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O último post do ano

Como post de ano novo eu gos­ta­ria de dei­xar um desa­bafo. O Linux é um fenô­meno mara­vi­lhoso, mas tra­ba­lhar com isso de soft­ware livre e comu­ni­dade livre tem seu lado frus­trante e depri­mente também.

Um dos moti­vos pelos quais aban­do­nei os fóruns (e isso já faz muito tempo), foi cons­ta­tar que ali, nos fóruns, está refle­tido o com­por­ta­mento gene­ra­li­zado dos usuá­rios. Embora quase todas as per­gun­tas tenham uma res­posta (basta usar o meca­nismo de busca) os tópi­cos infi­ni­tos de “como se ins­tala isso ou aquilo” sem­pre vol­tam à tona. Falta a cor­di­a­li­dade de retor­nar um “obrigado“a todos aque­les que se deram ao tra­ba­lho de ten­tar aju­dar e, mui­tas vezes, depois de con­se­guir o que quer, o usuá­rio nunca mais volta.

A comu­ni­dade é inca­paz de res­pon­der a uma enquete, de repor­tar um erro e ainda assim exige que seu sis­tema fun­ci­one per­fei­ta­mente, assu­mindo mui­tas vezes a já conhe­cida pos­tura de “essa por­ca­ria de Linux não funciona”.

Eu não sei se essa pos­tura para­si­tá­ria é algo cul­tu­ral do nosso país, onde o barato é ganhar muito sem fazer nada, mas com o pas­sar dos anos começo a enten­der o motivo que levou gran­des nomes a se afas­ta­rem mais do con­tato direto dos usuá­rios para se dedi­ca­rem a algo mais pro­du­tivo e menos decepcionante.

Entendo bem que a mai­o­ria dos usuá­rios quer somente usar seu sis­tema, em paz, no acon­chego do lar e sem ter que se pre­o­cu­par com ques­tões bobas como softwa­res e hardwa­res. No futuro, creio eu, isso de soft­ware e hard­ware vai ser trans­pa­rente ao usuá­rio; o ponto aqui é que há pes­soas de menos se envol­vendo e pseudo linu­xis­tas demais recla­mando, fazendo ruído e dando as costas.

A rea­li­dade é que toda a comu­ni­dade Linux no Bra­sil está apoi­ada nos ombros de pou­cas pes­soas; o tra­ba­lho a ser feito é imenso e o retorno das horas de dedi­ca­ção varia de acordo com os níveis de hormô­nios de cada um: às vezes tudo parece valer a pena, às vezes não.

De qual­quer forma, a minha pro­messa para o pró­ximo ano é ser mais come­dido e menos obce­cado; pas­sar menos tempo em frente ao com­pu­ta­dor e ir lá fora ver o tempo mais vezes.

Feliz ano novo a todos.

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Projeto Fedora cria nova marca para os Fedoras customizados da comunidade

Hoje em dia já não é mais pre­ciso ser um expert para ter a sua pró­pria disr­tri­bui­ção Linux e qual­quer um pro­vido de capa­ci­dade para cli­car “next, next, finish” pode ter o pra­zer de se gabar para os ami­gos dizendo que está ombro a ombro com Linus Tor­valds ou Klaus Knoppix.

Nos bons tem­pos, a melhor forma de fazer um Linux era tomar cora­gem e aces­sar o Linux from Scratch (Linux a par­tir do Ras­cu­nho, em tra­du­ção livre). No LFS, os machos de ver­dade encon­tram ins­tru­ções para criar uma dis­tro a par­tir do código fonte, com expli­ca­ções sobre como fun­ci­ona a inte­ra­ção kernel/módulos/periféricos, sis­te­mas de arqui­vos, boot e estru­tu­ras de diretórios.

Bons tem­pos…

Mas as fer­ra­men­tas sur­gem e tor­nam tudo mais fácil. Com o Revi­sor, fer­ra­menta desen­vol­vida pelo Pro­jeto Fedora, você monta um Fedora ou um Cen­tOS de acordo com as suas neces­si­da­des: esco­lhe idi­o­mas, apli­ca­ti­vos, con­fi­gu­ra­ções de firewall e de rede e decide se quer mon­tar isso em um DVD, em Live CDs ou em CDs de instalação.

Os deta­lhes de como mon­tar seu Fedora (ou Cen­tOS) deixo para o exce­lente artigo do Igor Soa­res (chefe de tra­du­ção do Fedora e cri­a­dor da spin BrOf­fice), que vai sair na 4ª edi­ção da Revista Fedora Bra­sil, a ser lan­çada na semana que vem, mas o fato é que há uma grande quan­ti­dade de Fedo­ras rodando por aí e que podem agra­dar a mai­o­ria dos gos­tos. E se nenhum des­ses Fedo­ras for aquilo que você pro­cura, faça o seu!

