­o­cu­pante na nova safra de Fedo­rans é que não vejo novas lide­ran­ças se for­mando para que um ciclo de reno­va­ção se complete.

Gosto de pen­sar que esse é um movi­mento natu­ral e que todos os vete­ra­nos, num ciclo cons­tante, pode­rão con­tri­buir por mui­tos anos e depois seguir adi­ante, dando espaço a novas ideias, a uma empol­ga­ção nova e a pes­soas que veem as coi­sas de um modo que nós não con­se­gui­mos ver: o fato é que mudar é bom por­que, num uni­verso dinâ­mico, o que está parado está morto.

Tinha me pro­me­tido escre­ver este post tão logo meus paco­tes RPM tives­sem um update impor­tante e eu pudesse entregá-los atu­a­li­za­dos, sem bugs e “redon­di­nhos” para os pró­xi­mos man­te­ne­do­res… pois bem, nesta segunda-feira, depois de uma semana em tes­ting público e mais uma semana no meu tes­ting pri­vado o BKChem che­gou a 0.14.0.pre1, con­si­de­rado está­vel e muito melhor que a ver­são anterior.

Quando um man­te­ne­dor sai ele deixa o pacote “órfão”, quando um pacote é dei­xado órfão, se nin­guém o adota, ele não terá bugs con­ser­ta­dos, logo, em pouco tempo é reti­rado pelo Pro­jeto Fedora, indo para o cemi­té­rio de RPMs; mas não se pre­o­cu­pem, meus paco­tes já foram ado­ta­dos por exce­len­tes man­te­ne­do­res e con­ti­nuam na ativa. =)

Eu, é claro, con­ti­nuo usando Fedora e este blog vai con­ti­nuar, tal­vez, um pouco menos espe­cí­fico, mas ainda com a pre­ten­são de tra­zer um con­teúdo inte­res­sante para todos aque­les que já se acos­tu­ma­ram com as minhas pia­di­nhas **engraçadíssimas**.

Devo muito ao Pro­jeto Fedora e, ape­sar desse texto meio dra­má­tico, não vou per­der contato.

Nos vere­mos no pró­ximo post.

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Como um pacote RPM chega no YUM?

Desde que inven­ta­ram os geren­ci­a­do­res de paco­tes e apli­ca­ti­vos como YUM e apt-get, ins­ta­lar softwa­res no Linux ficou até mais sim­ples do que ins­ta­lar um soft­ware no Win­dows, basta uma linha de comando tão sim­ples quanto “yum ins­tall pacote” e a mágica acontece.

Como pri­meiro post desse ano, esco­lhi mos­trar como são os bas­ti­do­res de envio de paco­tes para o YUM, ou seja: como um soft­ware chega da fonte ori­gi­nal até o seu Fedora.

A pri­meira coisa a fazer é escla­re­cer que o Pro­jeto Fedora tem deze­nas de empa­co­ta­do­res e que esses empa­co­ta­do­res fazem parte de um grupo cha­mado “pac­ka­gers”, que tem per­mis­sões espe­ci­ais de acesso. Cada empa­co­ta­dor é res­pon­sá­vel por gerar o RPM para um ou mais softwa­res que ele “adota”; ou seja: o empa­co­ta­dor encon­tra um soft­ware inte­res­sante em qual­quer lugar (Sour­ce­forge, Laun­ch­pad etc) e decide criar um RPM ofi­cial para o Fedora.

A sub­mis­são de um pacote é bas­tante rigo­rosa e pode levar meses para que um pacote seja apro­vado. É pre­ciso seguir à risca toda a meto­do­lo­gia de empa­co­ta­mento e que o soft­ware a ser empa­co­tado seja con­si­de­rado “livre” o bas­tante para entrar no Fedora (diver­sos revi­so­res ava­liam o RPM, ana­li­sando o código e a licença). Os deta­lhes desse pro­cesso são irre­le­van­tes para este artigo; o que nos inte­ressa aqui é que, para enviar o pacote aos repo­si­tó­rios, é pre­ciso ser um empacotador.