O “porém” nessa his­tó­ria toda é que o Pro­jeto Fedora teve que lidar com o dilema de uso de sua marca regis­trada: se todas essas dis­tros são fei­tas a par­tir do Fedora, usando uma fer­ra­menta do Fedora e ins­ta­lando paco­tes do Fedora, seria cor­reto dizer que elas tam­bém são o Fedora?

Na visão do Pro­jeto, a res­posta é “não”. O Fedora fica sendo o que cha­ma­mos de “ups­tream”, ou seja, ele está num ponto ante­rior à cus­to­mi­za­ção. O uso que você faz do pro­duto fica sendo por sua conta. Entre­tanto, para que os usuá­rios tenham a pos­si­bi­li­dade de man­ter, ainda, algum vín­culo, mesmo que indi­reto com o Fedora, pensou-se no uso de uma marca alter­na­tiva e mais fle­xí­vel que a marca e o logo oficiais.

Par­tindo do con­ceito de cri­a­ção de uma marca que pudesse ser usada de modo “hono­rí­fico” ao pro­jeto, criou-se o con­ceito de “Fedora Remix”, que é um soft­ware não man­tido e nem patro­ci­nado pela Red Hat mas que deriva do Fedora. Você pode dar o nome que qui­ser à sua nova dis­tro e, quem sabe, adi­ci­o­nar o “Fedora Remix”, que acaba sendo uma publi­ci­dade positiva.

New logo guideline

Con­vém lem­brar que não estou nesse post incen­ti­vando você a fazer a sua pró­pria dis­tri­bui­ção para “domi­nar o mundo”. Faço parte do movi­mento “NÃO CRIE A SUA DISTRIBUIÇÃO LINUX” por­que, fran­ca­mente, tudo o que o mundo não pre­cisa é de mais uma dis­tro “ino­va­dora”, “para usuá­rios ini­ci­an­tes” e que não faz nada de dife­rente em com­pa­ra­ção a outras milha­res de “dis­tros ino­va­do­ras” de fundo de quintal.

Fazer um Linux é uma fer­ra­menta muito pode­rosa se você pre­cisa de um Linux que se enqua­dre à rea­li­dade de um cli­ente, ou da sua empresa ou do seu tra­ba­lho. Você pode pegar o Revi­sor e fazer, assim como eu faço, um Fedora super leve, com Flux­box, Abiword, Gnu­me­ric e Dillo pra dei­xar aque­les ter­mi­nais P266 fun­ci­o­nando. Acre­dite, um dia você pode precisar.

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A difícil arte da migração: como fazer amigos e influenciar pessoas

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Desde que o Linux existe, nas cabe­ças e cora­ções de toda a comu­ni­dade figura o ideal de um mundo 100% livre, onde as pes­soas, final­mente, enten­de­rão os bene­fí­cios do Open Source, ins­ti­tui­ções públi­cas e empre­sas 100% lega­li­za­das e ple­na­mente fun­ci­o­nais com o pin­guim e os sis­te­mas pro­pri­e­tá­rios, cada vez mais acu­a­dos, come­çam a mudar suas pos­tu­ras de negócio.

A rea­li­dade, no entanto, é um pouco mais cruel. O fenô­meno do soft­ware livre aca­bou se depa­rando com uma bar­reira antiga e que está acos­tu­mada a levar à extin­ção mui­tos ramos pro­mis­so­res de negó­cios: a pirataria.

Esperava-se que nos (assim cha­ma­dos) paí­ses de ter­ceiro mundo o Linux seria um impor­tante ator na igua­li­za­ção digi­tal. Todos ima­gi­na­vam nos­sas ter­ras cheias de com­pu­ta­do­res ves­ti­dos de Debian, Man­drake, Suse e Red Hat (Ubuntu não exis­tia), mas aqui, para nós no Bra­sil, na Índia, em Taiwan, na China e na maior parte do mundo, o soft­ware pro­pri­e­tá­rio tam­bém é quase de graça e nesse caso, a esco­lha é bem óbvia.

Ape­sar da rea­li­dade não ser tão bonita quanto gos­ta­ría­mos, a migra­ção, assim como a evan­ge­li­za­ção, são pos­sí­veis e um fator deter­mi­nante, mas que é o ponto fraco da comu­ni­dade Linux, é o tato e a suti­leza na hora do con­ven­ci­mento e da implantação.

Linu­xis­tas são vis­tos como arro­gan­tes (mesmo entre os pró­prios Linu­xis­tas) já que mui­tas vezes um téc­nico ou um pro­gra­ma­dor está fora da rea­li­dade do usuá­rio e escapa-lhe ver “o outro lado da moeda”.

Depois de alguns anos, che­guei à con­clu­são de que o des­co­nhe­ci­mento e o pre­con­ceito do usuá­rio, ali­a­dos à pre­guiça de apren­der algo novo são pro­ble­mas que devem ser ven­ci­dos gra­da­ti­va­mente. Por quan­tas e quan­tas vezes, ao ver que eu estava ins­ta­lando Linux em sua esta­ção, o usuá­rio, com olhos supli­can­tes, per­gun­tava: “não pode ins­ta­lar o XP?”. Por isso come­cei este artigo e espero que seja de alguma valia para quem lida sem­pre com essa realidade.

1 – Linux é bom; Win­dows é ruim! Minha dis­tri­bui­ção é a melhor; as outras fedem!

Esta pos­tura idi­ota ape­nas con­tri­bui para a má fama do Linux frente aos lei­gos. Em vez de per­der tempo falando mal do sis­tema dos outros, con­cen­tre seus esfor­ços em mos­trar como o seu sis­tema é bom. O usuá­rio, na ver­dade, não se importa com o sis­tema ope­ra­ci­o­nal. Num mundo per­feito as pes­soas nem ouvi­riam falar em Win­dows e Linux, ape­nas se pre­o­cu­pa­riam em viver enquanto o com­pu­ta­dor faz o que deve­ria fazer. Você fazer lon­gos dis­cur­sos infla­ma­dos à Stall­man para quem, sim­ples­mente, não se importa é perda de tempo. Em vez de meter o pau, mos­tre que a solu­ção livre fun­ci­ona e não seja egoísta: deixe bem claro que tem Linux para todos os gos­tos. Se o usuá­rio não gos­tar do Fedora, tem o Ubuntu, o Man­driva, o open­Suse… e um deles, cer­ta­mente vai agradá-lo.

2 – Você TEM que usar!

Toda mudança é trau­má­tica e fica ainda pior quando é brusca e for­çada. Empur­rar o Linux goela abaixo ape­nas vai aumen­tar a repulsa pelo sis­tema. Uma boa solu­ção para isso é come­çar a subs­ti­tuir os softwa­res pro­pri­e­tá­rios pelas solu­ções livres gra­da­ti­va­mente. Tro­que o MS Office pelo Ope­nOf­fice, o Inter­net Explo­rer pelo Fire­fox, o Outlook pelo Thun­der­bird ou Evo­lu­tion e comece migrando sua pró­pria máquina. Tudo que é novo leva tempo, por isso, deixe que vejam você usando. Sem­pre vai haver alguma con­versa sobre vírus ou outro tipo de malware e esta é sua chance de dizer que se sente seguro quanto a isso por­que Linux não pega vírus.

Tomo como exem­plo de caso meu irmão, que é o típico usuá­rio: música, vídeo, MSN e mui­tos down­lo­ads. O com­pu­ta­dor tinha um dual boot onde eu man­ti­nha o Fedora e o XP usando uma cone­xão wire­less que caía cons­tan­te­mente. Meu irmão ficava intri­gado ao ver que minha cone­xão nunca caía e que, além de tudo, tam­bém eu podia ver vídeos, nave­gar e usar MSN. Foi pen­sando somente no pró­prio bene­fí­cio que ele come­çou a usar o Linux e hoje em dia já enten­deu que pode gra­var DVDs com o K3b, bater papo com o aMSN, ouvir músi­cas com o Ama­rok e ver vídeos no Kaf­feine (player favo­rito dele).

Não man­dei que ele migrasse e nem arran­quei o Win­dows, ele viu e per­ce­beu que funciona.

Meu pró­prio movi­mento de migra­ção foi gra­da­tivo. Antes, era 90% do disco pro Win e 10% pro Línux, depois 50% pra cada. Em pouco tempo 90% do disco tinha Linux e, final­mente, 100%.

3 – Seja cruel!

Aquele Win XP da con­ta­bi­li­dade, final­mente deu seu último sus­piro… Vá dar uma olhada, mexa nuns fios, coce o cava­nha­que e, de cha­péu na mão, dis­pare: “infe­liz­mente, não há muito que pos­sa­mos fazer… se pelo menos fosse soft­ware original…”.