Diver­sas fer­ra­men­tas foram pre­pa­ra­das de modo a faci­li­tar a vida de quem empa­cota para o Pro­jeto Fedora e basta executar

user@computer:$ su –c “yum ins­tall fedora-packager”

para ins­ta­lar uma cole­ção de scripts e fer­ra­men­tas essen­ci­ais para a cri­a­ção de RPMs e para o envio dos paco­tes pron­tos para os ser­vi­do­res do Pro­jeto (com­pi­la­do­res, cvs, rpmbuild…).

Após ins­ta­lar o “fedora-packager”, é pre­ciso executar

user@computer:$ fedora-packager-setup

na pasta home do usuá­rio. Este comando pre­para o ambi­ente de desen­vol­vi­mento, ajus­tando as macros para o rpm­build, gerando e con­fe­rindo cha­ves que serão usa­das durante a comu­ni­ca­ção com os ser­vi­do­res CVS.

Por moti­vos de orga­ni­za­ção, a mai­o­ria dos empa­co­ta­do­res cria uma pasta de tra­ba­lho durante a remessa de paco­tes; eu crio a pasta “cvs”, mas o nome tanto faz:

user@computer:$ mkdir ~/cvs
$ cd ~/cvs

Como comen­tei no começo, ter o pacote apro­vado é um pro­cesso tra­ba­lhoso e, logo que apro­vado, ele (o pacote) ganha uma pasta (e per­mis­sões) no CVS. O empa­co­ta­dor deve, antes de mais nada, sin­cro­ni­zar sua pasta local com a pasta vir­tual nos ser­vi­do­res do Pro­jeto Fedora:

user@computer:$ fedora-cvs pacote

No meu exem­plo, vou mos­trar o pacote BKChem, um soft­ware para dese­nho de estru­tu­ras mole­cu­la­res em 2D:

user@computer:$ fedora-cvs bkchem

Esse script vai bai­xar meu “dire­tó­rio de tra­ba­lho” direto do CVS para o meu disco rígido. Eis o con­teúdo dele:

user@computer:$ ls /home/lonely/cvs/bkchem/
com­mon CVS devel F-10 F-11 F-12 F-9 Makefile

Observe que há dire­tó­rios para algu­mas ver­sões do Fedora (F-12, F-11, F-10…) e para a ver­são de desen­vol­vi­mento, que cha­ma­mos de Rawhide.

Nova­mente, con­vém lem­brar que o meu RPM já está pronto e eu ape­nas vou remetê-lo para os ser­vi­do­res do Pro­jeto Fedora de modo a deixá-lo dis­po­ní­vel para todos os usuários.

O meu RPM, de fato, não será usado para nada. Cada um dos RPMs dis­po­ni­bi­li­za­dos pelo pro­jeto Fedora é com­pi­lado e assi­nado lá, por isso, em vez de enviar o RPM, eu envio o SRPM (Source RPM), um para cada ver­são ativa do Fedora (atu­al­mente, as ver­sões ati­vas são Fedora 11, 12 e Rawhide).

Nova­mente, a vida fica menos com­pli­cada por­que um script checa e envia o SRPM:

user@computer:$ ./common/cvs-import.sh –b F-11 ~/rpmbuild/SRPMS/bkchem-0.14.0–1.pre1.fc12.src.rpm

Veja o termo em negrito, ele define para qual “branch” (ver­são do Fedora) esse SRPM irá. No caso, man­dei três vezes: F-11, F-12 e devel.

Veja aqui o upload sendo feito e as men­sa­gens exi­bi­das durante a verificação.

Quando esse pro­cesso ter­mina, você é levado a uma tela do VI onde entra um pequeno log sobre o upload. Veja aqui.

Ao sal­var o log, o pro­cesso de “com­mit” do SRPM ter­mina com mais algu­mas che­ca­gens (que você pode ver aqui).

Pacote SRPM envi­ado, log feito, chega a hora de com­pi­lar o pacote lá no ser­vi­dor. Vou come­çar a com­pi­la­ção para o Fedora 11 e, por isso, entro na pasta F-11:

user@computer:$ cd F-11/
ls
bkchem-crash.patch bkchem.desktop bkchem-setup.patch bkchem.spec branch CVS import.log Make­file sources

Sin­cro­nizo nova­mente a pasta, para garan­tir que eu e os ser­vi­do­res esta­mos tra­ba­lhando com as mes­mas ver­sões de arquivos:

user@computer:$ cvs up

e, digito o comando que faz a com­pi­la­ção do meu RPM lá nos ser­vi­do­res do Pro­jeto Fedora:

user@computer:$ make build

Essa com­pi­la­ção gera paco­tes para todas as arqui­te­tu­ras dis­po­ní­veis pelo Pro­jeto (veja). Aliás, o soft­ware que com­pila, checa e assina cada RPM chama-se Koji. Todo o pro­cesso de com­pi­la­ção tem que ser feito para cada uma das ver­sões cor­ren­tes do Fedora, lembre-se. Isso sig­ni­fica que, depois de fazer isso para o Fedora 11, fiz, tam­bém para o Fedora 12 e para o devel.

Enfim, depois de pas­sar pelo Koji, o empa­co­ta­dor vai ao Bodhi, que é a inter­face res­pon­sá­vel por puxar os RPMs pron­tos para os repo­si­tó­rios. Nele você define se o pacote vai para “tes­ting” ou “sta­ble”, define se o pacote é uma atu­a­li­za­ção de segu­rança, um con­serto de bug ou uma melho­ria, além, é claro, de mar­car o pacote como neces­si­tando ou não de um reboot após a atualização.

Pronto! Em breve o pacote estará alcan­çando um repo­si­tó­rio perto de você e com um sim­ples “yum ins­tall” você poderá des­fru­tar de um pacote novinho.

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Ainda há vestígios do Fedora Core

Já se vão quase três anos desde que o Fedora mudou de nome, dei­xando de lado o “Core”, para se cha­mar sim­ples­mente Fedora. Pouca gente, afi­nal de con­tas, se dava ao tra­ba­lho de cha­mar a dis­tro de “Fedora Core” e esse “Core”, aliás, exis­tia por­que, na época, as cola­bo­ra­ções da comu­ni­dade e as da Red Hat eram tra­ta­das sepa­ra­da­mente. Tudo que os enge­nhei­ros da Red Hat pro­du­ziam ficava num repo­si­tó­rio prin­ci­pal, cha­mado Core, e tudo que os volun­tá­rios da comu­ni­dade pro­du­ziam ficava num outro repo­si­tó­rio cha­mado “Extras”.

Entre o FC6 e o F7, diante do cres­ci­mento de con­tri­bui­ções da comu­ni­dade, o Fedora Board deci­diu mes­clar ambos os repo­si­tó­rios, aca­bando com a dife­ren­ci­a­ção entre con­tri­bui­ções da Red Hat e dos voluntários.

Embora já este­ja­mos no Fedora 12 (com o 13 a todo vapor), heran­ças desse tempo de “Core” per­ma­ne­cem e pas­sam quase des­per­ce­bi­das pela mai­o­ria dos usuá­rios, só que, se você pres­tar aten­ção, todos os RPMs ins­ta­la­dos em seu sis­tema (assim como todos os que estão no CD/DVD de ins­ta­la­ção) ainda têm o sufixo “fc”; por exem­plo: rpm-4.7.1–6.fc12.i686. Esse sufixo, que cha­ma­mos “tag”, ainda man­tém o C, de Core.

Para mim, o motivo de per­ma­ne­cer­mos com a tag FC era um mis­té­rio que per­du­rou muito tempo até que decidi per­gun­tar na lista de desen­vol­vi­mento e recebi uma res­posta muito interessante.

A res­posta veio de Rahul Sun­da­ran, na minha opi­nião, um dos mem­bros mais ati­vos do Pro­jeto Fedora desde (quase) o iní­cio do pro­jeto e ele explica que, durante a deci­são de mudar o nome para Fedora, dei­xando o Core de lado, houve mui­tas dis­cus­sões sobre qual seria a melhor maneira de alte­rar a tag, mas, logo mostrou-se um pro­blema muito maior do que a apa­rente sim­pli­ci­dade de fazer sumir uma letra C. Isso que­bra­ria o modo como o RPM veri­fica a atu­a­li­dade dos paco­tes, levando a erros quando um pacote “fc” fosse com­pa­rado com um pacote “f”. Veja o exem­plo de verificação:

$ rpmdev-vercmp foo-1.0.f11 foo-1.0.fc10
0:foo-1.0.fc10 is newer

E observe que o RPM jura que o pacote com tag fc10 é mais novo que o pacote com a tag f11.