Mas, falando sério, não tenha receio de mos­trar para o usuá­rio que o soft­ware dele não tem nenhum tipo de suporte devido à natu­reza pira­tesca. É como ven­der seu voto: uma vez que você votou por dinheiro, nem pense em exi­gir saúde, edu­ca­ção e impos­tos mais jus­tos. O com­pro­misso do polí­tico com você ter­mina no momento em que o dinheiro muda de dono. Com o soft­ware pirata é assim tam­bém: você usa, mas não tem o direito de recla­mar. For­mate e sem­pre alfinete.

4 – Con­vença o seu chefe.

A cara feia do chefe vale mais que mil pala­vras. Se a che­fia con­cor­dar com a migra­ção você estará com a faca e o queijo na mão.

Na hora de con­ven­cer seu chefe, lembre-se: não inte­res­sam os boni­tos ide­ais da FSF, o que ele quer são resul­ta­dos e bene­fí­cios e na hora de expô-los, seja rea­lista. Nem tudo são flo­res no mundo Linux. Diga ao seu chefe que, com Linux, será pos­sí­vel ter mais con­trole sobre as máqui­nas, auto­ma­ti­zar tare­fas vitais como bac­kups diá­rios, parar de se pre­o­cu­par com vírus e gozar de uma segu­rança um pouco (ou muito) maior, mas não se esqueça dos pon­tos nega­ti­vos que são a curva de apren­di­zado – a pro­du­ti­vi­dade dos fun­ci­o­ná­rios vai cair durante um tempo, mas logo volta a cres­cer – será pre­ciso parar alguns seto­res por alguns dias para a imple­men­ta­ção, dar trei­na­mento aos fun­ci­o­ná­rios e des­car­tar hardwa­res incom­pa­tí­veis. Mos­tre que isso não é uma des­pesa e sim um inves­ti­mento e, por último, mas não menos impor­tante, fale sobre a tranqüi­li­dade de parar de usar soft­ware pirata, estar 100% lega­li­zado e poder bra­dar isso aos qua­tro ven­tos. Tenha tudo escrito, docu­men­tado e apre­sente um caso de sucesso, como o do MPE de Tocan­tins, onde a galera deu show.

5 – Padro­nize tudo.

Padro­ni­za­ção é a pala­vra chave. Tendo o aval do chefe padro­nize o máximo de coi­sas que puder. Não tente tra­ba­lhar com várias dis­tros ao mesmo tempo pois cada uma é dife­rente em algum ponto e isso pode ser ruim. Se tudo for padro­ni­zado, sig­ni­fica que tudo poderá, tam­bém, ser docu­men­tado e até um macaco poderá rea­li­zar tare­fas no caso de você ir fazer um trans­plante de cora­ção ou cair de avião na Cor­di­lheira dos Andes.

Numa situ­a­ção ideal seu chefe diria com a mão em seu ombro “Meu filho, isso é o que está­va­mos pre­ci­sando por aqui! Um jovem com garra! Pode fazer o que for pre­ciso… e tome aqui um aumento!”. Se for pos­sí­vel, padro­nize tam­bém o seu hard­ware. Jogue fora todo o lixo tec­no­ló­gico e tro­que por hard­ware de con­fi­ança, que você sabe ser com­pa­tí­vel e encon­trará as peças de olhos fecha­dos. Entenda que esse gasto vai ser com­pen­sado no futuro da seguinte forma: se todas as máqui­nas forem dual core de 2,4 Ghz e elas fun­ci­o­na­rem bem, sig­ni­fica que vão fun­ci­o­nar bem inde­fi­ni­da­mente e depen­dendo das con­di­ções e do cui­dado do usuá­rio, podem ter uma loo­o­onga vida.

O pior inferno na minha vida é pegar o Linux e ter que instalá-lo em hard­ware bizarro. Uma placa de rede KTL em um P233 de 2 MB de vídeo usando uma mal­dita impres­sora matri­cial da década de 70. São horas ou tal­vez dias de tra­ba­lho estres­sante onde a rela­ção custo/benefício é desfavorável.

6 – Faça aos pou­cos, mas faça.

Ao con­trá­rio do que pode pare­cer, migrar não é como numa ins­tall­fest onde você vai, ale­gre­mente e de máquina em máquina fazendo o show da for­ma­ta­ção. É pre­ciso fazer bac­kups com todo o cui­dado, agen­dar sua ida ao local para que a equipe se estru­ture de modo a não sofrer muito com a situ­a­ção atí­pica e estar pre­pa­rado para res­pon­der a even­tu­ais per­gun­tas. Ao res­pon­der tranqüilize-os, diga que vai ser uma boa mudança e que o suporte vai estar á dis­po­si­ção para escla­re­ci­men­tos e helpdesk.

7 – Não abra concessões.