Para mudar a tag seria neces­sá­rio hac­kear o RPM, de modo a rever­ter esse engano ou, uma recons­tru­ção em massa de todos os RPMs de Fedo­ras ati­vos (atu­al­mente, isso sig­ni­fi­ca­ria refa­zer todos os RPMs para o F12, F11 e F10).

Em face de todo o tra­ba­lho neces­sá­rio, optou-se pela opção mais sim­ples: imi­tando o GCC, que chama seus paco­tes de “GNU Com­pi­les Col­lec­tion”, os paco­tes para Fedora são parte do “Fedora pac­kage Collec­tion”, o que jus­ti­fica o FC em cada pacote até os dias de hoje.

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Revista Fedora Brasil: no fio da navalha

Uma das ini­ci­a­ti­vas mais bem suce­di­das do Pro­jeto Fedora Bra­sil é, sem dúvida, a Revista Fedora Brasil.

A revista foi ide­a­li­zada para levar infor­ma­ção de qua­li­dade para a Comu­ni­dade de usuá­rios Fedora no Bra­sil, mas, aca­bou tra­tando tam­bém de assun­tos rele­van­tes para usuá­rios de outras distribuições.

Ape­sar da grande popu­la­ri­dade, a Revista Fedora Bra­sil tem uma exis­tên­cia que pode­mos cha­mar de “con­tur­bada”, pela escas­sez de con­tri­bui­ções e assi­dui­dade de par­ti­ci­pan­tes. Torna-se quase uma iro­nia, mas o fato é que mui­tos pro­je­tos bem suce­di­dos, na ver­dade, sofrem momen­tos dra­má­ti­cos pela carên­cia de con­tri­bui­ções e isso, quase sem­pre, fica invi­sí­vel aos olhos dos usuários/leitores.

Nós, que esta­mos à frente da RFB desde o começo, acre­di­ta­mos que uma pos­tura honesta diante des­sas difi­cul­da­des ajuda a escla­re­cer todos os que per­ma­ne­cem espe­rando ansi­o­sa­mente pelo lan­ça­mento da pró­xima edi­ção, além de, quem sabe, con­se­guir a ajuda neces­sá­ria para que os pro­ble­mas sejam mini­mi­za­dos ou resolvidos.

Para que a revista exista é neces­sá­rio que pes­soas escre­vam arti­gos e este é um poto com­pli­cado por­que cada um que con­tri­bui está fazendo uma doa­ção em tempo e em conhe­ci­mento; isso, na comu­ni­dade Open Source, tam­bém pode sig­ni­fi­car certo des­com­pro­misso, que acaba levando ao mais bra­si­leiro dos “dei­xar na mão”.

É óbvio que sem­pre con­ta­mos com auto­res que nunca dei­xa­ram de cola­bo­rar reli­gi­o­sa­mente, mos­trando tex­tos que sem­pre me dei­xa­ram orgu­lhoso em publi­car. (Obri­gado a todos!)

Além de ter arti­gos tam­bém é pre­ciso revi­sar, para que o resul­tado final seja cor­reto e bonito, den­tro de um padrão de cor­re­ção. Nisso, modés­tia à parte, temos os melho­res, sem­pre rápi­dos e pre­ci­sos (até ávidos por mais trabalho).

Pági­nas boni­tas pre­ci­sam de arte e dia­gra­ma­ção; esse sem­pre foi nosso Cal­ca­nhar de Aqui­les. Quem nos sal­vava aqui era o Hélio Fer­reira. Pro­va­vel­mente Hélio é o único mor­tal capaz de fazer mil coi­sas ao mesmo tempo e sobres­sair em todas. Seu layout é sem­pre elo­gi­ado pelos mem­bros do Pro­jeto Fedora inter­na­ci­o­nal, mas a sobre­carga à qual Hélio vinha sendo sub­me­tido estava evi­dente desde o começo.