Mesmo que aquela menina linda de olhos ver­des e minis­saia lhe peça, não abra con­ces­sões na hora de ins­ta­lar os softwa­res. “Tem como colo­car Win­dows na minha máquina?”. A res­posta é não!Se você fizer pra um, vai ter que fazer pra todos e quem cede um pouco cede muito.

Se você tiver tudo sob con­trole, mesmo em situ­a­ções de crise a reso­lu­ção não vai ser muito dolo­rosa. Quando você estru­tu­rar tudo para fun­ci­o­nar em Man­driva, por exem­plo, aquele esper­ti­nho que gosta de usar Knop­pix não deve ter per­mis­são para instalá-lo e isso deve ficar bem claro. Você é o téc­nico e o usuá­rio só USA. Ele não decide nada.

8 – Não tenha ver­go­nha do WINE

Bus­que sem­pre a solu­ção livre antes de tudo mas, em último caso, apele pro WINE. Se aquele pro­grama essen­cial não existe para Linux isso pode jus­ti­fi­car uma não migra­ção. Faça tes­tes e expe­ri­mente o WINE, que está muito maduro e con­se­gue resul­ta­dos espantosos.

No fun­ci­o­na­lismo público, por exem­plo, é comum softwa­res que só exis­tem para Win­dows serem usa­dos para trans­fe­rên­cia de dados. Antes de migrar, esteja certo de cobrir cada cen­tí­me­tro de ter­reno. Você vai estar lutando con­tra a má von­tade do usuá­rio tam­bém e qual­quer coisa fora do nor­mal será pre­texto para reclamação.

9 – Migrou? Pre­pare os calmantes.

Pode ser que não acon­teça, mas é bas­tante impro­vá­vel… o tele­fone vai tocar e vai tocar muito. Bote uma música suave tocando no ambi­ente, pin­tu­ras em tons pas­téis nas pare­des e pro­vi­den­cie uma bela janela com pai­sa­gem, senão você vai aca­bar matando alguém. =)

Logo após a migra­ção começa o movi­mento anti-migração. O pro­pó­sito deles é tor­nar sua vida tão mise­rá­vel que você nunca mais vai que­rer ver um pingüim na sua frente, por isso, prepare-se e tenha em mente o item 7. Com o tempo as pes­soas se acos­tu­mam e logo vão usar o Linux como se sem­pre tives­sem usado. Você vai se depa­rar com todos os tipos de pro­ble­mas: pes­soas real­mente con­fu­sas bus­cando ajuda, pes­soas que sabem, mas fize­ram alguma bes­teira e pes­soas cheias de má von­tade, que vão tele­fo­nar para per­gun­tar imbe­ci­li­da­des do tipo “como se clica no menu?”.

Afir­ma­ções do tipo “eu não vou usar isso”, “eu odeio o Linux” e “vou falar com o chefe” podem acon­te­cer. Lembre-se do item 7.

10 – Chan­ta­gem emocional

Depois de migrar, aí sim, use toda a sua dia­lé­tica. Fale de como é bonito o movi­mento de soft­ware livre, emocione-se, faça valer a sua veia tea­tral de modo que as pes­soas se sin­tam tão mal por usar soft­ware pirata que até em suas casas vão que­rer Linux.

Estou exa­ge­rando? Garanto que não. De tanto eu falar meus ami­gos e paren­tes já come­çam a migrar aos pou­cos – e sem eu nem tocar no assunto deles migrarem.

Isso acon­tece por­que eu sem­pre comento sobre a rela­ção pirataria/furto, sobre as dores de cabeça de sem­pre ter que crac­kear os pro­gra­mas (cada vez mais inte­li­gen­tes) e digo que, no futuro, crac­kear um soft­ware vai ser tanta enche­ção de saco que acaba valendo com­prar o ori­gi­nal ou usar o soft­ware livre.


Enfim, o con­ven­ci­mento das pes­soas não se faz pela força. Infe­liz­mente, nem a mai­o­ria da comu­ni­dade Linux está pre­pa­rada para evangelizá-lo e acaba con­tri­buindo inver­sa­mente no processo.

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Projeto Fedora assume novos rumos

É impres­si­o­nante como as coi­sas acon­te­cem e, even­tu­al­mente, quei­mam nossa lín­gua. Até bem pouco tempo, pos­tei aqui um pequeno artigo ques­ti­o­nando o papel da comu­ni­dade frente ao desen­vol­vi­mento do Linux e, como que por mágica, uma mudança impres­si­o­nante acon­te­ceu.
No dia 21 de abril desse ano (2008) o líder do pro­jeto Fedora, Paul W. Fri­elds anun­ciou que do Fedora 9 em diante o “Fedora Board” pas­sará a ser inte­grado por uma mai­o­ria de mem­bros da comu­ni­dade e uma mino­ria de indi­ca­dos pela Red Hat.
Ok, ok, se você não enten­deu o que isso sig­ni­fica, pode­mos dizer que o Fedora Board é como os “Cava­lei­ros da Távola Redonda”. São eles que deci­dem o que será feito de nosso que­rido Fedora e, de certo modo, são a hie­rar­quia mais alta den­tro do pro­jeto.
O Fedora Board passa a ser com­posto por 5 mem­bros elei­tos pela comu­ni­dade e 4 mem­bros indi­ca­dos pela Red Hat (antes eram 4 da comu­ni­dade e 5 da Red Hat), lem­brando que um deles, o líder do pro­jeto, tem poder de veto sobre todas as deci­sões.
Isso vem, na minha modesta opi­nião, a final­mente dar para a comu­ni­dade um pouco mais de (mere­cido) poder de deci­são sem pre­ci­sar fazer parte do corpo de enge­nhei­ros da Red Hat e sem ter que gal­gar altos degraus de patente como CEO de o que quer que seja.
Segundo Paul Fri­elds esse era o cami­nho óbvio a se tomar, posto que atu­al­mente, cerca de dois ter­ços dos paco­tes no Fedora são man­ti­dos por volun­tá­rios da comu­ni­dade e que a comu­ni­dade vem par­ti­ci­pando com com­pe­tên­cia em outras áreas.
O que dizer? Bem… acho que “para­béns a todos” é o mais indi­cado por­que o fedora é um tra­ba­lho exce­lente, com milha­res de adep­tos muito dedi­ca­dos e que o que mais espe­ra­mos é que cada vez mais a “voz da comu­ni­dade” não seja só uma dema­go­gia e sim uma rea­li­dade cada vez mais hmmm… real. :-)
A quem inte­res­sar possa, vou dei­xar na ínte­gra o e-mail com o anún­cio ofi­cial. Se você não saca nada de inglês ou se (como eu) sofre de pre­gui­cite aguda pode pas­sar batido por­que eu já resumi tudo antes.

Abra­ços

“Since the Fedora Board ori­gi­nally for­med in 2006, the Fedora Pro­ject has
chan­ged quite a bit. We now have about two-thirds of our pac­ka­ges
main­tai­ned by volun­teer com­mu­nity mem­bers. Our tech­ni­cal ste­e­ring
com­mit­tee, FESCo, is made up of a roughly even mix of volun­te­ers and Red
Hat employees. This com­mu­nity has deve­lo­ped and enfor­ced its own high
stan­dards and done it in an open and trans­pa­rent fashion in the best
tra­di­tion of open source.

And through all of these efforts, we’ve hel­ped build a com­mu­nity of
con­tri­bu­tors — not just peo­ple who *use* Fedora, but peo­ple who *give
back* to the open source ecosys­tem, and their fel­low human beings.

I’m very ple­a­sed to report that with the post-Fedora 9 elec­tion, the
Board com­po­si­tion will be a bet­ter reflec­tion of the stri­des our
com­mu­nity has made in self-organization and self-governance, and of our
healthy part­nership with Red Hat. Star­ting with this elec­tion, the
Board will move to a com­po­si­tion of five (5) community-elected seats and
four (4) Red Hat-appointed seats. This is an issue I’ve been advo­ca­ting
over the past cou­ple of weeks, and I’m deligh­ted to be able to make this
change fol­lowing my first rele­ase as Fedora Pro­ject Lea­der. I look at
this as a sig­ni­fi­cant step in the evo­lu­tion of the Board and Fedora’s
gover­nance overall.

The rest of the Board and I look forward to the elec­ti­ons, and to the
con­ti­nued oppor­tu­nity to serve everyone in the Fedora com­mu­nity. We
appre­ci­ate the sup­port and the trust you give us, and will always work
hard to earn it. Thanks for reading!


Paul W. Fri­elds http://paul.frields.org/
gpg fin­ger­print: 3DA6 A0AC 6D58 FEC4 0233 5906 ACDB C937 BD11 3717
http://redhat.com/ — — — — http://pfrields.fedorapeople.org/
irc.freenode.net: sticks­ter @ #fedora-docs, #fedora-devel, #fredlug”

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Linux: qual o verdadeiro papel da comunidade?