Neste ponto já temos as maté­rias pron­tas e revi­sa­das, falta arte e dia­gra­ma­ção, mas este pro­cesso está estag­nado há meses.

Se você tem alguma expe­ri­ên­cia com os softwa­res de dese­nho veto­rial (como Inks­cape), edi­ção de ima­gens (GIMP) ou se sabe dia­gra­mar usando o Scri­bus e gos­ta­ria de dar uma força para que a 6ª edi­ção da Revista Fedora Bra­sil tenha con­di­ções de final­mente ser lan­çada, cadastre-se no nosso grupo de desen­vol­vi­mento em http://revista.projetofedora.org . Espe­ra­mos com isso entre­gar, ao menos, esta última edi­ção aos nos­sos lei­to­res e ami­gos, além de fazer valer o tra­ba­lho duro de todos aque­les que con­tri­buí­ram e ainda estão aguar­dando o resul­tado de seus tra­ba­lhos na revista.

Um grande abraço

Hen­ri­que Junior – Túlio Macedo

Edi­to­res

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Novidade: Repositório do Google Chromium para Fedora

Adoro o Fire­fox (e quem não adora?), mas sem­pre que posso testo o Goo­gle Chrome.

Infe­liz­mente, para quem usa Linux, usar o Goo­gle Chrome implica em mace­tes para que ele fun­ci­one via WINE ou pegar o código fonte do Chro­mium e compilar.

Tal­vez alguns de vocês se lem­brem de que dis­po­ni­bi­li­zei aqui uma vez os RPMs do Chro­mium para Fedora e hoje, na hora do almoço, fui ver se havia alguma atu­a­li­za­ção dis­po­ní­vel (é claro que havia).

Então, pes­soal, ficam aí as atu­a­li­za­ções do Chro­mium para Fedora 10, 11 e rawhide (com ver­sões 32 e 64 bits) ins­ta­lá­veis via YUM.

Quer mais moleza do que isso? ;-)

Faça assim:

  • Adi­ci­one o repo­si­tó­rio do Chromium:

su -c 'gedit /etc/yum.repos.d/chromium.repo'

  • E colo­que o seguinte con­teúdo no arquivo:

[chromium]
name=Chromium Test Packages
baseurl=http://spot.fedorapeople.org/chromium/F$releasever/
enabled=1
gpgcheck=0

  • Depois:

$ su -c 'yum install chromium'

Cor­te­sia do super fera Spot, um dos mai­o­res empa­co­ta­do­res do Pro­jeto Fedora.

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Um menu melhor para o GNOME

Não tenho muito tempo nos últi­mos meses para me dedi­car ao Fedora (nem ao meu blog), mas, como sur­giu a neces­si­dade de melho­rar um pouco a apa­rên­cia do GNOME fiz algu­mas pes­qui­sas, perdi algu­mas horas e decidi come­çar pelo menu.

Veri­fi­quei que há uma apro­xi­ma­ção inte­res­sante para um menu mais boni­ti­nho feito pelo pes­soal do Gno­Menu, tes­tei e já ini­ciei o empa­co­ta­mento para o Fedora. Minha pre­o­cu­pa­ção aqui, con­fesso, é o pro­fis­si­o­na­lismo das pes­soas envol­vi­das no pro­jeto: havia diver­sos arqui­vos de bac­kup junto ao código fonte for­ne­cido pelo ups­tream e o código não me parece muito capri­chado (com diver­sos scripts vindo sem o shebang).

De qual­quer forma, o pacote está feito, já está sub­me­tido à revi­são e o Pro­jeto fedora, caso ache rele­vante, vai dar algu­mas dicas de como pro­ce­der com os evi­den­tes “des­cui­dos” do ups­tream. O menu fun­ci­ona, não faz nenhuma modi­fi­ca­ção drás­tica no sis­tema e você pode instalá-lo (e desinstalá-lo) sem medo. Quem qui­ser tes­tar, deixo aqui o RPM.

Gno­Menu (204)

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