Desde sua cri­a­ção em 1991 o Linux mudou muito; dei­xou de ser um sonho para se tor­nar uma rea­li­dade cada vez mais pre­sente e aca­bou mos­trando que pode ser uma esco­lha muito ren­tá­vel para empre­sas com alguma mente aberta e empre­en­de­do­rismo. Mui­tas empre­sas inte­li­gen­tes per­ce­be­ram que abrir o código de seus pro­du­tos faci­lita o desen­vol­vi­mento porquê, ver­dade seja dita, não há nada como ter milha­res (ou até milhões) de pro­gra­ma­do­res tra­ba­lhando de graça para imple­men­tar melho­rias ao seu pro­duto. Isso tam­bém sig­ni­fica que desen­vol­ve­do­res de outros pro­du­tos terão a capa­ci­dade de aumen­tar a inte­ro­pe­ra­bi­li­dade com seus softwa­res e, no que diz res­peito ao seu soft­ware, é sem­pre bom que ele seja usado, citado ou mesmo usado como base para plug-ins de ter­cei­ros. Foi dessa forma que o cená­rio do Linux mudou bas­tante. Já não se tra­tava mais de uma excen­tri­ci­dade, o sis­tema vinha, cada vez mais, pare­cendo um bom negócio.

Mais que um bom negó­cio, uma coisa vinha ficando bem clara: desk­top não dá lucro. Isso, que o diga a Micro­soft, que chega a ter até 86% de sua base ins­ta­lada pirata em paí­ses como a China, e que tem núme­ros engra­ça­dos como “gas­tar mais com cus­tos telefô­ni­cos do que fatu­rar com ven­das do win­dows desk­top” (que não posso con­fir­mar se é ver­dade por­que li em um lugar e não achei a refe­rên­cia)… No entanto, o que importa é isso “desk­top não dá grana” e deve ser por esse motivo que o Linux está ainda tão atra­sado nesse meio, já que ao longo do tempo o cená­rio do Linux se trans­for­mou em um mer­cado cor­po­ra­tivo e como tal é domi­nado por empresas.

Sim, é isso… estu­dos recen­tes da “The Linux Foun­da­tion” evi­den­ciam o que muita gente já sabia: são as empre­sas que man­dam no desen­vol­vi­mento do Linux. Pelas esta­tís­ti­cas, há mais de 1000 pro­gra­ma­do­res dando duro em escre­ver o código do ker­nel e entre 70% e 95% des­ses desen­vol­ve­do­res são pagos para fazê-lo e mais de 70% des­sas con­tri­bui­ções são fei­tas por pro­gra­ma­do­res que tra­ba­lham em gran­des empre­sas. Pode ser por isso então que o Linux como Desk­top não alça vôo, visto que o mer­cado de Desk­tops vem em segundo plano para as gran­des empre­sas (dizem até que o Win­dows desk­top nunca foi o maior pro­ve­dor de lucro para a Micro­soft e que ela tem outros pro­du­tos que ven­dem bem mais).

O ponto aqui, no entanto, é o seguinte: onde entra a comu­ni­dade nisso, já que agora quem manda são as empre­sas? Suse, Man­driva, Red Hat, Cano­ni­cal, Mozilla, Sun… são todas gigan­tes (algu­mas mais que outras, claro), mas todas elas visando algo mais que con­tri­buir para a liber­dade do soft­ware (sen­ti­ram a iro­nia? :-) ). O Linux cres­ceu, e nunca cres­ceu tanto como cresce agora, mas o Linux comu­ni­tá­rio, aquele feito “pelo povo e para o povo” ainda existe?

Toma-se como exem­plo o desen­vol­vi­mento de uma dis­tro grande como o Fedora (que é ban­cado pela Red Hat), mas supo­nho que o pro­cesso todo seja muito seme­lhante para as outras. A grande mai­o­ria dos desen­vol­ve­do­res dire­tos são enge­nhei­ros con­tra­ta­dos e que fabri­cam a dis­tri­bui­ção de acordo com as metas esta­be­le­ci­das pelos dire­to­res. Não cabe a nós defi­nir a lista com codi­no­mes para os outros vota­rem, nós só vota­mos, mas não indi­ca­mos nenhum nome (no caso do Fedora). Isso, até bem pouco tempo, era um pri­vi­lé­gio exclu­sivo da Red Hat e agora é pri­vi­lé­gio dos desen­vol­ve­do­res. Nem embai­xa­do­res, nem dese­nhis­tas, nem escri­to­res e nenhum mem­bro da comu­ni­dade pode indi­car um codi­nome, nesse caso o pro­cesso é fechado.

Outro bom exem­plo é o GNOME. Quem usa conhece a inter­face spa­tial, que é aquela onde cada vez que você clica em uma pasta, uma nova janela se abre e a antiga per­ma­nece. Nunca na vida conheci uma pes­soa que gos­tasse da inter­face spa­tial e todo mundo sem­pre acaba mudando as opções para nave­gar no estilo “brow­ser” que abre todas as pas­tas na mesma janela. Segundo os desen­vol­ve­do­res, o modo spa­tial é melhor que o modo brow­ser por­que “traz a sen­sa­ção de uma mesa de ver­dade, com papéis espa­lha­dos e tudo”. Tam­bém acham óbvio que dando dois cli­ques com o botão do meio o modo spa­tial abre sem­pre na mesma janela (alguém sabia disso?). Mas o ponto é que se a comu­ni­dade não gosta do modo spa­tial, por­que ele vem por default? E por­que não muda­ram? Cer­ta­mente, só na cabeça de um desen­vol­ve­dor péro­las do tipo “todo mundo abre um ter­mi­nal e edita um arquivo no VI” podem fazer sentido.

Não digo é claro, que a comu­ni­dade não par­ti­cipa de nada; a comu­ni­dade tra­duz, dis­se­mina, reporta bugs (que nem sem­pre são bem aten­di­dos por algum desen­vol­ve­dor arro­gante que teima em dizer que o pro­blema não existe) e faz dese­nhos, mas não decide quais paco­tes quer usar, nem como quer que o sis­tema fun­ci­one. Como disse um sábio, as empre­sas dei­xam que use­mos o Linux delas.

Con­tri­buir mais pro­fun­da­mente não é fácil, todos sabe­mos. O grau de espe­ci­a­li­za­ção cresce de acordo com a pro­fun­di­dade do desen­vol­vi­mento. Já ima­gi­na­ram se todo estu­dante do pri­meiro semes­tre de com­pu­ta­ção qui­sesse adi­ci­o­nar seu código ao ker­nel? Ou se cada mole­que que faz uma cal­cu­la­dora em C++ deci­disse adi­ci­o­nar o “pro­grama” na árvore oficial?

Qual é, real­mente, o papel da comu­ni­dade nisso tudo? O que vocês acham a res­peito? Notem que aqui não estou falando de uma dis­tri­bui­ção espe­cí­fica; todas têm seus pro­ble­mas (Fedora, Suse, Ubuntu…). O ponto cru­cial é que o Linux está mudando e por detrás de um grande Linux está sem­pre uma grande empresa… isso não é coin­ci­dên­cia, posso apos­tar. :-)

Esta­tís­ti­cas do Kernel

  • O número de desen­vol­ve­do­res do Ker­nel tri­pli­cou nos últi­mos 3 anos.
  • Neste momento con­tri­buem com cada Ker­nel, mais de 1.000 pro­gra­ma­do­res pro­ce­den­tes de mais de 100 organizações.
  • Entre 70% e 95% des­tes desen­vol­ve­do­res rece­bem uma remu­ne­ra­ção econô­mica por seu tra­ba­lho (o que cai por terra o mito de que a maior parte dos pro­gra­ma­do­res de soft­ware livre não rece­bem nada pelo código que produzem).
  • Mais de 70% das con­tri­bui­ções ao Ker­nel são pro­ve­ni­en­tes de pro­gra­ma­do­res que tra­ba­lham em empre­sas como IBM, Intel, The Linux Foun­da­tion, MIPS Tech­no­logy, Novell e Red Hat.
  • Cada dia são adi­ci­o­na­das uma media de 3.621 linhas de código ao Kernel.
  • Um novo Ker­nel é libe­rado, em media, a cada 2,7 meses.
  • O tama­nho do Ker­nel tem cres­cido em 10% a cada ano desde 2005.
  • Nunca na his­to­ria da com­pu­ta­ção houve tan­tas empre­sas, orga­ni­za­ções, desen­vol­ve­do­res e usuá­rios tra­ba­lhando em um só pro­jeto de software.

Den­tre todos os deta­lhes cita­dos, dois cha­mam mais a aten­ção, o que se refere a por­cen­ta­gem de desen­vol­ve­do­res do Ker­nel que cobram por seu tra­ba­lho, e as empre­sas que pagam esses desen­vol­ve­do­res, sendo que as que mais con­tri­buem são:

  1. Red Hat (11.2%)
  2. Novell (8.9%)
  3. IBM (8.3%)
  4. Intel (4.1%)
  5. The Linux Foun­da­tion (3.5%)
  6. SGI (2.0%)
  7. MIPS Tech­no­logy (1.6%)
  8. Ora­cle (1.3%)
  9. Mon­ta­Vista (1.2%)
  10. Linu­tro­nix (1.0%)
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